Reportagens produzidas com auxílio de inteligência artificial

Ivan Santos*

Fiquei curioso após ler um texto informativo produzido e veiculado pelo G1 Triângulo Mineiro. O título do texto: “Major Renato, do Republicanos, é eleito prefeito de Araguari”. No final deste texto a seguinte informação me deixou curioso: “Esta reportagem foi produzida de modo automático com apoio de um sistema de inteligência artificial”. Isto é evolução tecnológica avançada demais para o meu arcaico entendimento. Sou jornalista dinossauro aposentado e me lembro que quando estive em atividade, as reportagens eram produzidas por inteligência humana. Confesso que não tenho conhecimento para saber como é que uma reportagem pode ser produzida “automaticamente com apoio de um sistema de inteligência artificial”.
Fiquei interessado em saber qual é o agente (humano ou robô) que aciona o “modo automático artificial”. Não percebi se este agente atua através de um telemóvel (celular) que influencia à distância ou um novo engenho oculto que desconheço. Também não sei se o moderno “sistema” é controlado por algum impulso originado em nuvem. Só pude entender que no século XXI é possível produzir-se uma reportagem “de modo automático com o apoio de um sistema de inteligência artificial”.
Outro detalhe que me deixou com a curiosidade aguçada foi este: “A reportagem foi revisada por um jornalista do G1 antes de ser publicada”. Eu, sinceramente, tenho interesse em saber com base em que conhecimentos ou métodos esse jornalista analisou uma reportagem produzida automaticamente com auxílio de uma inteligência artificial. Seria análise cibernética? Analógica? Tecnológica? Não sei.
Tenho lido muito sobre inteligência artificial e sobre robotização na produção de bens econômicos e serviços, mas nunca pensei que a inteligência artificial chegasse a desempenhar trabalhos jornalísticos. Até há pouco tempo as reportagens eram produzidas por inteligência humana e era emocionante escrevê-las ou lê-las. Sinceramente, estou fossilizado diante da modernização da comunicação jornalística no Século XXI. Bendito e admirável mundo novo!

*Jornalista

Depois das eleições será hora de decisões sem politicagem

Ivan Santos*

Atenção, senhoras e senhores do Conselho da República do Brasil. Este assunto é sério: a inflação oficial está em 2,5% ao ano. Na vida real, a inflação dos alimentos passa de 18%. A inflação dos principais bens de consumo chega a 12%. Vários analistas do mercado financeiro nacional já coletaram dados, analisaram o cenário e muitos já comentam publicamente que há ameaça no espaço que poderá criar dificuldades para gregos, troianos e baianos se o governo não agir com energia e disposição.
São muitos os agentes econômicos que caminham hoje com as antenas ligadas para três questões preocupantes: a Pandemia do Coronavírus, a gestão e controle da Dívida Pública e o Déficit nas Contas Públicas. Desajustes nessas áreas podem dificultar o retorno do aumento da produção econômica em Pindorama. Se as contas continuarem desorganizadas a inflação crescerá e, para segurá-la, o Governo terá que aumentar a taxa básica de juros que hoje está em 2% ao ano.
O Mercado não cobrou uma política econômica clara por parte do Governo por causa das eleições municipais. Passadas as eleições no fim deste mês e empossados os eleitos no dia 1º de janeiro, o Governo precisa apresentar uma Reforma Administrativa para reduzir despesas a controlar as contas públicas e uma Reforma Tributária para desonerar a produção. Estas reformas são necessárias para reaquecer a produção econômica e enfrentar novos tempos.
A insegurança em relação às contas públicas pode acelerar a inflação e elevar os juros no mercado interno. Indecisão nessa área não animará os investidores. Se novos investimentos não haverá crescimento econômico e sem este também não haverá novos empregos. O Brasil não poderá continuar assim. Não há mais lugar para politicagem de politiqueiros da politiquice.

*Jornalista

A mutabilidade política do Mito preocupa à Direita

Ivan Santos*

O Capitão Mito Jair Messias Bolsonaro, que se elegeu com grande votação (mais de 57 mil votos) para presidente da República do Brasil por um pequeno partido (PSL), cometeu vários erros políticos estratégicos. O primeiro foi abandonar a legenda e não se esforçar para criar um partido (Aliança pelo Brasil) para expressar e solidificar o liberalismo econômico conservador e a moralização da política que ele prometeu na campanha eleitoral. O Mito ficou no limbo sem identidade partidária e sem projeto definido.
Antes das eleições municipais deste ano o Mito anunciou que, como presidente da República, não apoiaria nenhum candidato. Não cumpriu a promessa. Começou por apoiar alguns candidatos a prefeito nas grandes cidades, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. Depois, inexplicavelmente, o Mito decidiu apoiar alguns candidatos a vereador. A maioria dos apoiados pelo comandante-em-chefe não foram bem sucedidos no primeiro turno. Para analistas da oposição ao Governo foi uma derrota do Comandante. Derrota desnecessária.
Sem um partido, o chefe da Nova Política corre o risco de ficar sem Base Eleitoral expressiva para candidatar-se à reeleição em 2022 e poderá ser obrigado a se sujeitar à uma legenda oportunista para registrar a candidatura. Essa situação preocupa a muitos bolsonaristas. Sem perder tempo com tertúlias ou polêmicas com esquerdistas e “comunistas”, o ex-líder do Governo na Câmara, major Victor Hugo (PSL-SP) começou na última segunda-feira a organizar mutirões nas principais cidades brasileiras a fim de coletar assinaturas para criar o Aliança pelo Brasil, um partido que abrigue o Capitão Mito. Se esse partido for criado ninguém tem certeza que o Mito nele permanecerá por muito tempo. Esta é a magna questão.

*Jornalista

Odelmo Leão, candidato a governador de Minas Gerais em 2022

Ivan Santos*

O prefeito de Uberlândia Odelmo Leão, reeleito no primeiro turno com dois terços dos votos dos eleitores do segundo maior Colégio Eleitoral do Estado de Minas, transformou-se num potencial pré-candidato à sucessão do governador Romeu Zema em 2022. Odelmo tem experiência política, administrativa e foi líder do PP por oito anos na Câmara Federal. Portanto, tem experiência política nacional, estadual, municipal e prestígio no Partido Progressista (PP) porque, além de fundador desta legenda, é membro do diretório nacional e vice-presidente da agremiação.
A eventual candidatura de Odelmo Leão a governador do Estado em 2022, no entanto, vai depender da decisão dele. Depois destas eleições, Odelmo figura no mapa de Minas Gerais como um dos mais importantes líderes do Centro Político no Estado e, por esta razão elementar, já é um dos nomes em destaque para a próxima disputa eleitoral estadual.
A construção de uma candidatura majoritária estadual em Minas Gerais não é tarefa fácil. Odelmo sabe disto. Se ele decidir aproveitar o vácuo de lideranças que há hoje em Minas e decidir enfrentar o governador Romeu Zema, natural candidato conservador à reeleição, precisa começar a trabalhar imediatamente. No caminho ele tem o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que está num parido pequeno em Minas. As lideranças do empresariado, dos trabalhadores e das atividades liberais locais, se decidirem tentar eleger um nome da cidade para o Governo do Estado, precisam se unir para que o eventual candidato possa contar com forte respaldo representativo local.
O prefeito de Uberlândia é um dos poucos nomes da política mineira atual com representatividade individual para unir PP, DEM e PSDB numa coligação para disputar o Governo do Estado. O prefeito de Uberlândia é um político com trânsito em todos esses partidos. O governador Zema, embora governe o Estado com sobriedade e competência para enfrentar grandes problemas, é novato na seara política e membro de um partido inexpressivo com pouca representação no Estado. O PP, DEM e PSDB somados contam com representação (diretórios) em quase todos os municípios do Estado e isto, para uma eleição majoritária estadual pode ser decisivo, principalmente depois da passada eleição que mostrou aos eleitores decepcionados com os discursos de “não político” e de “novos” que a solução é a política tradicional. Os eleitores começaram a descobrir que os “novos” não passam de engodos monumentais.
Odelmo Leão, prefeito de Uberlândia reeleito no primeiro turno em 2020 é nome forte para a sucessão do governador Romeu Zema em 2022. Anotem esta afirmação e acompanhem o processo político nas Gerais de hoje em diante.

*Jornalista

A esquerda não morreu e o Centro se fortaleceu após encerrada a votação de ontem

Ivan Santos*

A eleição terminou em Uberlândia no Primeiro Turno de Votação como previram os principais institutos de pesquisas de intenções de votos. O prefeito Odelmo Leão reelegeu-se com 70,47% dos votos válidos (228.390 votos). Foi uma vitória maiúscula, indiscutível e prova de que após longa carreira política, o ex-deputado e ex-comandante da Bancada do PP na Câmara Federal, continua a ser a principal liderança política no município.
Na Câmara de Vereadores as mudanças foram expressivas. Se foram para melhor, só o tempo confirmará. Depois da votação sabe-se que dos 27 vereadores, três da Oposição – Edilson Graciolli (PT), Tiago Fernandes (PSL) e Adriano Zago (ex-MDB atual PDT) deixarão a lide política temporariamente por terem se candidatado a prefeito e perdido a eleição. Vinte e dois vereadores tentaram a reeleição e destes somente 10 conseguiram se reeleger.
As mulheres, nestas eleições, conquistaram sete cadeiras na Câmara Municipal e poderão reforçar os movimentos feministas na próxima legislatura.
As eleições de ontem também mostraram que o presidente Bolsonaro pode ter grande aprovação popular pessoal, mas não transmitiu prestígio para candidatos por ele apoiados. As provas podem se observadas nas duas maiores cidades do País. Em São Paulo, o candidato a prefeito, deputado federal Celso Russomano era o líder nas pesquisas de intenções de votos. Como em candidaturas anteriores, Russomano começou a perder intenções de voos. Quando recebeu o apoio explícito do presidente Bolsonaro começou a despencar mais rapidamente e acabou fora do segundo turno. Foi superado pelo candidato da esquerda, Guilherme Boulos, do PSOL. No Rio, Bolsonaro apoiou o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos que tenta a reeleição e este ficou em segundo lugar bem atrás do líder, Eduardo Paes (DEM). Bolsonaro não brilhou no resto do Brasil.
O resultado destas eleições deverá influir na formação de composições de forças políticas para as eleições de 2022 e isto já começou. Os movimentos da Esquerda que não morreu e do Centro que se fortalece, poderão atrapalhar o Governo do Mito e as reformas estruturais que a classe produtora espera. Tem muita guerra e pouca pólvora em Pindorama neste momento.

*Jornalista

Começou o jogo para conquistar o poder político em Uberlândia

Ivan Santos*

Há um ditado popular em Minas Gerais que diz: “Resultado de eleição e de mineração só se conhece depois da apuração”.
Em Minas todo garimpeiro experiente sabe que se a busca de ouro é em terreno de aluvião é mais fácil saber se naquele sitio há ou não o precioso mineral. É mais ou menos o que ocorre neste momento na eleição municipal em Uberlândia. A indicação da preferência do eleitorado municipal pela reeleição do prefeito Odelmo Leão é visível nas ruas. Se não houver algum acidente inesperado, o prefeito será reconduzido ao cargo que exerce no primeiro tempo do jogo que começou a ser jogado hoje.
A eleição ocorre em tempo de Pandemia do Corona e pelo sistema informatizado brasileiro que hoje é exemplar no mundo. Logo depois de serem fechadas as urnas vai começar a apuração sob o comando do Tribunal Superior Eleitoral que em poucas horas poderá anunciar o resultado da votação em mais de cinco mil municípios do País.
O discurso do “novo sem experiência política” que encantou eleitores no passado parece que deu tchau. O que vimos nas pesquisas nas principais cidades brasileiras foi a tendência do eleitorado em favor de políticos experientes.
Os eleitores ficaram com medo dos “novos políticos sem experiência administrativa”. Perceberam que entre o discurso de boas intenções e a realidade objetiva, nua e crua, a distância é de quatro cabos de machado. Quem não tem experiência navega nas nuvens e se perde no horizonte. A campanha eleitoral deste ano vai servir para que os políticos hoje tosquiados pelos eleitores se preparem para mudar o discurso “renovador”. As redes sociais já saturaram as pessoas e muitos eleitores já perceberam que entre a fantasia das informações falsas na internet (fakes News) e a verdade é melhor dar um passo atrás para depois, com segurança, poder dar dois para a frente.
A bola começou a rolar no gramado nacional às 7 horas e o jogo só vai terminar às 17 horas. As 21 horas deveremos saber quem será o prefeito de Uberlândia para administrar os negócios municipais por quatro anos a partir de janeiro que vem. Até lá senhoras e senhores do Conselho de Segurança Política do Município.

*Jornalista