China se prepara para deixar de comprar soja do Brasil e dos EUA

Ivan Santos*

A China, com cinco mil anos de experiências com governos de vários formatos, e tipos é hoje movida pela filosofia do sábio Confúcio e tem um projeto de socialismo de longo prazo para dar melhor condição de vida a 1,4 bilhão de habitantes – a maior comunidade humana do mundo. A China moderniza-se e se prepara para ser, em pouco tempo, a maior potência econômica do mundo.
Hoje a China é a maior parceira comercial do Brasil e importa deste País produtos primários, especialmente minério de ferro, carne de suíno e bovino e, especialmente, soja. No ano passado o Brasil mandou para a China um terço de todas as exportações do País.
O governo chinês, segundo revelou o embaixador da China no Brasil, está magoado com a críticas que já recebeu do presidente norte-americano Donald Trump (em final de mandato) e de políticos brasileiros entre os quais o presidente da República, o ministro das Relações Exteriores e o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL).
A China trabalha rápido e em silêncio. Para se livrar da dependência dos EUA e do Brasil. Para isto começou a negociar com a Argentina e Uruguai a compra de carne bovina e com a Tanzânia (África), a produção de soja. A China está convidando produtores de soja do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina para que possam cultivar o produto na Tanzânia. O Banco da China financia a aquisição de terra e a plantação e o governo chinês garante a importação de toda a produção. Os estrategistas chineses esperam que em três anos a África possa substituir o Brasil como fornecedor de soja para aquele país. As consequências para o agronegócio brasileiro serão imprevisíveis. Os produtores nacionais já viram isto, mas o Governo, aparentemente, não está preocupado.
Um alerta aos cérebros direitistas do Palácio do Planalto: Deng Xiao Ping, o chinês, ensinou aos patrícios dele que “não importa a cor do gato; o que importa é que ele cace o rato”. Para bom entendedor um pingo é letra e letra pode ser palavra importante e de forte significação para quem consegue ler até nas estrelas.

*Jornalista

Técnicos procuram meios para financiar o “Renda Cidadã”

Ivan Santos*

Sem recurso no Caixa da União para financiar o programa da Renda Cidadã que substituirá o Bolsa Família do PT, o Governo do Capitão estuda a possibilidade de executar um corte de até 25% nos subsídios. A providência poderá ser votada com a Proposta de Emenda Constitucional do Pacto Federativo que poderá entrar na do Congresso na primeira quinzena do mês que vem.
A providência seria como a tradicional máxima que explica como descobrir um santo para cobrir outro em caso de emergência em um ambiente descapitalizado. Os cortes seriam em pensões e aposentadorias acima de um salário mínimo. Quem recebe parcos benefícios poderá ser obrigado a ceder um, pouco para que o governo financie o Programa Renda Cidadã que poderá garantir a popularidade do Mito até a próxima eleição em 2022.
Essa jogada ainda não está decidida. É apenas uma sugestão para encontrar dinheiro para financiar um programa de transferência de renda para milhões de pessoas desempregadas, na informalidade ou desalentadas que podem passar de 30 milhões debaixo dos céus da pátria neste instante. Seria uma espécie de ação para tirar dinheiro de pobres para socorrer outros mais pobres. Tirar de ricos, nem pensar.
A iniciativa acima citada não foi aprovada pelo presidente da República até agora. É apenas uma proposta de técnicos que poderá ser aceita ou não pelo comandante-em-chefe que dará a última palavra sobre a criação do Renda Cidadão e sobre os meios de financiamento para este programa.

*Jornalista

A Nova Política cada vez mais se parece com a Velha

Ivan Santos*

O que o Governo do Capitão Bolso pratica hoje não é um programa de transferência de renda administrado pelo Governo para reduzir desigualdades sociais.

Com o avanço da Pandemia do Coronavírus no Brasil, o Governo preocupou-se com a situação financeira das pequenas e médias empresas e, para mantê-las vivas, decidiu dar algum poder de compra à massa desempregada e na informalidade. Em um país com uma crise de desemprego deixada pelo governo anterior e com a paralisação de muitas atividades produtivas por causa do isolamento social imposto pelas autoridades sanitárias para enfrentar a Pandemia, o Governo do Capitão decidiu criar um Auxílio Emergencial de R$ 600 por quatro meses e, agora de R$ 300 até dezembro. Este auxílio visou 12 milhões de desempregados e mais de 20 milhões que sobrevivem na informalidade. Com isto a dívida pública cresceu e está em, 80% do PIB ou mais de R$ 5,6 Trilhões. Esta dívida o povo vai pagar amanhã ou depois.
No Governo do presidente Fernando Henrique também houve uma transferência de dinheiro para os sem poder de compra.

Foi uma transferência emergencial de renda como agora.
Após a criação do Real, para conter a inflação, houve uma drástica política de austeridade orçamentaria. Muitos pobres ficaram sem emprego e sem renda. O Banco Mundial (BIRD), que apoiou o Plano Real, recomendou ao Governo que pagasse um auxílio emergencial aos sem renda para que eles tivessem alguma capacidade de consumir bens econômicos e assim girar a economia. FHC criou os programas Bolsa Escola e Vale Gás. O primeiro para que as famílias pobres pudessem manter os filhos na escola e o segundo, para comprar um botijão de gás por mês.

Quando assumiu a Presidência da República em 2003, o Programa Social do presidente Lula era “Fome Zero” (distribuição de alimentos para pobres). O Governo não conseguiu controlar a roubalheira de mercadorias no transporte e na distribuição de alimentos. Então Lula cancelou o “Fome Zero” e reuniu os programas Bolsa Escola e Vale Gás de FHC num só: o Bolsa Família. O programa, segundo o Banco Mundial, era temporário, mas Lula o transformou em ação política permanente. Dilma, Temer e Bolsonaro o mantiveram com o mesmo objetivo.

O Auxílio Emergencial atual, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai acabar em dezembro, mas o Capitão Mito quer criar um novo programa para turbinar e mudar a cara do Bolsa Família. O Capitão Mito teme perder popularidade sem o Auxílio. O maior temor dele é perder votos em 2022 para se reeleger Presidente. A Nova Política, a cada dia mais se parece com a Velha.

*Jornalista

Retrato em preto e branco do Brasil na Nova Política

Ivan Santos*

Segundo o IBGE, órgão do governo que mede dados oficiais no Brasil, a inflação oficial está em 2,31%. Esta é a inflação oficial camuflada. Para dar uma informação mais crível, ontem o Boletim Focus do Banco Central anunciou que a inflação deverá encerrar este ano em 3,45%. Esta é a inflação anunciada pelo Governo. A inflação real, aquela que os moradores do Brasil sentem no bolso é diferente, noves fora a crise sanitária provocada pelo Corona.
A Inflação dos Alimentos, segundo observadores independentes, está em 18%. Tem a inflação do dólar que atinge todos os produtos importados. Em janeiro de 2019 quando o Capitão Mito assumiu o comando do Brasil, o dólar comercial no mercado estava em R$ 3,65. Ontem, fechou em R$ 5,43 para a alegria dos exportadores de soja e outros produtos agropecuários.
A inflação do dólar chega a 55%. Todo insumo importado para fabricar medicamentos, tecidos, sapatos, peças de automóveis, enfim, 80% dos bens de consumo industrializados debaixo dos céus da pátria neste instante, estão onerados pela inflação do dólar. Tentar convencer os viventes de Pindorama de que todo o País está muito bem informando-lhes que a inflação está baixa e controlada é engodo monumental.
Tem a inflação para o peão que ainda trabalha. Um operário que, no Jardim Brasília onde eu moro pagou, até na semana passada, R$ 14,00 por um pequeno marmitex com um pedaço de carne; foi comprar ontem o mesmo marmitex e o preço estava em R$ 15,00. Poderá chegar a R$ 20 até o Natal. O dono do restaurante diz que apenas repassa a alta da carne, do arroz, do feijão e das verduras que do final da Primavera para o Verão sobem sem controle.
O trabalhador que ainda tem emprego e ganha Salário Mínimo ou pouco mais, tem alguns reais para comprar um marmitex, mas o que está desempregado, sem renda, pode?
Este é o retrato em preto e branco do Brasil hoje. Não adianta lançar argumentos dissimulatórios para justificar a quadratura do círculo. O Brasil segue à deriva e a cúpula do governo mostra-se preocupada com discussões sobre aborto, complô de “comunistas”, roubalheiras na oposição, ideologia de gênero, orientação sexual, “rachadinhas” e armar a população para combater a criminalidade organizada. Governar de verdade, néca de petiberiba!

*Jornalista

O comandante Mito governa hoje com apoio do Centrão

Ivan Santos*

O Congresso Nacional sempre parou em anos de eleições municipais porque deputados e senadores seguem em direção às bases eleitorais para ajudarem seus futuros cabos eleitorais.
O ciclo das eleições municipais termina no próximo domingo, penúltimo dia antes de dezembro, último mês do ano. O Congresso terá poucos dias para aprovar uma lei que garanta equilíbrio das contas pública e da dívida interna que se aproximam de 80% do PIB (R$ 5,6 trilhões) e a Lei de Orçamento para 2021.
O chefe do Governo insiste em ficar fora de discussões com líderes dos partidos na Câmara e no Senado. O cenário no Congresso está silencioso por fora, mas em fogo vivo por dentro. Os parlamentares, até os do Centrão que apoia o Planalto, não confiam em acordos firmados com a liderança do Governo porque o chefe pode não confirmar os acertos. Por esta razão elem3entar, os parlamentares não aceitam negociar com o capataz da fazenda, mas só com o dono da boiada. E este não quer conversar com ninguém. Por isto os projetos do Trono estão parados no Congresso. Assim devem continuar até a corda arrebentar.
O Centrão não é fiel a ninguém. Um membro-símbolo do Centrão, o senador Jose Sarney, era o presidente do PDS, partido do Governo Militar. Quando percebeu que o Governo perdeu apoio popular, abandonou o PDS, inscreveu-se no PMDB (hoje MDB) e foi o candidato a vice de Tancredo Neves, da oposição, no Colégio Eleitoral. Esta traição está na história do Brasil.
Bolso que se cuide. Se a popularidade dele cair, o Centrão o abandonará e assumirá um projeto alternativo de poder com João Dória, Luciano Huck ou Sérgio Moro. O Centrão só é fiel a quem tiver caneta para assinar nomeações e liberar recursos do Tesouro da Vaca Barrosa.

*Jornalista

Sem comando o barco poderá se despedaçar num rochedo

Ivan Santos*

O Capitão Mito que governa a República do Brasil passou quase dois anos depois da posse a cuidar de temas cibernéticos e a produzir polêmicas contra adversários imaginários, alguns “comunistas” nunca identificados. Com o tempo, vários analistas perceberam que para a lógica dos seguidores do Capitão, “comunista” é toda pessoa que não concorda em gênero, número e grau com as opiniões de Sua Excelência.

No Congresso o Capitão não tem problema. O PT, partido que deveria chefiar a oposição, perdeu o rumo e segue sem liderança. O PDT parece biruta de aeroporto. Sem oposição, o Capitão, que foi deputado por sete mandatos (28 anos), ainda não deu um passo para organizar uma Base Parlamentar de Apoio ao governo que chefia. Fez uma aliança informal com o oportunista Centrão (Conjunto de partidos fisiológicos) para ter apoio político pessoal. O Centrão não tem compromisso com o Governo. Defende o presidente em troca de bombons.

O líder do Governo na Câmara não tem autoridade para acertar nada. Se combinar algum acordo o Chefe pode decidir diferente. Por isto os líderes das bancadas não confiam no representante do Palácio do Planalto na Câmara.
Sem rumo no Congresso, os projetos de interesse do Governo não andam. No final do ano passado o presidente Mito mandou um Projeto de Emenda Complementar para a Câmara. Projeto importante para reduzir o déficit primário do Governo e ter recursos para custear despesas sociais. Isto sem falar no Orçamento para 2021. Esses dois projetos ficaram parados, segundo lideranças do Centrão, por causa das eleições municipais, mas precisam ser aprovados até o fim de dezembro. Não se vê nenhum passo da parte do Governo do Mito para os projetos essenciais andarem.

Na semana passada o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a coordenação parlamentar do Governo no Congresso está sem rumo. Isto é grave.

Os ministros do Governo, inclusive o “Posto Ipiranga” (ministro da Economia) não têm autonomia para produzir nenhum projeto. Todos dependem da decisão do Poderoso Chefe. E o Chefe nada decide. Só pensa em 2022.
O Barco da República, neste momento, navega à deriva. Se o comandante não assumir a Roda do Leme o barco poderá se chocar com um rochedo e se despedaçar antes de 2021 chegar ao fim.

*Jornalista