Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

As constantes denúncias de racismo contra jogadores de futebol negros na Espanha no Campeonato Espanhol, organizado por La Liga, já passaram e muito dos limites. Nem a organização, nem as autoridades do país, tomaram quaisquer providências que viessem a demonstrar um mínimo de respeito para com as vítimas desse crime intolerável.
Esses casos de racismo que começaram a surgir na Espanha com força descomunal estão, infelizmente, atrelados ao crescimento do Vox, partido de extrema direita espanhol. Nas últimas eleições, o Partido Popular conservador ficou com 31,4% dos votos e 31 cadeiras, o Partido Socialista ficou em segundo lugar com 30% dos votos e 30 cadeiras. Já o Vox passou de uma para 13 cadeiras no parlamento, com 17,6% dos votos num parlamento que possui 81 vagas.
Pois é neste cenário político que entendemos porque o racismo se fortalece e caminha livremente sem ter punições a altura do crime hediondo cometido nas dependências dos estádios de futebol e nas ruas da Espanha.
Javier Tebas, 60, é espanhol nascido na Costa Rica, foi reeleito presidente de La Liga e é apoiador do Vox, partido ligado aos nostálgicos do ditador criminoso e sanguinário Francisco Franco, o que, por si só, explica seu posicionamento em relação ao protesto de Vinícius Júnior.
Claro que, sendo extremista, o Vox não poderia deixar de ter simpatizantes no Brasil. Em dezembro de 2021, o líder do ultradireitista Vox, Santiago Abascal, participou de encontro promovido por Eduardo Bolsonaro, em Várzea Grande (MT) do Congresso Brasil Profundo, do Instituto Conservador-Liberal criado pelo deputado federal filho do ex-presidente.
Em praticamente todos os jogos do Real Madrid fora de seu estádio, o jogador Vinicius Jr recebeu ofensas racistas, com torcedores imitando macacos. Desde que isso começou, nenhum torcedor foi preso ou banido dos estádios na Espanha.
Neste último domingo, um novo episódio ocorreu no Estádio Mestalla na cidade de Valência, quando novamente o jogador foi hostilizado e ofendido de forma criminosa por torcedores do Valencia.
O partido de extrema direita não fazia parte do cenário político desde 1975, quando o General Franco foi extirpado da vida política espanhola. Portanto, seu ressurgimento deixa claro que, atrelado ao partido de ideologia extremista, está a xenofobia e o racismo. No Brasil, vivenciamos com a ascensão de um partido de extrema direita casos de racismo, xenofobia e até trabalho escravo em diversos setores da agricultura em Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A Fifa comandada por pessoas fora do nosso tempo, empresários gananciosos e sem nenhuma preocupação com os torcedores e os jogadores permanece em silêncio cúmplice e vergonhoso.