José C. Martelli – Advogado e professor – Espírito Santo do Pinhal(SP), 08 de abril de 2020
ESTAS REFLEXÕES COMEÇARAM POUCO ANTES DO “IMPEDIMENTO” DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEF, E SÃO HOJE PUBLICADAS NESTE BLOG, POR SUA ATUALIDADE E SIMILITUDE DOS FATOS PRESENTES COM FATOS PASSADOS. Ei-las:
O BRASIL QUE A MIDIA ESCONDE
Vou parodiar Rui Barbosa em seus celebres e conhecidos dizeres e vou construir os meus:
de tanto ver a mídia televisiva, escrita e falada (salvo honrosas exceções) distorcer fatos, comentando-os sempre negativamente, trabalhando constante e insistentemente para o quanto pior melhor;
de tanto ver interesses escusos, espúrios e particulares se sobreporem a interesses sérios e coletivos:
de tanto ver pessoas inteligentes e honestas, sendo manipuladas de maneira sutil, soez e sórdida;
de tanto ver a turba ignara, em eventos a que só os endinheirados têm acesso, proferir coletivamente, impropérios contra uma Presidente da Republica, impróprios, incivilizados e que só podem sair da boca de pessoas mal formadas e mal educadas;
de tanto ver pessoas humildes e bem intencionadas fazendo coro a golpistas de plantão, que não se conformam, democraticamente, em perder eleições;
de tanto ver artistas, que deveriam ser os primeiros a dar exemplos, mas todos com interesse próprios e de olho nas próprias fortunas, fazerem pronunciamentos boçais e chulos, a plateias sempre de bem afortunados, mas igualmente chulas e boçais;
de tanto ver e ouvir comentários cheios de animosidade, facciosidade e destempero de supostos jornalistas e especialistas em política, economia, finanças etc.., inacreditavelmente serem citados e apoiados nas redes sociais por pessoas que, seguramente, não estão pensando no Brasil e nos brasileiros menos aquinhoados;
de tanto ver a corrupção que, infelizmente graça neste país desde priscas eras, e que nunca fora enfrentada, ser restringida em determinado espaço de tempo e atribuída somente a quem convém aos interesses da burguesia reacionária;
de tanto ver tudo isso e mais alguma coisa vou tornar-me um alienado. Não vou mais ver “noticiários” de televisão, não mais vou ler “notícias” de jornais e seus comentários tendenciosos. Não vou mais ouvir rádio com suas “notas” sempre seguidas de comentários parciais. E, principalmente, não vou mais tomar conhecimento dos comentários em redes sociais, que imbecis de toda ordem, lá postam. Vou apenas ouvir músicas e possivelmente músicas clássicas ou antigas.
Vou tornar-me, repito, um alienado.
Prefiro ser um alienado por vontade própria do que sê-lo por vontade de terceiros que têm o poder emanado do dinheiro que compra e sustenta a mídia deste país. Dinheiro daqueles que não se conformam com o muito que já têm e querem sempre ter mais, mesmo que isso faça com que os que pouco têm, tenham cada vez menos.
Mas antes de entrar nesse período de alienação, quero deixar aqui alguns comentários, principalmente sobre dados que pesquisei e que, quando os encontro nos noticiários vêm sempre acompanhados de explicações que, no meu modesto entender, não se coadunam com a realidade e, mais que isso, trazem ao brasileiro um sentimento pessimista que jamais deveria existir.