Antônio Pereira – Jornalista e escritor – Uberlândia – MG

Comecei a escrever este artigo há anos. Parei em meio porque descobri que já havia uma praça para o Benjamim lá no fim do mundo, mas havia. Encontrando o rascunho, resolvi terminá-lo, não mais como uma reivindicação, mas como uma homenagem a um homem valoroso.
Quando João Cândido faleceu, juntei papelada justificativa e entreguei para uma representante do partidão na câmara municipal com o objetivo de se dar o seu nome a uma rua da cidade. Comunista assumido, perseguido pela ditadura militar, João tinha um passado de lutas em prol da classe dos motoristas e da construção e manutenção das estradas regionais. Merecia. O tempo se passou e ninguém tomou providência alguma. Indignado, procurei o vereador Luizote de Freitas, um político que não tinha nada, nada de esquerda – estava no outro extremo. Entreguei-lhe a mesma papelada refeita e contei-lhe a história de seu primo, Renato de Freitas, que, na gestão do Tubal, foi um ferrenho defensor da proposta apresentado por um vereador comunista da época, propondo o nome de José Ayube para uma das ruas da cidade. Um vereador, dessa turma que se acha dona da cidade, entrincheirou-se contra a proposta e meteu bala preconceituosa: “Não colocaremos nome de comunista em ruas desta cidade!” – dono da cidade, não é? Renato pediu aparte: “Nunca questionamos o pensamento político de uma pessoa que lutou pelo progresso da cidade. Comunista ou não, José Ayube foi um grande cidadão.” E o Fundinho ganhou a rua José Ayube. Luizote apresentou o projeto que foi aprovado e sancionado pelo prefeito Virgílio Galassi, adivinhe em que dia? 25 de dezembro. Um presente para um cidadão de bem.
Benjamim Venâncio de Melo foi o pioneiro da industrialização localizada deste município. Primeiro industrial a acreditar nas propostas de desenvolvimento e progresso que a municipalidade oferecia. Mais que um pioneiro, um bandeirante. Não conseguiu trazer todo o pessoal da sua indústria original. Só cinco operários deixaram Canápolis e vieram, assim mesmo, com salário dobrado. Quando chegou a Uberlândia com suas coisas para montar sua indústria de semeadeiras Brasil na “Cidade Industrial” não encontrou nem caminho para chegar ao seu lote. Era cerrado só. Sem água, sem telefone, sem energia, começou a por tijolo sobre tijolo. Para a argamassa, a prefeitura levava água em carro pipa. Tentaram um poço artesiano, mas não acharam água. Diziam que o povo de Canápolis era meio doido.
Era 1963. Benjamim fora um artesão que iniciara seu trabalho fazendo canivetes de cabo de osso. Depois começou a consertar máquinas agrícolas e, por fim, passou a produzi-las, no início com peças de ferro velho. Em 1950, começou a fabricar as conhecidas plantadeiras Brasil vendidas no Triângulo e Goiás. Antes que Benjamim terminasse a construção, a Cidade Industrial já recebia água (da chácara de Alexandrino Garcia), já tinha telefone e energia. Outra fábrica se construía também, a segunda, a Pepsi Cola, dos Massaro. No dia 26 de novembro de 1964 começaram as atividades industriais da IMABRA – pioneira da Cidade Industrial.
Já não requeiro mais uma rua para o Benjamim, ele tem uma praça, mas registro o seu nome, como um pioneiro que acreditou nos sonhos grandes dessa nossa gente sempre disposta ao trabalho e ao progresso e que veio contribuir para a sua realização.

Fontes: Antonio Pereira da Silva (Revista do 50º. Aniversário da ACIUB), Benjamim V. de Melo, Waltecir José Cardoso.