A questão da segurança pública na Praça Rui Barbosa, popularmente conhecida como Praça da Bicota, está subliminarmente presente na cabeça de freqüentadores habituais e comerciantes ali instalados, torna-se sempre motivo de alarido e quase sempre é noticiada com grande impacto nos meios de comunicação de massa, principalmente quando ocorre algum evento que causa dano, perda, sofrimento e até morte naquele local sem, contudo, uma ação ou proposta oficial da parte dos poderes Executivo e Legislativo seja definitivamente adotada e colocada em prática no sentido de garantir, com firmeza de ânimo, medidas que assegurem condições ao menos razoáveis para a prática de lazer e uma sadia exploração comercial naquele valoroso espaço, marco do limite entre a antiga (Fundinho) e a atual (Centro) Uberlândia. Não acredito haver nesta progressista cidade, alguém que não deseje uma “ressignificação” daquele local de contrastes arquitetônicos, bares e lanchonetes sofisticados e um entorno que a cada dia atrai mais pessoas, turistas, casais e famílias inteiras para reunirem-se e saborear a gastronomia ali oferecida; enfim um relevante pólo de entretenimento que tem potencial para transformar-se – ainda mais- em um sadio refugio para tantos que sentem-se aprisionados em seus afazeres cotidianos. Ninguém deseja continuar vendo a Praça da Bicota como um problema de difícil solução e sim como a uma opção para desenvolver a felicidade e duplicar a alegria dos seus freqüentadores e o que, sem uma salvaguarda do poder público, torna-se algo impraticável e como tem-se visto nos últimos tempos. Considero que uma medida oficial que trate de tornar a Praça da Bicota em um local que dê garantias de segurança e não cause constrangimento aos seus freqüentadores, deva tornar-se objeto de especial atenção pelos administradores municipais e de modo a transformá-la em um local livre de incômodos e de situações de características criminosas e acidentais. A praça e o seu entorno fazem parte da história desta metrópole, um tecido de fatos que começa com a inauguração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário no ano de 1.931 e que noventa anos depois passa a ser alvo de dramatização política e palco para edis oportunistas quando, na verdade, o que precisa-se ali é de uma descomplicada e eficaz intervenção, cotidiana e diuturna, das forças de segurança. Há pessoas que freqüentam aquele local de maneira relativamente tranqüila, mas a maioria já pensa duas ou três vezes antes de decidir por uma incursão naquela área, enquanto outros para lá se dirigem mas com alguma restrição, crítica ou censura, quando não encarnados por um espírito de conflito e preocupados ante a possibilidade de tornarem-se vítimas de alguma ação criminosa ou mesmo de chantagens golpistas. Muito infelizmente aquela praça está deixando de ser visceralmente popular para, em determinados dias e horários, tornar-se absolutamente inadequada à presença de quem deseja, apenas, passar alguns momentos agradáveis, quanto mais quando na companhia de filhos menores. A incapacidade ou o desinteresse político em relação à segurança daquele local chega a ser inacreditável, conforme demonstrado em uma recente reunião na Câmara Municipal com a presença de algumas autoridades e comerciantes, aliás uma explicita demonstração de demagogia e armada para satisfazer muitas pessoas descontentes com a situação de beligerância ali vigorante.As deficiências e incoerências políticas que arrastam-se a anos para resolver uma questão tão simples quanto aquela, chega mesmo a assustar. Pergunto: seria ilusório continuar acreditando que, um dia, freqüentadores, comerciantes e residentes em casas e prédios naquela praça e no seu entorno passarão novamente a desfrutar a paz e a satisfação que ali puderam sentir em épocas passadas? Há pessoas que aceitam, divertem e confraternizam-se ali de maneira relativamente tranqüila, mas a maioria já rejeita sequer a idéia de ir até ali com a família, outras aceitam o desafio de serem importunadas enquanto procuram se descontrair, mas com críticas e censuras. A Lei do Silêncio, que vale ( ou valeria) para toda a cidade, cabe ali ser aplicada e exigida? Não há um consenso geral quanto a achar-se seguro naquele local que, infelizmente, está deixando de ser visceralmente popular para – em determinados dias e horários – tornar-se inadequado a pessoas em busca de um lazer sadio. A incapacidade ou o desinteresse de políticos em relação à segurança na Praça da Bicota chega a ser inacreditável, como visto na dita e provocada reunião e onde alguns edis e autoridades policiais disseram estar atentos às reivindicações populares e propuseram medidas que já deveriam ter sido adotadas há muito tempo. As deficiências e a má vontade de quem tem o poder para impor a segurança naquele local ou adotar outras estratégias que possam atender àquele apelo popular, infelizmente estão escancaradas à nossa frente e espero, da forma de milhares de pessoas, que outras ocorrências lamentáveis não tornem a surgir naquela praça e em razão de tamanha tolerância de quem tem o poder para colocar um fim a tamanha anomalia urbana!

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG