Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia – MG

Um dos crimes que se atribuíam ao ex-presidente Bolsonaro, sem quê nem porquê, era o de atentar contra as instituições. Aquelas acusações que são imaginadas para criar nuvens de fumaça e encobrir a realidade, quando havia coisas piores a esconder. Isto virou moda neste país, aconteceu inúmeras vezes em variadas situações e ocorre ainda hoje quando tentam impingir às pessoas erradas crimes ou erros que não aconteceram. Quando tentam destruir a reputação de pessoas que as têm ilibadas, no decurso de sua vida pública. Os exemplos são muitos e citá-los aqui seria repetitivo e um eterno enxugar gelo, já que a história se repete ao exagero há 4 anos e são sobejamente conhecidas.

Mas quero lembrar aqui acontecimento importante que, a meu ver, agride fortemente as instituições. A ele fazem ouvidos moucos, atenção desatenta e cara de paisagem, como se nada fosse de preocupante ou para ser encarado com maior seriedade. E as coisas vão, assim, ultrapassando os limites.

Voltemos ao passado (do passado não querem se esquecer)! Façamos um retorno ao fim do governo de Dilma Roussef, de triste memória. O processo de impeachment da mesma começou em 02/12/2015, durou 273 dias e encerrou-se em 31/08/2016. Motivos arrogados para o desenlace: crime de responsabilidade pela prática de “pedaladas fiscais” e pela edição de decretos de abertura de créditos sem a autorização do Congresso nacional – descumprimento da meta fiscal. Ao final, com 61 votos contra 20, a ilustre senhora perdeu o comando do Brasil, se é que ainda estava comandando alguma coisa.

Um golpe na CF foi desferido naquele dia: o fatiamento da sentença que destituía a presidente do cargo, permitindo que ela permanecesse com seus direitos políticos. Isto, sob os olhos complacentes e supremos de um Ministro do STF. Mais tarde, em eleição, o povo mineiro resgatou a ordem constitucional e disse “não” ao retorno da ex-presidente à cargo político.

Participaram de todo este processo o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Poder Executivo (por debaixo dos panos), representado pelo presidente Michel Temer.

Pois bem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cantou aos quatro ventos, no país e no mundo, o “golpe” sofrido pela presidente, um duro atentado à democracia, planejado e realizado pelos poderes da república – Judiciário, Legislativo e Executivo. Coisa séria demais, para meu gosto e de muitos. Como pode uma pessoa sair por aí, com acusação tão grave e não ser no mínimo repreendida? Não ser obrigada a prestar esclarecimentos em 24 horas, senão menos? Como podem os poderes da república aceitar ser chamados de golpistas e não perceberem que isto é uma ameaça à democracia? Chamar de golpe um impeachment feito de acordo com as normas vigentes e constitucionais, com a participação dos poderes da república, inclusive sob a presidência do STF, não mereceria nem, pelo menos, uma simples repreensão?

Infelizmente, neste país de faz de conta, as coisas são vistas, apreciadas e julgadas sob dois padrões distintos: dentro de um determinado espectro político tudo é permitido, nada é afrontoso, nada é crime. Em outro, as coisas mais simples tomam um proporção avassaladora e tudo se transforma em pecado mortal, sem perdão e sem desculpas.

Afinal de contas, chamar as instituições de golpistas é crime ou no mínimo uma afronta séria? Sabe, neste nosso país a gente precisa aprender tudo de novo, pois códigos de conduta não se impõem mais e, dependendo de quem comete crimes ou erros e de quem julga, tudo pode acontecer. De início dou uma lição necessária: a direita precisa se randolphizar com urgência. Levar aos tribunais tudo que possa ser tratado como desrespeito, desconsideração, infâmia, calúnia, injúria ou qualquer outra coisa. Judicializar, é a palavra da
hora!