Antônio Pereira da Silva – Jornalista e escritor – Uberlândia – MG
O cronista PP, do jornal A Tribuna, na edição n. 985, de 25 de março de 1936, relaciona as fazendas existentes por posse na região de Uberabinha, em 1849: Rocinha, Monjolinho, São Francisco, Letreiro, Maribondo, Burity, Bebedouro, hoje chamada Sobradinho, Dias ou Martins, Machados, Capim Branco, Salto, Tenda e Estiva que requereram registro, após a saída da lei a respeito, em 1850.
O proprietário da fazenda Bebedouro (que foi registrada como Bebedor), construiu o Porto do Fundão, único meio de comunicação do distrito de Uberabinha com a freguesia do Senhor Bom Jesus da Ventaria (que hoje é Araguari). O nome sugere uma instalação aprimorada, mas era apenas uma balsa constituída por alguns pranchões amarrados em cima de três a cinco pirogas.
O cronista transcreve trecho de artigo de Teixeira de Sant’Anna, mas não diz onde foi publicado. Diz apenas que foi em 1908. Teixeira de Sant’Anna foi o nosso quarto Agente Executivo. Dizia ele sobre portos e outros assuntos:
“O Porto em frente à Aldeia de Sant’Anna, aberto pelos ascendentes das famílias Pereiras e Carrijos, servia para suas relações para com aquelle logar. O Porto do Registro, que fica no fundo da fazenda da Rocinha, aberto pela… (ilegível)… Anhanguera, nas terras conhecidas por “Aldeianas”, o qual serviu e serve até para as relações dos moradores da Rocinha com a mesma povoação da Aldeia de Sant’Anna, cujas relações são mais íntimas para esse logar do que mesmo para Uberabinha. Quem morre na Rocinha é sepultado em Sant’Anna e tanto é certo que julgo não ter havido registro algum no cartório da cidade, vindo daquele logar; o que mais tarde difficultará uma certidão de obito. Dista da Rocinha para Sant’Anna, uma e meia léguas criadas. Aquelle canto do município tem sido desprezado dos poderes públicos, pois, nem cemitério para sepultar alli mesmo aos que morrem, nem tão pouco escolas para a educação da meninada. Portanto, seria de bom pensar dos senhores Fagundes municipaes, crearem alli um cemitério e com atestado de óbito, assim mais dotarem aquelles contribuintes dos cofres municipaes com uma boa escola, porque assim receberiam as bênçãos daquele povo.”
È interessante destacar que o Triângulo Mineiro recebeu fortes influências culturais, comerciais e de costumes do estado de São Paulo, em razão do seu isolamento do resto do estado de Minas. Isolamento este determinado pelos rios que cercam a região, por isso, tantas balsas num distrito primitivo que precisava tanto de Senhor Bom Jesus da Ventaria e da Aldeia de Sant’Anna do rio das Velhas (Araguary e Indianópolis).
Só nos princípios da década de 1921, o Agente Executivo João Severiano Rodrigues da Cunha mandou construir a estrada do Pau Furado e a ponte sobre o rio Araguary. Um dia, quem sabe?, Uberlândia ainda vai saber que o seu grande prefeito foi esse Rodrigues da Cunha, baixinho e brabo. (Fonte: Jornal A Tibuna).