Ivan Santos – Jornalista

Lula, para ganhar a eleição, fez promessas generosas e muita gente que nele votou espera hoje por milagre. Não vai ter milagre. O Governo do Brasil enfrenta dificuldades em várias direções depois da pandemia e não vai ser fácil sair do buraco onde está metido.
Vamos pensar com simplicidade, mas com realismo sobre a situação do Brasil neste momento. O presidente Bolsonaro deixou um orçamento para este ano com mais de R$ 200 bilhões de déficit. Como disse Dilma Rousseff, um candidato a presidente “faz o diabo” para ganhar a eleição. Ela fez e ganhou. O Mito imitou Dilma, mas não ganhou. O Mito criou o Auxílio Brasil de R$ 600 para 22 milhões de brasileiros e deixou a conta para o sucessor pagar. Além disso o Mito cortou os tributos federais cobrados sobre combustíveis. Houve queda na arrecadação, mas não nas despesas. Ficou um buraco pra tapar.
Eleito, Lula foi obrigado a permitir que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recriasse os impostos sobre os combustíveis. Com medo da repercussão negativa o governo decidiu cobrar impostos só da gasolina e do diesel, assim mesmo com taxas menores. A previsão da arrecadação revelou-se insuficiente para fechar as contas. Por causa desta situação o governo decidiu criar um anacrônico imposto sobre exportação de petróleo bruto. Este tipo de tributação é considerado hoje uma aberração, mas o governo foi sincero: precisa arrecadar mais R$ 6,7 bilhões para fechar as contas. Este imposto, diz o governo, é provisório. Acredite quem quiser.
A situação do Brasil não é risonha nem franca. Técnicos do Governo disserem que é preciso fazer uma varredura no Programa Bolsa Família onde eles suspeitam que há mais de 8 milhões de beneficiários que não precisam do auxílio do Governo e estão na lista de recebedores. Essa situação aumenta o rombo no Orçamento da República.
O Brasil tem uma dívida pública maiúscula que hoje está em 6,7 trilhões. Os maiores credores são os bancos privados. Com uma taxa de juros de 13,75% ao mês essa dívida cresce como cogumelo no Verão. Isto explica a preocupação do presidente Lula com os juros. Também deveria preocupar os brasileiros.
Essa baita dívida pública interna em 2002, ano da primeira eleição de Lula, era de R$ 620 bilhões. Foi turbinada nos governos de Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro e hoje é impagável. Só falta o presidente declarar uma moratória e dizer: o governo só vai voltar a pagar juros da dívida interna daqui a 5 anos com prazo de liquidação em 30 anos. Pode fazer isto? Claro que pode. Lula vai fazer isto? Ninguém sabe se Lula tem apoio político pra isso. Porém, todos sabemos que um político encurralado pode fazer o diabo.