José C. Martelli – Advogado e professor- Espírito Santo do Pinhal – São Paulo

Eis a crônica que gostaria de ter escrito, até porque resume, com rara felicidade, o que tenho abordado, por anos e anos, em meus escritos desta longeva vida:

“Na base da doutrina do AMOR, que Jesus Cristo veio trazer ao mundo, está a FRATERNIDADE. O Evangelho (Boa Notícia) nos diz, em primeiro lugar, que Deus é PAI e que, em consequência, todos nós somos IRMÃOS. E, portanto, deveríamos viver como irmãos. Contudo, não é o que vemos acontecer no nosso planeta.
No próximo dia 25 de dezembro, celebraremos os 2014 anos do nascimento de Jesus Cristo e, no entanto, o que presenciamos no mundo é o crescimento da miséria, que provoca o aumento da violência que, por sua vez, produz as revoluções e as guerras.
As perguntas que povoam nosso pensamento são estas: a causa de tanta miséria é a falta de comida? É a falta de roupas? É a falta de habitações? É a falta de medicamentos? A resposta é simples: NÃO! A causa de tanta miséria é a falta de PARTILHA!
Uma minoria muito pequena da humanidade, que tem muito, quer ter cada vez mais; e a imensa maioria da população, por isso mesmo, tem cada vez menos! O grande motivo: não há CONSCIÊNCIA sólida de que somos todos IRMÃOS, filhos do mesmo PAI, que é Deus. E sem essa consciência sólida, não haverá PARTILHA.
A mensagem de Jesus, na cena da multiplicação dos pães, é muito clara. Quando os apóstolos lhe sugeriram mandar a multidão embora, pois já caia a noite, para que “se virassem” quanto à alimentação, a resposta do Mestre teve peso de eternidade: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Entretanto, no meio de tanta gente (mais de 5.000 pessoas), apenas um menino, que trazia consigo cinco pães e dois peixes, se dispôs a fazer a PARTILHA.
Dizem os exegetas que o milagre da multiplicação que Jesus realizou não foi o dos pães e dos peixes. Ele fez coisa muito mais difícil: multiplicou nos corações de centenas e centenas de pessoas, que traziam alimentos suficientes para dois ou três dias, escondidos nas dobras de seus mantos, o gesto fraterno daquele menino que ofereceu tudo que trazia, para a partilha. E sobraram doze cestos, com os restos dos alimentos, depois que todos se alimentaram!
Que grande lição!
Por isso é triste verificar que, depois de mais de 2.000 anos do nascimento de Jesus, de sua vigorosa mensagem, dos seus exemplos pessoais de conduta, dos seus milagres, de sua paixão e morte na cruz e, sobretudo, de sua Ressureição gloriosa, a Humanidade continue caminhando sem FRATERNIDADE e, portanto, sem vivenciar a partilha.
Ora, não havendo partilha não haverá IGUALDADE, não havendo igualdade, não haverá LIBERDADE; não havendo liberdade, não haverá PAZ, que é o maior anseio do ser humano sobre a terra!
Portanto, neste Natal, peçamos a Deus que dê à Humanidade, em especial aos ricos e poderosos, que mantém o poder político e econômico em todas as nações da Terra, o grande presente da CONSCIÊNCIA DA FRATERNIDADE, para que cada IRMÃO possa levar uma vida digna e, assim, se realize finalmente o pedido feito pelos anjos, naquela primeira Noite Santa: “Glória a Deus nas alturas e PAZ na terra aos homens de boa vontade!”