Antônio Pereira da Silva – Jornalista e escritor- Uberlândia -MG
Já tive a oportunidade de divulgar pela Imprensa alguns pioneirismos desta nossa terra pioneira. Como agora, neste início de 2020 (fevereiro), acabo de descobrir mais um, vou debulhar de novo o que já foi achado e o que estou achando agora.Em 1963, apresentando na avenida o enredo Xica da Silva, a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro montou uma ala de nobres que dançavam com passo marcado, o que era uma excrecência. O samba é improviso. Apesar do equívoco, a Escola foi reconhecida como a introdutora do passo marcado nos desfiles carnavalescos. Quando escrevi a História do Carnaval de Uberlândia, publicada em 2.007, fuçando nos arquivos dos jornais encontrei no “O Triângulo” de 10 de março de 1957, um artigo do Gastão Batinga, criticando o desfile das nossas escolas de samba. Um dos erros relacionados foi a dança com passos de balé, ou seja, marcados. Seis anos antes da pioneira. Pioneiros fomos nós.O dr. Longino Teixeira, médico, membro de família tradicional da qual fizeram parte cidadãos destacados como José Teixeira de Sant’Anna, Ladário Teixeira, Lauro e Lucília, escreveu uma monografia familiar contando o pitoresco casamento de seu pai. Consegui uma cópia e divulguei por artigos em vários meios, que o casamento de José Teixeira de Sant’Anna e d. Francisca Augusta da Fonseca foi o primeiro casamento civil realizado no Brasil. O casamento civil foi instituído no dia 24 de janeiro de 1.890 e entrou em vigor no dia 24 de maio do mesmo ano. Ora, o José Teixeira e a dona Chiquinha se casaram, com certidão de Cartório e tudo, no dia 14 de janeiro. Dez dias antes da sua instituição legal e meses antes de entrar em vigor.O grande líder negro, Abdias do Nascimento, no livro “O Quilombismo” (1980), diz que ele criou em 1944, o primeiro teatro de negros no país, o TEN (Teatro Experimental do Negro). Mexendo na coleção do jornal O Lábaro, de Monte Alegre, década de 1931, encontrei notícia da apresentação de um grupo teatral de negros de Uberlândia, o Centro Negro Theatral. Procurei nos jornais daqui e encontrei várias notícias sobre ele. O diretor era o Chico Pinto, irmão do Grande Otelo. Anotei essas informações e publiquei artigos no Correio de Uberlândia sobre esse pioneirismo. Posteriormente, o Correio de Uberlândia publicou nota creditando a outro autor esta descoberta. Engano, o outro autor foi buscar em artigos meus anteriores essa informação. Faltou citar a origem.Lendo um livro sobre o transporte no Brasil, onde o autor, Stiel, informa que as primeiras estradas de rodagem no país, para veículos automotivos, foram a estrada do Vergueiro (São Paulo a Santos) e a União e Indústria (do Rio a Minas Gerais), ambas adaptadas em 1913 para automóveis, descobri que a primeira estrada não foi nenhuma dessas duas, foi a do Fernando Vilela, de Uberabinha a Monte Alegre, Tupacigurara, Ituiutaba e Alvorada, cujo primeiro trecho, Uberlândia a Monte Alegre foi inaugurado em 1912. Sobre isso publiquei recentemente o livro AS ESTRADAS PIONEIRAS DO BRASIL.Por fim encontro notícia no jornal Paranahyba, de 1914, que a Lei municipal n. 169, estabelecia oito horas de serviço por dia para os operários da zona urbana. Projeto do vereador Júlio Alvarenga, maçom. Após a sanção, os operários foram até a sua casa em passeata para agradece-lo. Ora, essa regulamentação só foi estabelecida pelo Getúlio Vargas em 1932. O Getúlio atrasou 18 anos, por aqui, já era assim. Só não acredito que tenham cumprido essa lei…Há outros casos.