José C. Martelli – Advogado e professor – Espírito Santo do Pinhal – SP

JÁ VI ESSE FILME ANTES ou O BURACO É MAIS EMBAIXO
Pelo respeito que tenho por pessoas com as quais tenho laços de sangue e/ou amizade é que resolvi fazer este depoimento e lhes enviar. Em determinadas épocas da minha vida, fui levado pela opinião da maioria, porém mais tarde descobri que não era a opinião da maioria e sim daqueles que tinham voz, voz essa que repercutia incessantemente na mídia escrita, falada ou televisiva. E olhe que naquele tempo não existiam, ainda, as redes sociais. Mas era quase sempre a voz dos melhor postos na vida e nunca a voz dos pobres e miseráveis que, em épocas passadas, infelizmente, eram mais da metade da população brasileira. Pessoas que não tinham comida para lhes matar a fome, quanto mais voz. Então, apenas para dar minha colaboração de quem já viu e viveu, por mais de uma vez, o mesmo filme, vou mostrar o meu depoimento com a apresentação de fatos que, no mais das vezes passam despercebidos ou, pior que isso, são escamoteados por uma mídia nem sempre isenta, sobre o momento atual pelo qual passa o Brasil e, portanto, passamos todos nós, excetuados, obviamente, os bem de vida que, direta ou indiretamente, legal ou criminosamente, mamam, como sempre mamaram, nas tetas de nossos governos. Mas pior do que esses, são outros que querem vender nossas riquezas, quando não dá-las de mão beijada a países estrangeiros pelos quais foram comprados.( notem por favor que não são observações feitas nesta data – 08 de abril de 2020)
Pois é. Se perceberam, o título deste depoimento mostra que este que vos escreve já viu, e mais que viu, viveu situações bem semelhantes às atuais. Infelizmente, em muitas delas estive do lado errado. Precisei viver mais de 80 anos para perceber, se me permitem o linguajar chulo, que “o buraco é mais embaixo”. Não é a corrupção que existe, infelizmente, desde a descoberta do Brasil, embora nem sempre tenha sido tratada como tal e, como tal, penalizado corruptos e malfeitores. Não é também este ou aquele partido político, este ou aquele político, este ou aquele administrador.
Pois bem, estava eu nesta data, 27 de junho de 2021, transcrevendo as linhas anteriores quando me deparei com a reportagem a seguir, que corrobora fortemente com tudo que venho escrevendo há muito tempo, motivo pelo qual a insiro aqui:
“Conspiração internacional para derrubar o PT começou em 2012”, diz Guido Mantega
Ex-ministro da Fazenda avaliou que o golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, foi resultado de um processo que teve início em 2012, quando o lucro dos bancos brasileiros foi reduzido por conta de políticas de incentivo aos bancos públicos.
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista à TV 247, avaliou que a derrubada do PT do poder em 2016, através do golpe contra Dilma Rousseff, foi resultado das políticas dos governos petistas que levaram à redução das margens de lucro do grande capital, nacional e internacional.

“Em 2011, começamos a interferir na entrada de capital volátil. Taxamos o mercado de derivativos, que é onde a coisa pega, onde se tem um conjunto grande de investimentos. Então, os capitais que vinham aqui, com a vida fácil, ganhar todo esse lucro, passaram a não ter mais esse lucro. Compramos uma briga com cachorro grande, com os grandes fundos internacionais e o capital financeiro internacional”, disse Mantega.
A conspiração pela derrubada de Dilma, segundo o ex-ministro, teve início quando os bancos públicos passaram a ganhar competitividade em relação aos bancos privados, cujos lucros caíram. “Depois, em 2012-2013, começamos a atacar o spread dos bancos. Liberamos os bancos públicos para colocar mais crédito na economia com juros menores, fazendo concorrência. Os bancos privados baixaram o spread a contragosto. Fizemos inclusive uma campanha contra as tarifas dos bancos, que eram enormes no Brasil”, lembrou.
“Isso trouxe popularidade para Dilma. Ela estava melhor avaliada até que Lula, a não ser o primeiro período. Agora, isso nos custou uma luta política que nos desgastou. Começou a ter matérias na The Economist e no Financial Times criticando a nossa gestão, dizendo que estávamos intervindo. Eles estavam respondendo aos interesses do grande capital internacional. E os bancos locais também ficaram possessos com as nossas atividades, porque foi a primeira vez que o lucro deles começou a cair. Os bancos brasileiros tinham lucros maiores até que os bancos americanos, proporcionalmente”.
A conspiração foi bem-sucedida, de forma que em junho de 2013 campanhas antipetistas financiadas por grupos estrangeiros já começavam a se espalhar pela internet. “Então, essa festa meio que acabou. Derrubamos isso. É claro que os bancos são importantes. O financiamento é importantíssimo, sem ele a produção e o consumo não sobrevivem. Mas foi aí que começou o nosso desgaste. A partir de 2012, se inicia uma conspiração internacional para nos derrubar, porque estávamos pisando nos calos. Em 2013, já se tinha uma campanha na internet. Não percebemos o poder que a internet já tinha naquela época, com grupos americanos financiando aqui no Brasil os grupos de direita. Em junho de 2013, após as manifestações, a popularidade da Dilma caiu 30%”, completou Guido Mantega.
(continuaremos)