O grupo de futuros ministros da República e anunciado que foi pelo futuro presidente da república, em sua maioria composto por pessoas que não excitam na população uma esperança ao menos razoável de eficiência administrativa/operacional, pode ser entendido como a um amontoado de compatriotas bem intencionados e – alguns deles – originados de meios onde antes afirmavam-se regularmente, porém sem mostrarem resultados expressivos e ao ponto de abonarem suas respectivas indicações a tão honorável cargo, salvo algumas poucas exceções. Mas o bom é termos consciência de que ministros empossados não têm liberdade para fazer o que pensam, quando desejarem, da maneira que acharem conveniente e o que, caso contrário, seria extremamente desastroso, frustrante….; ao contrário de proporcionarem segurança em suas ações e decisões, seriam fonte de graves desventuras. Ter padrões de comportamento disciplinado, evitar declarações comprometedoras junto à imprensa, auto controle e particularmente em tudo aquilo que envolva assuntos políticos é, sim, um procedimento a ser adotado por qualquer ministro que deseje segurar-se no cargo, além de agradar os partidos políticos que o abraçam e propiciar um reconhecimento favorável a partir do chefe do Executivo nacional sem, no entanto, descer ao nível de baba-ovos ; o resto é com os seus assessores ou seja: trabalho!
Ricos de fascínio pelo cargo que passarão a ocupar, os novos ministros e principalmente aqueles que serão investidos de tal cargo pela primeira vez, certamente serão guiados, monitorados e até conscientemente manipulados por antigos e experientes funcionários de carreira, servidores públicos concursados e tarimbados e que interpretarão para aqueles a melhor maneira de agir e o que falar em determinados locais e circunstâncias, como deverão se vestir e se comportar e quem devem ou não cumprimentar de maneira efusiva ou reservada, até mesmo para evitar-se constrangimentos, mal-entendidos e prolongados debates e discussões a respeito de determinados assuntos. Ser ministro, imagino, não se trata de tarefa complexa e desde que, é claro, sejam atendidas as demandas de políticos que atuam no Congresso Nacional que, seguramente, poderão derrubá-lo – literalmente – e desde que o sintam combalido, inseguro em suas palavras e ações, desacreditado e desgastado perante a imprensa e a opinião pública. Mas o lado bom de estar ministro é, sem dúvida, viajar por todo o Brasil e (quiça) por diversos países, hospedar-se nos melhores hotéis, comer e beber do melhor, ter prestígio, ganhar presentes e brindes, conhecer de perto os seus ídolos e ocupar pomposos gabinetes, com direito a mordomias e gratificações diversas; enfim, uma tarefa extasiante, ditosa, deslumbrante, enquanto subordinando -se apenas ao presidente da república e a um caprichoso cerimonial de boas condutas….! Enfim, o “trabalho” de um ministro desejoso de segurar-se no cargo é baseado principalmente na obediência incondicional ao chefe, aos seus desejos e caprichos e a tudo o mais que dele derive, enquanto sempre munido de razões que justifiquem as suas ações, desde que sejam para o agrado da base parlamentar que sustenta o seu mentor e senhor. Estar ministro exige, sim, força (de ânimo) e humildade se quiser ser reconhecido e celebrado pelo chefe, ter uma equipe que saiba defende-lo ou exaltá-lo perante a imprensa e assumir os riscos que possam causar rachas nas estruturas dos partidos que apoiaram a sua indicação e, ocasionalmente, assumir funções executivas. Concluindo, uma tarefa prá lá de estafante mas meritória de louvores. Parabéns a todos os nossos novos e modelares ministros! Quanto à sra. Tebet sugiro-lhe um pouco mais de humildade e aceitação em vista de não vir a ocupar o gabinete desejado; a sra. Marina Silva, sim, tem o traquejo ideal para o almejado cargo no ministério do Meio Ambiente, conhecedora que é de processos e fenômenos geofísicos e ecológicos de indiscutível complexidade pelos quais trafega com tranquilidade e desenvoltura, além de estar devidamente preparada para –solenemente- representar-nos perante um mundo que anseia pela preservação da selva amazônica.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia(MG)