Ivan Santos – Jornalista
O Orçamento Secreto derrubado pelo Supremo Tribunal Federal foi um esquema de uso de dinheiro público para comprar apoio no Congresso. Foi o outro nome do Mensalão de triste memória, também conhecido como Emendas do Relator. O governo federal passou muitos bilhões de recursos públicos para comprar apoio na Câmara e no Senado e o dinheiro foi usado por parlamentares que não precisaram prestar conta do que receberam. Uma vergonha nacional.
Em março de 2019, primeiro ano da administração do Capitão Mito Bolsonaro, o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PSDB-RJ) revelou que havia um problema no Legislativo Nacional que acabaria por se tornar em um grande problema para o governo do Mito. As dificuldades apareceram na tramitação do projeto da reforma da Previdência. O chefe do Executivo precisou liberar bondades e bombons coloridos para aprovar a reforma.
O Capitão começou o governo vendendo uma imagem de executivo independente que iria governar soberanamente. Depois, fustigado por várias ameaças de impeachment precisou contar com apoio no Congresso para manter-se no cargo e acabou vendendo a alma ao diabo. Esse processo maluco resultou no Orçamento Secreto, um dos esquemas de corrupção entre os mais sofisticados que já houve na da República do Brasil.
Os últimos anos do governo do Mito foram comandados pelo Centrão – grupo de partidos oportunistas – que cultiva a política conhecida como “toma lá, dá cá”. O Centrão continua organizado e já mostrou as garras a Lula para aprovar a PEC da Transição. Os deputados orientados pelo Centrão aprovaram a PEC com validade de apenas um ano. Para 2024 Lula terá que negociar de novo com o Legislativo a continuidade do Programa Assistencialista Bolsa Família. Para aprovar vai ter que dar bondades ao Centrão. É oito ou oitenta.