Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia – MG

Todos nós sabemos que existem empresas especializadas em fazer monitoramento das redes sociais, com finalidades econômicas. O intento é descobrir, através do que as pessoas expõem nos comentários, compartilhamentos, likes, suas preferências, modo de vida e comportamento, quais são os concorrentes na vida comercial, o que estão fazendo, o que pode ser mudado ou melhorado para atender ao impulso consumista, gerenciamento de crises, etc. Quero dizer: invadem nossas vidas e das empresas para impulsionar seus negócios.

Bem para nosso espanto, mesmo sabendo que estamos tendo a nossa privacidade cada vez mais invadida, o TSE contratou a empresa Partners Comunicação Integrada para que seja feito monitoramento das redes sociais. O acordo foi firmado em Setembro, conforme Diário Oficial da União, pela bagatela de 250.000,00. Pelo visto, dinheiro só falta no bolso do povo…

Uma dos objetivos deste contrato é que a empresa contratada “faça o monitoramento online e em tempo real da presença digital do TSE e de temas de interesse da justiça Eleitoral em redes sociais e entregar alertas em tempo real por app, e-mails, SMS ou WhatsApp e relatórios analíticos sobre ação estratégica para atuação nas redes sociais.”

Não quero nem pensar no motivo e consequências de mais este passo da Justiça eleitoral. Cada um que tire suas próprias conclusões. Só me resta perguntar como Percival Puggina: Não é antidemocrático soltar cães farejadores no espaço digital?

Mudando de assunto, nas nem tanto, parece que não importa apenas derrotar o presidente, mas também jogá-lo no limbo do ostracismo, assim como seu vice. E também políticos fieis a Bolsonaro e que tiveram votação expressiva no último pleito. O PT peticiona ao TSE (desejoso de governar sozinho, sem conflitos), para que sejam considerados cassados e inelegíveis o presidente Bolsonaro, seu vice (por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação). Também os políticos Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer, Magno malta, Nicolas Ferreira, Karla Zambelli, Bia Kicis. São todos deputados federais e senadores apoiadores do presidente, com grande alcance nas redes sociais e poder de mobilização. Os pedidos do PT caíram nas mãos do Ministro Sebastião Gonçalves, aquele do enigmático “missão dada, missão cumprida”…

Vamos assistir com atenção mais estes acontecimentos e verificar o papel do Congresso nacional frente a tal situação. Estas pessoas foram votadas maciçamente pelo povo, são representantes de uma grande parcela da população. Não podem ser afastadas simplesmente pela vontade antidemocrática de um partido que carrega pecados mortais nas costas, tem medo da oposição e considera mais fácil governar sozinho… Ora, mandam ás favas todos os dias esta tal democracia e falam todos os dias que estão defendendo esta tal democracia…