Já me disseram que sou daqueles cidadãos que, em termos de política, ficam em cima do muro, não tomam partido, são neutros, indecisos, etc…etc…! Sou mesmo, mas somente quando penso ser absolutamente inútil ficar dando murros em ponta-de-faca, ficar teimando em relação a algo que imagino não dará certo, que não trará resultados satisfatórios ou quando sinto que alguns agentes daquela ciência poderiam estar correspondendo melhor às expectativas dos eleitores. Penso, por exemplo, que não deve haver oposição ardorosa e veemente entre “lulistas” e “bolsonaristas” mas, ao contrário (e excetuando-se alguns exaltados partidários), um enriquecimento de idéias e debates recíprocos e complementares; entre políticos pode-se ter uma relação de estímulo em prol do nosso país a partir de idéias e visões diferentes, sim, por meio de uma vocação bem assumida e inflada de amor pelo nosso país, entre eles mesmos, por todos ou ao menos pela maioria dos brasileiros responsáveis. Tanto Lula quanto Bolsonaro não desconhecem os problemas vivenciados pelo Brasil e – inúmeras vezes – ambos já foram convocados pelas suas respectivas consciências para aprofundarem-se nessa seara, em campanhas ou já empossados; eles têm um respeitável conhecimento das nossas necessidades sociais pois, quando eleitos, tornaram-se “homens para os outros”, sim. Ora! Um presidente da nossa república é um homem que deve servir a mais de duzentos milhões de compatriotas; deve ter um grande potencial de solidariedade e malícia em meio a políticos impregnados de egoísmo e nunca faltar-lhe os requisitos básicos para estar a serviço do povo. Lula, muito em breve e a partir da sua “rentrée” na chefia do poder executivo da nação tupiniquim, deverá trazer com ele a responsabilidade de ser o porta-bandeira da esperança para dezenas de milhões de pessoas e principalmente para os menos favorecidos ( os quais acreditam na prática da justiça social no tocante às suas necessidades básicas), de maneira a solidarizar-se com todos os brasileiros que perderam a sua crença em um país onde possam viver condignamente e onde, ainda, muitos sentem-se impedidos de integrar uma sociedade justa e produtiva, pois muitas vezes se enxergam marginalizados pelo preconceito de quem poderia estender-lhes as mãos e deixá-los de pé, saudáveis e felizes. Já assumi publicamente e inúmeras vezes que não votei em Lula para o cargo de presidente da república, mas imagino que a sua incontestável vitória não abafa a esperança de duas centenas de milhões de seus compatriotas em sua futura administração, enquanto investido das honoráveis funções de presidente da república. Considero, sim, válida, uma oportunidade para que ele prove ao Brasil e ao mundo que não será novamente uma pedra, um obstáculo, para a prática da democracia e em prol do nosso desenvolvimento, da nossa ordem, mesmo considerando-se a presença de alguns conhecidos inzoneiros em sua equipe e o que, desde já, deve deixar-nos alertas quanto aos seus manejamentos e jeitinhos, com a finalidade precípua de obterem vantagens discutíveis; lembrando apenas que vinte e um nomes chamados a comporem a equipe de transição foram investigados pela Operação Lava-Jato e sete deles foram alvos de acusações formais, sendo que alguns foram absolvidos e outros ainda estão com processos em andamento. Mais, muito mais que das outras vezes, quando se viu investido do cargo de presidente da república, Lula agora deve preparar-se para trabalhar muito responsavelmente em seu novo mandato, dentro das quatro linhas do campo da Constituição, longe das tentações, desde já exigir dos seus subordinados mais próximos um ritmo ideal de trabalho e lembrando sempre que a sua motivação última será sempre o bem-estar, a segurança e o desenvolvimento do povo brasileiro e, também, que a demagogia expressa em atos, palavras, sorrisos e discursos manipuladores deve ser reservada para dar espaço ao cultivo de uma disciplina pessoal, integrada a um trabalho progressivo, disciplinado e incessante. Bolsonaro apostou todas as suas fichas na propaganda que fazia em relação a guardar e defender valores ameaçados pelo socialismo e o hedonismo de nossos dias; perdeu! Mas o seu erro foi contestar, duvidar da legitimidade científica de uma vacina que poderia, muito provavelmente, ter salvado a vida de centenas de milhares de brasileiros, além de deixar que o seu lado religioso/fundamentalista, conservador, intransigente e intolerante invadisse setores da vida de uma sociedade majoritariamente vanguardista e cuja considerável parcela não admite ou tem restrições quanto a interferência de correntes religiosas em assuntos estatais. Depositei a minha confiança em um Bolsonaro bem intencionado, sim, ao dar a ele o meu voto em 2.018 e durante um bom tempo procurei, naquele presidente, as verdades que pudessem alimentar a sua inteligência e princípios que deveriam nortear o seu comportamento e garantir a aplicação das diretrizes para a realização de um bom governo; procurei, não encontrei, errei, errei sim, passou, passou. Avancemos! O mais importante, penso, já a partir do primeiro dia de um novo governo petista, é a união de todos os brasileiros, deixarmos de lado birras, revanchismos, ideologias políticas abastecidas pelo rancor e que certamente seriam um entrave ao nosso progresso, mirarmos em práticas que tornem constante a satisfação de milhões e milhões de conterrâneos que habitam todos os quadrantes deste país-continente mas, indubitavelmente, nunca deixarmos de estar sempre alertas e preparados para, ao menor sinal de uma nova onda de mediocridade de alguns que agora retomam o poder, agirmos com firmeza em defesa da nossa Constituição, da nossa pátria, da nossa gente e sempre dispostos e preparados para, investidos da nossa total devoção a este país, a qualquer momento soltarmos o nosso grito de alerta e enquanto sentinelas ante uma turma em sua maioria dubitável e que, portanto, inspira toda a nossa cautela. Cabe aqui o velho ditado: gato escaldado tem medo de água fria!
Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG