Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia – MG
Alguns parlamentares, acólitos de Lula, foram tomados de euforia com a eleição (sic) do ex e já começam a aprontar das suas… Antes, porém, de falar sobre estes parlamentares, convém falar sobre a China, pois parece que almejam com fervor que a China seja aqui, em matéria de democracia e liberdade. O próprio ex-presidente muitas vezes, em suas falas catastróficas, reportou-se àquele país como exemplo, considerando uma maravilha o fato de existir lá um só partido, obedecido por todos. Que vontade, heim Lula?
Lendo dia desses sobre a China e seu regime de governo comunista, fica muito claro que, naquela distante e misteriosa terra, o povo não avalia o governo. O contrário é verdadeiro: o governo avalia o povo. A ditadura chinesa, através de invasão maciça de privacidade, entre outras coisas, dá uma “nota social” a seus cidadãos. Baseado nesta nota, o cidadão pode ou não fazer uma série de coisas, a critério do partido. Viajar, por exemplo.
Pois bem, o senador Randolfe Rodrigues parece ser fã ardoroso do modo de viver adotado naquele país. Tenta, o ilustre, aprovar projeto de lei que cria o crime de “assédio psicológico”. Eu diria melhor, o projeto do “cala a boca”… Talvez tenha como motivação o fato de ter sofrido críticas e apupos por sua atuação questionável, por vezes bizarra, no Senado e no STF, com seus pedidos feitos à Suprema Corte. Por exemplo, o bloqueio de 08 empresários que opinavam no WhatsApp, em conversa privada sobre suas preferências políticas e até, por incrível que pareça, o pedido de prisão do presidente. O projeto do senador nada mais é que uma ferramenta para tentar impedir oposição aos planos de Lula e sua equipe. Aqueles que não estavam acostumados a conviver com ideias diferentes das suas, têm que suportar agora o peso de gente que aprendeu a pensar, falar e contradizer e já começam a querer reduzir o tamanho do desgaste. Acostumaram-se a conviver com a democracia à moda deles: democracia sem povo!
Outro senador, Renan Calheiros que, aliás, tem processos na justiça (13, 17, 21? Ninguém sabe…) aguardando julgamento, inventa uma PEC insidiosa (bem pior que a da Covid), que confere ao STF a competência exclusiva para julgar crimes contra o estado democrático de direito. Aquele mesmo STF que alardeia não ter tempo para julgar os processos que lá se amontoam. Leiam o projeto deste senhor e verão que, caso haja aprovação, ele institucionaliza a censura política no Brasil. Em suma: segue na contra mão do pensamento do cidadão brasileiro, aumentando os poderes do STF que, pelo tamanho atual, parece não caber mais no nosso país. Já conseguiu 31 assinaturas e lembro aqui: Renan Calheiros é apenas o autor da geringonça. Os parlamentares brasileiros serão responsabilizados, julgados e culpados por mais uma idiossincrasia, caso ela se concretize. O mais interessante é a inútil narrativa de que tudo é feito em nome da preservação da democracia. Renan Calheiros tem ainda um calhamaço de projetos a serem apresentados. Vamos, pois, aguardar mais um festival de besteiras que assola o país…
Ao invés dos ilustres senadores darem um tapinha na consciência, acordar a consciência e repensarem a sua infundada, ilógica e antidemocrática atuação em tão importante Casa, gastam precioso tempo inventando balelas, tornando cada vez mais difícil viver com segurança, paz e equilíbrio neste amado Brasil.
Só para completar o pacote: o Partido dos Trabalhadores apresentou um projeto de lei, que objetiva proibir o “uso político” dos símbolos nacionais, onipresentes nas manifestações “antidemocráticas”, apelando à intervenção do exército. Tenho curiosidade imensa em saber o que significa uso político e manifestações antidemocráticas, qual será a essência destes termos, quem decidirá o que?
Deus queira que estas coisas não passem de arroubos paranoicos na cabeça de alguns e que o Brasil, este país gigante e onde se encontra, ainda alegria de viver, não seja presa fácil de aventureiros que lancem mão da nossa liberdade.