Antônio Pereira da Silva – jornalista e escritor – Uberlândia – MG

Segundo alguns estudiosos, os primeiros habitantes destas terras foi uma horda tremembé que, descendo o rio Jaguaribe, chegou ao encontro do Jeticaí (Grande) com o Paranaíba. Daí subiu o Grande até encontrar-se com outra horda tremembé de onde, após violenta batalha, os perdedores desceram para o vale do Paraíba (Estado de São Paulo) e os vencedores permaneceram.
Os caiapós, deslocando-se das regiões do alto e do médio Araguaia, expulsaram os tremembés e estabeleceram-se na área, desde a margem esquerda do São Francisco. Constituíram enorme nação que dominava a região que envolvia partes de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Bahia, Goiás e Tocantins. Segundo alguns indigenistas, os caiapós vinham do cruzamento entre tupis e goiás. Eram indígenas pacíficos, de pouca cultura, desconhecendo rede e canoa. Bons caçadores. Violentos quando reagiam a provocações. Quando os primeiros bandeirantes tiveram contato com esses selvagens, estabeleceu-se um relacionamento tranquilo; entretanto, caçados e submetidos à escravidão, tornaram-se vingativos e foram grande empecilho para a civilização do Brasil Central. Entre 1722 e 1780, os caiapós desencadearam verdadeira guerra contra os brancos atacando sem piedade fazendeiros estabelecidos, bandeiras e caravanas que se aventuravam por sua região. Preocupada e sem meios, a Câmara de Vila Boa (Goiás) pediu apoio à de Cuiabá que lhe enviou o coronel Antônio Pires de Campos com seu exército de indígenas pacificados e subordinados a ele. Nesse batalhão de selvagens havia parecis, carajás, javaés e tapirapés, sendo o maior contingente de bororos. Pires de Campos desbaratou os caiapós.
Recompostas suas tribos, os caiapós voltaram a incomodar habitantes e viajantes da região. O governador paulista, d. Luiz de Mascarenhas, enviou o mesmo coronel Pires de Campos autorizado a exterminar os insubordinados. Atingido o intento com grande ferocidade, Pires de Campos instalou 18 aldeias com seus indígenas ao longo da estrada que ia de São Paulo a Goiás, no trecho entre os rios Grande e Paranaíba. O objetivo era impedir o retorno dos caiapós remanescentes e promover uma certa tranquilidade aos viajantes. Dessas 18 aldeias, algumas são particularmente interessantes para nós: a de Sant’Anna do Rio das Velhas (Indianópolis), a do Uberaba legítimo (Uberabinha – o rio e não a cidade), a do Uberaba falso (Uberaba – também o rio apenas), a da Rocinha (Tapuirama) e a do Rio das Pedras (Cascalho Rico). As mais importantes dessas aldeias foram as do Rio das Pedras e de Sant’Anna que se desenvolveram e se transformaram nas cidades de Cascalho Rico e Indianópolis. A Aldeia de Sant’Anna guardou uma certa pureza que surpreendeu o naturalista francês Saint’Hilaire que, ao passar por lá, nos princípios do século XIX, encontrou, além das línguas naturais do centro, uma linguagem estranha entre seus moradores, parecida com a língua tupi, também chamada de geral, típica dos indígenas litorâneos. Existe uma teoria, ainda não suficientemente comprovada, de que um padre de nome Caturra, depois de ter ajuntado em comunidade, entre os rios Misericórdia e Quebra Anzol, vários escravos fugidos, formando o mais famoso quilombo mineiro, o do Tengo-Tengo, desceu, de canoa pelo Quebra Anzol, com diversos indígenas que haviam chegado do sul do país em sua companhia, até chegar ao rio das Velhas (Araguari), à margem do qual encontrou uma aldeia onde permaneceu algum tempo com aqueles companheiros. Ali, edificaram casas em que se acomodaram todos enquanto ele, o padre Caturra, seguiu embrenhando-se pelos sertões no rumo de Mato Grosso.
Há também informações inseguras de que os jesuítas das Missões no Guaíra, sentindo-se encurralados pelo bandeirante Antônio Raposo, lá por 1630, que queria escravizar os tupis que se encontravam nas reduções, fundaram, distante daquele núcleo, outras comunidades para onde transferiram os indígenas que escaparam da preação. Eles teriam subido pelo Paraná e Paranaíba até chegar à região do rio das Velhas (Araguari).
Em termos de Uberabinha, é interessante revelar que os japoneses que estiveram algum tempo na região da Martinésia, nas primeiras décadas deste século, encontraram muitos caboclos, mistura de índio com branco, indolentes e gentis. Também é de se destacar que os primeiros italianos que se instalaram na região do Sobradinho, mais especificamente no Quilombo, encontraram diversos utensílios de barro, na superfície da terra, quando realizavam as primeiras arações de suas terras. Infelizmente ninguém guardou peça alguma. Encontraram também muitos indígenas morando nas terras que compraram tendo sido obrigados a usar a força policial para deslocá-los.

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