Uma verificação interessante se impõe aos brasileiros: o que os magos do Planalto Central deverão acrescentar ao fervilhante caldeirão de tramóias e maracutaias políticas, para tornarem morais e legais os famigerados e discutidos Orçamento Secreto e o Furo do Teto e, ainda, deixarem marcas indeléveis sobre aquelas suas abomináveis arrumações; ações aquelas que suscitam perplexidade entre a maioria da população, mas que logo poderão se dissipar caso vigorosas e pró-ativas ações deixem de ocorrer ou se dispersem em meio às comemorações populares pela aguardada conquista do hexa na Copa do Qatar. São, aqueles, dois assuntos que movem o interesse dos futuros legisladores e do chefe do poder executivo nacional, principalmente por contemplarem promessas de campanha e por isso constituírem particulares vitórias dos então candidatos e em breve diplomados e empossados representantes populares em seus respectivos cargos na casa do povo. O grande dilema para todos aqueles que estarão em “conclave” no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, é encontrar as varinhas de condão e a cartola com as quais o exercício de ações naquele sentido seja criado, executado e venha a satisfazer todos aqueles que (ainda) não se sentem saciados em sua esperança de abocanhar o seu bom bocado na partilha dos cargos prometidos por Lula e os seus fiéis asseclas. O clima que envolve o CCBB e dele se fartam de esperança e desejo os políticos e neo-políticos ali em regime de festivo mutirão, faz parte de um panorama que mais assemelha-se a preparativos para uma festa de gala, sem qualquer continência, contingência ou sequer alguma mínima incompatibilidade entre todos que se beneficiarão a partir da derrama originada de cofres públicos do reino tunipiniquim. Mudanças, reformulações, adaptações, introduções, ataques, defesas, discursos, tapinhas nas costas e (principalmente) conversas ao “pé da orelha” , seguidos de generosas doses de “uísque-12 anos” ou cafezinhos acompanhados de saborosos quitutes, além da garantia de faustas refeições e hospedagem nos melhores hotéis e restaurantes às margens do Lago Paranoá, deverão emoldurar o que ali está sendo elencado por conselheiros diversos. A fascinação exercida pelo poder, entre a maioria daqueles que formam as ditas comissões de trabalho, em discussões de assuntos diversos e da mais alta relevância para o destino da nossa amada pátria, parece levá-los a assumirem uma postura de semi-deuses e concebida a partir do momento que foram indicados para compor alguma frente de árduas labutas em justificáveis e patrióticos afazeres; tudo, claro, dentro do campo da racionalidade ( política, obviamente) e nunca esquecendo-se da perspectiva funcional de tão sacrificante trabalho de ajustamento das contas tupiniquins. Diante do exposto deixo frisado que o circo armado no interior do Centro Cultural Banco do Brasil é, antes do mais, enfatuado; algo também de uma dimensão nunca antes registrada em momentos anteriores e de caráter similar, que pouco assemelha-se a uma força-tarefa de trabalhadores ( ou representantes desses) reunida para traçar condições de acesso a metas governamentais, pré-fixadas nos momentos de grande emoção e desespero na busca de votos pelo assento no trono do Palácio do Planalto. Espero, sinceramente, que sobre ao menos um tempinho àquela turma, para que a mesma se inteire e reconheça as necessidades básicas e urgentes da população tupiniquim e os engajados nessa sacrificante força-tarefa não se tornem insensíveis às angústias e dificuldades de mais de cem milhões de brasileiros que votaram na esperança e enquanto piamente acreditando na construção de um Brasil um pouco mais justo, humano, inspirador, enérgico e capaz de tornar realidade a maioria dos seus mais humildes desejos.

Gustavo Hoffay
Agente Social