Platão, o filósofo grego, afirmava que o riso é sinal de nobreza de ânimo e racional o fato de alguém jamais deixar-se sobrepujar pelo riso, o que -por conseqüência- não deve ser bem vistos pelo povo aqueles que deixam-se levar pelo riso. Assumo, de público, ser um daqueles que nunca, nunquinha, deixou-se impressionar-se e ser levado ( ou arrastado) pelo riso de alguém. Resumindo, não ponho muita fé em quem ri demais e por quase nada. Há sim, sabemos, grandes figuras públicas que fazem dos seus risos a sua marca registrada e o que, aliás, em muitos casos, não se trata de hábito mas – sim – uma espécie de distintivo para tentarem aliciar enquanto visando a conquista da simpatia de terceiros; e ria quem quiser do que quiser ou puder, achando graça ou não…, tô nem aí! Já testemunhei pessoas rindo à beira de caixão com defunto dentro, em pleno velório; por vezes presenciei altas gargalhadas quando o momento solicitava seriedade; eram , eu imaginava, pessoas insensatas parecendo estar com o coração em festa diante do luto ou da desgraça de terceiros….enfim, um acinte! Raríssimos foram os momentos que, durante a minha vida adulta, alguém assistiu eu soltar gargalhadas em ocasiões propícias para tal ou simplesmente sorrir ao presenciar ou tomar conhecimento por terceiros de algo que pudesse ser qualificado como “engraçado”. O riso vazio e sem sentido não sabe, não reconhece a legitimidade da graça! Em minha casa, juro, causo estranheza aos meus familiares quando sorrio em função de algo e muito embora eu nunca tenha censurado o riso, quando da possibilidade de alguém ter que manter-se sério em determinada ocasião ( da mesma forma que não critico quem fume e ingira álcool, dado ao fato de eu não beber e fumar). Alegro-me e sorrio – evidentemente – quando testemunho o alívio de alguém ou o reerguer de corações abatidos, além de exprimir uma imensa e sorridente satisfação quando revejo amigos ou parentes desde muito ausentes. E digo tudo isso com a satisfação de quem pode rir e embora ciente de não ser necessário rir ou sorrir para ser considerado um homem normal; sim, porque ser alegre não é necessariamente ser sorridente, mas sentir-se bem consigo mesmo ou em ocasiões que são realmente motivos de graça e de alegria. Até recentemente o Brasil e o mundo assistiram o nosso atual presidente soltar altas gargalhadas durante alguns eventos, enquanto assistindo impressionados o abuso do riso frívolo do mesmo em ocasiões que exigiam seriedade. Ora, francamente….Risos vazios e deletérios de terceiros sequer causam-me cócegas, mas a alegria e a satisfação pessoal e de outros são motivos que levam-me a sorrisos sinceros e ao ponto de superar climas de desalento. Sou racional; ao menos penso que sou, mas não sorrio para agradar ou sequer solto gargalhadas para causar impressões; e se imaginam que sou desagradável, sisudo e de difícil convivência, então na opinião de muitos eu não sirvo para ser político! Que bom, pois prefiro ser original!
Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia – MG
Parabéns, caro Gustavo!
Excelente Artigo!
Abraço.