Sempre deixei claro o motivo pelo qual, nas eleições de 2022, não votaria no ex-presidente Lula, agora eleito para o mandato de 2023 a 2026. Contudo, nem sempre foi assim, considerando que votei no candidato em questão nas duas eleições presidenciais para os mandatos de 2003 a 2006 e de 2007 a 2010. É um fato que poucos têm a coragem de admitir.

Acreditei que o Lula pudesse corrigir e evidenciar a capacidade de enxergar valores morais e políticos diante dos problemas óbvios com as desigualdades sociais. Em meu entendimento, quem não consegue ser um administrador justo, não pode fazer um bom gerenciamento público.

Assim, mantive-me, até então, firme no propósito de que a esquerda no Brasil não tinha vinculação ideológica com o socialismo e comunismo. Isso porque acreditava que esse segmento político defendia, principalmente, as classes sociais menos favorecidas e trabalhadoras da sociedade; ou seja, aquelas que necessitavam de mais atenção e serviços públicos. Nada além disso.

Ocorre que o Partido dos Trabalhadores (PT) representa a maior parte da esquerda brasileira, além de possuir um histórico de envolvimento de vários de seus membros em atos de corrupção incontestáveis e que trouxeram grandes prejuízos ao país. Além disso, estendeu-se por outros caminhos, tornando-se também conhecido como um partido político que apoia sistemas de reformas de características socialistas e comunistas, especialmente com vínculos com países da América do Sul, em meio aos quais existem vários indivíduos que defendem o radicalismo social ideológico em seus movimentos. Isso é um fato.

Obviamente, não é novidade para quem realmente tem interesse em aprender ou ter conhecimento sobre os fatos: a origem do termo “esquerda”, como posicionamento político-ideológico, surgiu durante as Assembleias Constituintes francesas do século XVIII, onde a premissa é inegavelmente verdadeira. Havia, dessa maneira, a separação entre os grupos elitizados, poderosos e conservadores, que se sentavam do lado direito e não gostavam da participação dos grupos populares. Do outro lado, as pessoas que pertenciam às classes mais humildes, trabalhadoras e que eram adeptas às mudanças sociais que poderiam trazer benefícios, ficavam do lado esquerdo da sala. Nesse contexto, não havia dúvidas de qual lado ficaria esse último grupo que representa a parte da camada social mais pobre.

É evidente que os tempos de outrora, em relação às extremadas conceituais de esquerda e direita, não se fundem com o cotidiano globalizado, pois a realidade trouxe uma diferenciação tênue entre os posicionamentos ideológicos da política.

Entretanto, é importante reconhecer que atualmente o Brasil passa por crise de identidade e instabilidade política. Precisamos saber qual é a situação em que se encontra o cenário político, conhecendo “quem defende o que”, sem, contudo, deixarmos de avaliar os direitos maiores, como a liberdade de expressão, direito de ir e vir, e todas as outras matérias que tenham a igual proteção contra qualquer discriminação capaz de violar o direito de igualdade e contra qualquer incitação à quebra desses direitos fundamentais.

O princípio da igualdade define que todos são iguais perante a lei. Isso significa que o Estado deve tratar todos os cidadãos de maneira igualitária, sem discriminação de qualquer natureza. A CF-88, em seu Art. 5.º, prevê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Nesse sentido, percebe-se que o Brasil vivencia os reflexos de uma discordância, onde há contestações por parte da sociedade quanto à lisura do processo eleitoral, especialmente se ele ocorreu de forma transparente e se o candidato Lula venceu de forma democrática ou não. O que realmente está sendo contestado? A eleição foi democrática ou as condenações do ex-presidente Lula (hoje não mais existentes) são o problema?

Ainda dando asas à imaginação sobre a possibilidade de fraude nas urnas, quais são as provas incontestáveis da fraude? Essa situação que tem levado inúmeros brasileiros às ruas e portas dos Quartéis requer respostas urgentes por parte do presidente Bolsonaro.

O momento é delicado e exige muita reflexão. Considerando que algo grave pode acontecer, acredito veementemente que nada se concretizou, ainda, porque existe o receio de que – havendo alguma atitude radical e que contradiga o processo democrático perante o mundo, por parte das forças Armadas e/ou do presidente Bolsonaro – o Brasil sofra perdas irreparáveis, pois o país ficaria totalmente isolado da comunidade internacional e sofreria sanções que custariam o futuro do Brasil por décadas.

Nesse contexto, algumas respostas precisam ser dadas: por que as forças armadas fiscalizaram somente pouco mais de 300 urnas enquanto o TCU fiscalizou mais de 3 mil? Há possibilidade de comprovar fraude? Se sim, como?

Por isso, vejo duas saídas para as questões relacionadas à transparência do processo eleitoral: ou o presidente Bolsonaro – que já tem o seu lugar ao sol garantido pelo partido do PL, com escritório belíssimo e confortável e com um salário astronômico – assuma a derrota diante da nação brasileira ou prove que ocorreram fraudes. Das duas, uma. O que não pode continuar, com o devido respeito às posições divergentes, é essa situação da forma como está.

Autor: *Diógenes Pereira da Silva*
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