Não votei em Lula e mesmo considerando o fato de já ter sido politicamente beneficiado por antigas administrações petistas tanto a nível municipal quanto estadual. Não votei em Lula por diversas razões e entre elas por julgá-lo excessivamente desgastado pelo seu passado recente, muito embora continue conservando grande vigor político e paixão pela sua cria, a estrela vermelha e solitária que adotou há pouco mais de quarenta anos e junto com ela toda uma gama de idéias que vem desenvolvendo e adaptando à realidade do nosso país e do seu povo, o que contribui para mantê-lo sentimentalmente conectado às aspirações populares e convicto de sair-se vitorioso quando de suas contínuas candidaturas ao cargo de “salvador da pátria”. Não, eu não dei o meu voto a Lula, embora ele me parecesse não ser daqueles políticos que cedem ao cansaço e às artimanhas, traições e defecções, infidelidade e conspirações políticas que antes chegaram mesmo a defini-lo como a uma pessoa completamente despreparada para novamente vir a ocupar o honroso cargo de presidente da república e por conseqüência o de comandante em chefe das Forças Armadas brasileiras. Como todo exímio manipulador de massas, político de carteirinha e desembaraçado falante, o nosso futuro tri-presidente entende que não tem o aval de grande parte dos eleitores brasileiros, principalmente em função do seu suposto envolvimento com trambiqueiros de grandes empresas que, sabe-se, tencionaram tirar (muito) proveito da sua (grande) popularidade para, ilicitamente, obterem vantajosos negócios com o governo federal. Lula tem adversários diversos ( e tão poderosos quanto aqueles que o apóiam) formalizados a partir de algumas de suas indecisões, mancadas, e contradições passadas mas ele, como ninguém, sabe escamotear seus próprios defeitos e logo em seguida, com o auxilio de influentes “cumpanheiros” , fazer parcerias e concessões até então impensadas e impossíveis que logo terminam (re)conduzindo-o aos píncaros da glória; enfim, uma pessoa que já entrou para a história do Brasil como um político que sabe – como nenhum outro – comprar ou adquirir aplausos e louvores , conservando ou não a coerência entre a sua fala e os seus atos, abrindo mão de certos princípios básicos para agradar a muitos e inclusive, é claro, a quem o contesta até com certa veemência. Persuasivos, Lula e os seus “cumpanheiros” têm consciência de que calar em determinadas situações ou seguir ventos estranhos equivaleria a trair a sua própria história de líder sindical e político de sucesso. Na sua nova incursão no papel de presidente da república está a obrigação de, em última análise, impedir que o PT se desvirtue de suas convicções e enquanto partido político com assento no comando da nave Brasil e desfaleça, levado por uma corrente de opiniões daqueles que se julgam habilitados a estar em seu lugar enquanto desfrutando das benesses do cargo de presidente da república. Não votei em Lula mas, pelo Brasil, anseio por uma unida sinceridade de políticos que respeitem o povo a ser governado e acreditem no potencial crítico e produtivo de cada um dos brasileiros que empenha-se pessoal e patrioticamente em prol do desenvolvimento social e econômico desse nosso imenso e maravilhoso país. Não votei em Lula, mas por amor à minha família e ao Brasil, num mundo em que tanta coisa cede e quebra ao sabor da vaidade e da cobiça humana, desejo-lhe grande sucesso nesse seu novo reinado, enquanto conciliando a razão e a paixão política de milhões e milhões de brasileiros.
Gustavo Hoffay/Agente Social/Uberlândia(MG)