José C. Martelli – Advogado e professor – Espírito Santo do Pinhal – SP
O dia do professor foi 15 mas, para não passar em branco, vou escrever uma crônica, isto é, de certa forma reescrever, porque contém ideias que venho alinhavando através de muitos artigos e crônicas, há muito tempo, desde que deixei de lecionar em 1997.
Faço-o agora, em homenagem a todos os professores a cuja classe tive a honra de pertencer por quase de meio século.
Sempre achei que a educação seria a solução para todos os problemas de ordem familiar, social e política que sempre enfrentamos.
E por que digo isso? Digo porque sempre almejei um país sem violência, com sua juventude longe das drogas, com cidadãos pensantes, cultos, solidários e honestos. Que tenham orgulho da política, dos nossos dirigentes, sejam eles do executivo ou do legislativo. Que elejam sempre os melhores dentre os bons. Que os níveis culturais de nosso povo e, igualmente, os níveis da programação da mídia televisiva sejam melhorados. Que as famílias sejam melhores, elas que são a célula mater da sociedade, criem filhos que respeitem os pais e pais que tenham pelos filhos muita dedicação, carinho e amor.
E como se fará esse milagre. É a pergunta que não quer calar? A resposta é simples. Pela escola e pelos professores. Dirão os céticos que não será possível ter escolas para todos e muito menos professores bem formados que possam desempenhar a dificílima missão de mudar radicalmente o estado de coisas em que nos encontramos.
Mas é fácil. Vamos pagar condignamente os professores e haverá uma seleção natural que redundará em melhores professores, formando melhores alunos, e assim sucessivamente num circulo virtuoso até que se chegue àqueles resultados almejados.
Aliás, pela importância que um professor tem na ordem das coisas, o seu salário é que deveria servir como teto aos demais do país.
Com isso, também neste caso, somente os melhores, dentre os bons, repetimos, teriam a árdua missão de formar as novas gerações. Neste caso houve, há alguns anos, uma proposta do Senador Cristovam Buarque, que não sei a quantas anda, que preconizava a educação como elemento central de transformação social.
Tudo isso pode ser uma utopia porque não haveria recursos para tal. Recursos sempre haverá. O grande problema são as elites, assim entendida todos que não querem cidadãos pensantes. Se começarmos a formar cidadãos pensantes, vão comprar e consumir realmente o que desejam e não o que lhes é incutido subliminarmente pelos meios de comunicação. Iriam votar nos melhores porque saberiam discernir entre a verdade e os fake news.
Vale repetir: vamos criar cidadãos pensantes, cultos, solidários e honestos. Os ignaros, egoístas e desonestos vão ficar no anonimato até que desapareçam naturalmente.
Mas é preciso que se descubra e que se traga a lume uma verdade incontestável. A grande maioria dos cidadãos é honesta e solidária. Apenas não recebe, o que é natural, tanta propaganda, como a minoria de desonestos e egoístas recebe. E basta isto.