A data era 30 de outubro de 1.974. Em casa e com toda a família reunida diante de uma TV à cores GE ( valvulada e recém adquirida por um dos meus irmãos), acompanhei com atenção, via satélite, o que a imprensa mundial dizia ser a luta do século: a disputa pelo título mundial de Box na categoria dos Pesos-Pesados e a qual colocava frente a frente os pugilistas George Foreman e Muhammad Ali (ou Cassius Clay). E que luta! Outra grande e memorável competição que assisti , porém ao vivo e das arquibancadas do Mineirão, ocorreu em 1.976 e quando o “meu” Cruzeiro venceu o Internacional de Porto Alegre por 5 x 4, em jogo válido pela Taça Libertadores da América, peleja tida pelo público e imprensa especializada de todo o Brasil como a mais disputada e bonita de toda a história daquele estádio. Agora, depois de décadas, terei a oportunidade de assistir a um outro grande embate e que, mesmo antes de ser realizado e levado ao ar por um pool de emissoras de rádio e TV, já está sendo considerado inolvidável: Lula x Bolsonaro! Palmo a palmo, focinho a focinho e ponto a ponto aqueles dois presidenciáveis disputam impetuosamente o trono do Palácio do Planalto e as espaçosas dependências do Palácio da Alvorada sob intensa, barulhenta e alvoroçada torcida. Algo, aliás, impensável até mesmo por aquele que no século XIX profetizou a construção de Brasília, 77 anos antes da sua inauguração : “Entre os graus 15 e 20 havia uma enseada bastante longa e larga, que partia de um ponto onde se formava um lago….No meio destes montes aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel.Será uma riqueza inconcebível”(São João Bosco). E é interessante observar que, muito ao contrário de outros duelos, nesse tem sido freqüentes as apelações de ambos os candidatos e suas respectivas equipes, sem fundamentos ou às vezes com fundamentos duvidosos. Está claro à grande maioria dos eleitores que o mais empolgante, o mais palpitante, o mais atual e o mais corriqueiro dos assuntos nas ultimas semanas tem sido a luta travada pela presidência da república brasileira e onde os discursos, de ambos os postulantes, obviamente descambaram em direção à pauta “proteção e desenvolvimento da sociedade brasileira”. O passado de cada um deles na presidência da república pindorama, tornou-se algo secundário, pouco relevante para grande parcela do povo….e hoje não passa de fábulas, histórias para boi dormir enquanto, por outro lado, assistimos a cada um deles condenando na qualidade de pagão e diabólico o seu adversário, numa relação íntima com centenas de milhares de fiéis de todos os credos e como nunca antes visto em qualquer outra “avant premiere” em direção ao Palácio do Planalto. Ficou claro como ambos os candidatos passaram a abraçar o povo inseguro por motivos econômicos, políticos, educacionais e até familiares, prometendo em nome de Deus todo o apoio para realização dos seus sonhos. Francamente…… “Cheguemos pois com confiança ao trono da graça” (Hebreus 4:16).Quanta ousadia nos discursos daqueles candidatos e enquanto usando o nome de Deus para alcançarem fins político-eleitorais, prometendo intervirem a favor de um novo tempo de glórias na história deste nosso país e o qual, na opinião deles, será plenamente caracterizado por “paz, amor e fidelidade a Deus”. Quanta e contagiante hipocrisia, visto que tal prática sugestiona os eleitores mais humildes e ao ponto de levar muitos deles, sensíveis, a conceberem a idéia de que estarão elegendo um salvador para todas as suas diabólicas angústias! Impressiona-me, sim, a ingenuidade de eleitores que baseiam-se em uma limitada e míope percepção do ambiente político/partidário tupiniquim e onde profissionais daquela ciência têm o poder de formar gerações de incautos eleitores……. em nome de Deus, claro. Misericórdia…! Essa disputa pela faixa presidencial na realidade apresenta meios e formas que se contrapõem, com toda força, ao evangelho na sua mais pura e singela forma, a começar pela ousadia de ambos os candidatos finalistas quando de suas ofensas recíprocas e como se estivem em uma ferrenha luta em plena arena do Coliseu, na Roma antiga. O que a presente disputa eleitoral já demonstrou foi a urgente e milagrosa conversão do multi/poli religioso Bolsonaro e do socialista Lula , de forma a adaptá-la a partir da visão de credos diferentes, mesmo que para isso usem de linguagem agressiva e sejam capazes de lançar areia nos olhos do adversário, pois técnica e politicamente insuficiente/incompetentes para fundamentarem os seus rasos discursos políticos.
Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG
Excelente artigo e bem proposto a realidade política.
Parabéns!!!