Ivan Santos – Jornalista

Depois da eleição de deputados federais e senadores no primeiro turno da votação deste ano, muita gente tem comemorado uma expressiva renovação no Congresso Nacional. Puro engano. Uma analise mais cuidadosa leva a concussão de que as oligarquias que há mais de um século mandam e desmandam no Poder Legislativo do Brasil estão lá, firmes e faceiras com novos representantes para defenderem os mesmos interesses de famílias poderosas.
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou hoje com destaque na primeira pagina que “No Congresso eleito, apenas 8% são nomes novos na política”. Assim mesmo esses “novos” são operadores de redes sociais que nada entendem de política, não conhecem o regimento parlamentar, sem preconceituosos e vão levar muito tempo para conhecer o processo legislativo. Vários destes levarão todo o mandado para começarem a entender como funciona o Congresso que é representado por 513 deputados e 81 senadores. Até descobrirem qual é a verdadeira função de um deputado passarão a maior parte do tempo despachando bobagens pelas redes digitais para encantar seus eleitores. De positivo produzirão nada de nada.
No Senado só um senador eleito não tem experiência política. Os outros todos são cobras-criadas com experiência farta em outros mandatos seja municipal, estadual ou federal. Apenas rocaram de fatiota. Um deles é filho do senador Renan Calheiros, governador de Alagoas e membro de uma das maiores e mais conhecidas oligarquias do País. Foi assim em todos os Estados do Nordeste, do Centro e do Sudeste. No Congresso a maioria continua a dar as cartas e jogar de mão. Os novatos vão ser apenas figurantes.
Velhos conhecidos que já foram senadores voltaram como deputados. Como falar em renovação em um Congresso que elegeu Roseana Sarney, Eunício de Oliveira, João Campos filho de Eduardo Campos, Maria Arraes e novatos como Eduardo Pazzuello, Mário Frias e o vice-presidente, Hamilton Mourão? Isto é renovação?