O brasileiro , em união com Jesus, já assumiu a sua cruz e entregou a Deus tudo o que restava-lhe de esperança quanto a poder desfrutar de uma vida em segurança, seja nas ruas, nas zonas rurais ou mesmo dentro da sua própria casa. E diante da situação a que chegamos, até mesmo essa sincera aspiração vem tornando-se cada vez mais abstrata na vida de cada um dos brasileiros que sente-se insuportavelmente perplexo, desorientado com tamanha ousadia dos criminosos e facilitada que é pelo nosso jurássico Código Penal, na minha opinião o principal coadjuvante dos marginais nas recorrentes e muitas vezes violentas ações que protagonizam; não digo que são ousadas, pois aqueles irosos agentes já não temem a justiça praticada neste país e por isso agem de maneira leve, livre e solta, quase mesmo apática em relação a possíveis punições e muito à vontade na escolha das suas vítimas e na forma de abordá-las ou mesmo sacrificá-las, como senhores do destino de cada uma delas e sem que se possa prever o fim de uma situação que parece-nos cada vez pior, mais grave, vergonhosa e repugnante. Homicídios, latrocínios, feminicídios, assaltos, estupros, roubos, seqüestros, homofobia, golpes diversos e mais recentemente o dito “novo cangaço” já fazem parte de um cotidiano comum à grande maioria do nosso povo e quando, inequivocamente, deveriam ser encarados e tratados sob o prisma do horror e do escândalo, também em função do desinteresse e conseqüente acomodação do poder legislativo nacional, onde cria-se leis que sugerem interpretações que suscitam uma infinidade de réplicas, tréplicas, tetréplicas e pentéplicas em benefício único dos poderosos e influentes agentes do terror e em nome da insegurança pública. Não tenho a menor dúvida de que boa parte dos políticos que desfrutam de um mandato federal, que gozam de segurança pessoal e de garbosos benefícios graças aos nossos votos e das quantias que direta e indiretamente pagamos para sustentar suas voluptuosas vantagens legislativas não importam, como deveriam, com a segurança dos cidadãos tupiniquins, dada a quase total falta de iniciativa de elaborarem leis que – de fato – enfrentem e punam com rigor a criminalidade que campeia, deita e rola sarcasticamente em nosso país, em todas as direções e entre toda a sociedade enquanto nós, cidadãos do bem e que diariamente pelejamos árdua e bravamente em busca de uma honrosa sobrevivência, somos acometidos pela tentação do desânimo, deixamos de cumprir alguns nobres propósitos, assistimos escapar boas oportunidades de progresso pessoal e ainda reparamos – estupefatos – escorrer pelo ralo da amargura muitos dos nossos esforços por uma vida menos indigna, não raras vezes em função da nossa total e neurótica insegurança em relação às nossas obsoletas leis e registradas em um código penal às vésperas de completar oitenta e dois anos! Apenas para se ter um exemplo da “eficácia” de legisladores que elegemos, já houve uma tentativa de reforma do nosso Código Penal e quando se viu a proposta de punir com um a seis meses de prisão quem omitisse socorro a crianças, inválidos ou feridos; enquanto era muito maior a pena para quem abandonasse ou deixasse de socorrer animais: 1 a 4 anos de prisão! Percebe-se clara e facilmente que este país, por meio de não poucos dos seus políticos, está muitíssimo distante de transmitir aos seus cidadãos o autêntico e imperioso conceito de justiça, aquela que até tardava mas muito raramente falhava. Temos a impressão de que senadores e deputados federais borram-se de medo diante do simples fato de votarem algum projeto de lei que objetive punições severas para que seja diminuído o tsunami de criminalidade que avança livre e soberanamente em nosso país. Sim, o conceito de “segurança pública” para a grande maioria dos brasileiros parece ter se dissolvido, virado pó em razão de leis acovardadas, mumificadas, ridículas, inócuas, absolutamente desacreditadas e que têm servido – apenas – para o total deleite de seres mentalmente primitivos e asquerosos. O que se passa na cabeça de legisladores que têm o dever de mudar essa devassadora situação é indecifrável, porém em muitos casos previsível e impublicável, mas diante de um vexatório conjunto de ocorrências criminosas que assolam a população deste nosso país, não resta-nos outra alternativa senão rogarmos a Deus para que Ele lance luz sobre os legisladores federais a serem eleitos e auxilie-os a agrupar, harmoniosamente, ações que possam ao menos abrandar a vergonhosa situação a que o atual e o antigo Congresso Nacional permitiu que chegássemos a experimentar, a partir do momento que saímos às ruas e caminhamos receosos ante as sombras do pavor e o desencadear furioso e tempestuoso de instintos criminosos.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG