Meu sogro, a quem tratávamos por “seo Geraldin”, homem muito humilde, nascido e criado numa pequena cidade do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, vez ou outra deixava escapar um daqueles velhos provérbios ou ditados populares e o que, aliás, ainda é muito comum entre pessoas mais idosas: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, “Mentira tem perna curta”, “Cavalo dado não se olha os dentes”, “Há males que vem prá bem” e por aí em diante! Em rodas de amigos e familiares, bastava o “seo Geraldin” insinuar que falaria alguma coisa e alguém logo dizia: – “ Lá vem o seo Geraldin”…e ele vinha, sentindo-se engalanado em sua sabedoria popular: – “Macaco velho não põe a mão em cumbuca”, “ O hábito faz o monge”…e por aí ele seguia, enquanto trazendo um cigarro de palha num canto da boca: – “Se cochilar o cachimbo cai”,“Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, “De grão em grão a galinha enche o papo”, “Casa de ferreiro, espeto de pau”, “Cada macaco….” e de onde estava a dona Santinha, sua esposa, suspirava fundo e já emendava “…no seu galho”! E quando alguém o desafiava a dar algum palpite sobre determinado assunto, ele logo dizia: “Eu não; cê besta, o peixe morre pela boca”. Certo dia em sua casa e com os filhos, noras, genros e netos ao redor da mesa de almoço, quando todos já estavam provando a sobremesa e aliviados pelo fato do “seo Geraldin” não ter soltado algum dos seus repetitivos e cansativos ditados (ou provérbios) populares , eis que de repente e em alto e bom som ele diz:-“ Donne e motori, gioie e dolore”! Todos ali entreolharam-se espantados , como que querendo saber onde ele havia aprendido aquela frase em italiano. E antes que alguém o perguntasse a respeito, ele foi logo esclarecendo: -“Quem me disse esse ditado foi um velho comerciante italiano, há muitos anos e quando muitos de vocês sequer haviam nascido. E se querem saber, a tradução é: “ Mulheres e motores, alegrias e dores” ou seja: mulher ao volante, perigo constante”! Para evitar maiores comentários e ainda um minucioso e acalorado debate ou discussão feminina a respeito, Sandrinha, uma das suas netas adolescentes foi logo dizendo: – “ Tá bom, vô. Legal”! Mas não adiantou, pois logo um quiprocó foi formado e tomou vulto ao redor daquela mesa. O assunto foi encerrado, o almoço terminou, cada um daqueles familiares tomou o seu rumo e os dias se passaram, até que Ivonete, a mãe da Sandrinha, observou que o seu pai, “seo Geraldin”, começou a palpitar enquanto assistia ao horário de propaganda política pela televisão: – “-A coisa diferençou demais da conta, minha filha. Conseguiram deixar os políticos muito pior do que já eram; se antes eles estavam agrupados na ARENA ou no MDB, hoje estão esparramados e perdidos em meio a uma mistura de letrinhas partidárias e como se cada sigla por eles defendida tivesse uma solução para o nosso país. E as interpretações de cada um dos seus programas corroem idéias que deveriam estruturar o que melhor deveria ter e ser a nossa democracia que hoje, sinceramente, mais parece um balaio de gatos ou um samburá de idéias estapafúrdias que visam beneficiar, primeiro, os interesses de quem foi eleito para governar pelo povo e para o povo”. E Ivonete, sua filha, completou:- “ A cada eleição, fanfarronices com o dinheiro público e enquanto antigos políticos insistem em destilar as suas velhas e fracassadas receitas”. E quase que de imediato, o “seo Geraldin” emendou: -“No Brasil há muita coisa errada que não dá certo.Aqui as nuvens são como políticos: quando desaparecem, o dia fica lindo”! Saudades do “seo Geraldin” e dos antigos e sábios provérbios que dizia, fosse onde fosse e para quem fosse!

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG