Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia – MG

O mundo é cheio de controvérsias. Os acontecimentos são díspares, às vezes tão distantes uns dos outros como a Terra é de Netuno. E nós, viventes deste Planeta, ficamos a observar, muitas vezes nos encantando, muitas vezes nos escandalizando, “tête a tête” com as notícias deste mundo, onde a comunicação cada vez mais no coloca perto de tudo.

Sete de Setembro – ligo a TV, se não me engano no You Tube e vejo uma cena que me enterneceu, como professora que fui de crianças como aquelas. Uma escolinha rural, perdida na imensidão do verde. A data pediu bandeirinhas verde e amarelo engalanando a fachada do simples prédio. O vento sibilante e o sol a pino as faziam balançar e brilhar, enquanto um professor e uma professora organizavam a fila de alunos. Trinta, se muito, vestindo seus uniformes já meio surrados. Na mão de cada criança um balão verde ou amarelo e na carinha um sorriso de pura alegria. Marchando e cantando professores e alunos seguiram estrada afora, perninhas magrelas se levantando ritmadas: eu te amo meu Brasil, eu te amo, meu coração é verde, amarelo e branco, azul anil… A fila seguia orgulhosa, balões se revirando no ar, poeira fazendo caminho na estradinha de terra, bonita vontade de ser e fazer… Não sei mesmo onde estava a cabeça daquele candidato a presidente, pretensioso e amargo que considerou uma “babaquice” este negócio de verde e amarelo…

Nem só de Avenida Paulista e praia de Copacabana se enaltece o patriotismo. Ficam gravados na memória acontecimentos que parecem simples, mas na verdade guardam profunda repercussão no coração de muita gente, principalmente crianças, aprendendo a amar e respeitar sua pátria, onde quer que estejam…

Ao lado deste enternecedores momentos há outros nefastos. Passados poucos minutos da bela imagem anterior, vejo na Internet uma alusão a acontecimento triste, sórdido e de infeliz memória para todos os brasileiros de boa índole. Um escritor, Silvio Bersetti, ilustrou em livro “A farra dos guardanapos – o último baile da era Cabral”. E a TV mostrava imagens da farra ( da qual o livro faz alusão) que reuniu 150 pessoas, nomes de alguns dos homens mais influentes da política e da sociedade brasileira. A farra era em comemoração ao recebimento, pelo governador Sérgio Cabral, de condecoração do governo francês. O local da festa era um famoso restaurante em Paris e o gasto de 1,5 milhão de reais. Um luxo que só! Imagens ridículas de se ver, convidados dançando grotescamente, dando gritinhos histéricos de bêbados, com guardanapos amarrados à cabeça, deboche total ao povo brasileiro. O povo pagou a conta desta brincadeira, o povo alijado deste festejo macabro, o povo que no momento passava por dificuldades enormes. As imagens ficaram para a posteridade. A festa correu solta sob a batuta de Sergio Cabral, num tempo em que do Arroio ao Chui, de leste a oeste, o Brasil naufragava em desgovernos corruptos, tendo como exemplo maior o governo petista.

Não podemos nos esquecer dos tristes tempos em que a pátria foi colocada de lado, para proveito de muitos que, até os dias de hoje intentam voltar ao poder para dar continuidade à farra com o dinheiro público. Sérgio Cabral está preso, condenado a mais de 300 anos. Mas muitos, tão ou mais perigosos que ele, beneficiados por malabarismos jurídicos, estão livres, metidos na política que eles mesmos subverteram e arruinaram. Que o povo brasileiro saiba dar a resposta nas urnas, a estes corruptos e corruptores que um dia tentaram jogar o Brasil no abismo. Fé, esperança e o nosso voto é o que nos resta. E um grande sentimento patriótico que nos incite a estar sempre ao lado deste país bonito que é o Brasil!