A poucos dias das eleições que irão definir quem será o novo chefe do Poder Executivo tupiniquim, assistimos a um país com a população quase que dividida quanto em quem confiar o seu precioso voto. Diante da já conhecida bagagem de equívocos, estratégias não cumpridas ou parcialmente realizadas por ambos os contendores em seus anteriores e respectivos mandatos, além de alguns reconhecidos acertos e de um abundante samburá de demagogias, ainda há uma vultosa quantidade de votantes que continua por demais indecisa a respeito de quem deva merecer a sua confiança e conseqüente procuração, para que possa representá-la enquanto à frente dos ofícios que caberão ao eleito e em todas as árduas ocasiões que fizerem-se necessárias as suas ações em seu fastidioso ofício de chefe-de-estado e comandante em chefe das Forças Armadas. Ora, francamente…! O valor de um voto é imponderável; não há voto carente de valor e qualquer dos candidatos a presidente tem tanta certeza dessa verdade que, freneticamente, percorrem cada estado com a eficácia de um atleta olímpico enquanto dedica-se ao que pode ser comparável a uma maratona. Além do que verifica-se o quão é árduo e não raras vezes belicoso é um debate entre os principais candidatos ao trono planaltino, quando aqueles contendores apresentam-nos profecias, promessas e projetos como a uma mega configuração do que seria, em tese, o mandato de cada um deles, emocionando e procurando levar-nos às lágrimas quando falam da sua infância sofrida, sacrificante, em vilas distantes e habitadas por gente humilde, onde sua juventude foi marcada por muito esforço e simplicidade; gente como a gente; tudo, enfim, muito comovente! Eis porém que a razão leva-nos a uma reavaliação da conduta de ambos os principais contendores nessa disputa pela faixa presidencial, principalmente levando-se em conta o histórico dos seus respectivos mandatos quando privilegiados ocupantes do Palácio do Planalto. Também se julga entre os eleitores ( de fato ) concienciosos , aspectos diversos da vida pessoal e pregressa de Lula e Bolsonaro, o ambiente oficial que criaram e nele viveram, com quem trabalhavam e conviviam diariamente e alguns aspectos da personalidade e do caráter de cada um deles, enquanto senhores absolutos do poder executivo nacional. Certo é que nunca, nunquinha mesmo, o eleitor canarinho teve tantas, tamanhas e seguras oportunidades de conhecer na prática, um pouco mais a respeito de dois candidatos que chegam à reta final de uma corrida que objetiva a subida daquela conhecida e famosa rampa do Planalto, embora dividido e sem destacada predominância de um ou de outro no seu particular conceito . Aliás observa-se que muitos dos aspectos da vida brasileira contemporânea são compreensíveis, levando-se em conta a presença de ambos no elevado assento do Palácio do Planalto e, claro, em tempos distintos, em razão direta de terem adotado mandatos caracteristicamente populistas de governo. Enfim….essa promete ser uma eleição particularmente interessante, disputadíssima voto a voto e de ânimos exaltados, quando fiéis de crenças distintas deverão dobrar-se e rogar para que este país se torne o que estamos todos a pedir em nossos mais sinceros cânticos, mandingas, orações e preces. Diante do que aí está com o atual presidente, ainda há os que preferem o vazio espiritual e as ameaças de um pluralismo, quando a liberdade é entendida de maneira imprópria. Estamos todos semi-conscientes da natural inquietação que agita os meios políticos nacionais e a qual, imagino, não pode eximir-se do influxo de um mundo em constante transformação, sedento de mudanças e de novidades as mais diversas. O já ex-candidato que vier a galgar a rampa do Palácio do Planalto e então guarnecido da faixa presidencial, terá o sublime dever de esforçar-se para aprofundar e apresentar de modo sempre mais adaptado às atuais circunstâncias globais, o indeclinável dever de um estadista fiel à democracia, sem causar qualquer tipo de perturbação e perplexidade a pouco mais de duzentos milhões de brasileiros e de resto a toda comunidade global. Nosso voto para candidatos ao cargo de presidente da República deve ser o resultado de algumas conscientes inquietações e indagações que insistem agitar a nossa expectativa em relação a sadias transformações. Mas é preciso tomarmos o maior cuidado, ao cumprirmos o nosso dever de votar, de não atentarmos contra a razão a nossa confiança em um país justo, ordeiro e progressista para o maior numero possível de cidadãos e cidadãs , de tolerância zero para o fanatismo político/religioso e qualquer outro que exceda os limites da razão humana.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia (MG).