O ritmo veloz e agitado da vida contemporânea, torna quase impossível o momento de parada e reflexão para a nossa escolha e consciente decisão quanto ao candidato a considerarmos merecedor do nosso voto; mas há que tê-las! Alias a diversidade de propostas mirabolantes e a quantidade de postulantes aos cargos em disputa nessa atual competição por um lugar no Olimpo da política tupiniquim, obriga o votante de bom senso a uma robusta ginástica intelectual e caso ainda não se decidido a quem irá passar uma procuração para representá-lo pelos próximos anos nos poderes legislativos e executivo. Quem não tiver ao menos um breve e prévio conhecimento a respeito de alguns daqueles que se nos apresentam como solucionadores de todos os problemas relacionados à saúde, à segurança pública, aos transportes, à infra-estrutura e às causas sociais do seu estado, se não guardar em si o sincero desejo de profundas mudanças e se não tiver dominado pela crucial importância do seu voto, mais uma vez irá juntar-se a outros para desperdiçar a grande oportunidade de fazer-nos avançar em termos de positivas mudanças de rota da nave Brasil, ainda descombussolada e em razão de uma tresloucada disputa de egos politiqueiros. Penso que diante de tantas e mirabolantes promessas e bla-bla-blas ensaiados à exaustão por candidatos diversos, urge que o eleitor não se engaje deliberadamente naquilo que a maioria deles nos apresenta e inclusive durante a exibição da propaganda eleitoral gratuita na TV. É preciso manter o nosso equilíbrio mental e patriótico. Mais uma vez enredados nas malhas de promessas, parece que aos poucos vamos sendo acorrentados no dom e no tom demagogo e absoluto de alguns partidos políticos que há décadas revezam-se no poder e com a mesma ladainha e lenga-lenga de sempre. O horário gratuito de propaganda política, este ano e a exemplo das vezes anteriores, torna a oferecer a cada um de nós a nítida impressão de que alguns candidatos, se eleitos, irão lutar incansável e bravamente contra a inflação e a injustiça, barrarem o caminho aos políticos corruptos, ladrões, mentirosos e intrigantes, sem jamais dissociarem-se de problemas que afetam a todos nós, enquanto inspirados pelo Evangelho e embalados pelo Sopro de Deus. Amém? Assim, passadas as eleições, estaremos habitando um país revigorado, maravilhosamente fantástico: um Xangrilá tropical ! A propaganda política, os candidatos sabem, costumam ser ilusoriamente eficaz até certo ponto e a resposta das urnas – na maioria das vezes – é positiva apenas para aqueles que têm o dom de escamotear, visto que são muitos os eleitores que tornam-se animados por uma valorosa influencia , quanto mais se no seio de agrupamentos maiores e/ou de mesma afinidade religiosa, por exemplo. Faz-se mister salientar que alguns políticos profissionais exploram com destreza a nossa falta de dinheiro, as nossas virtudes e as nossas fraquezas, a nossa timidez e o nosso desânimo, os nossos amigos e inimigos políticos, a nossa ingenuidade e a nossa imprudência; e o fazem com extrema maestria, convenhamos; ao ponto mesmo de deixarem caracterizado o fato da política ser uma arte, um dom raro e precioso – muitíssimo precioso! Políticos de carreira e até alguns que estão iniciando-se agora nessa “profissão”, nesse momento de caça aos votos aproveitam-se das nossas hesitações, ao mesmo tempo em que cercam-nos pouco a pouco e por todos os flancos, com extrema proficiência e savoir-faire; alguns até pensam já ter-nos dominado e conquistado o nosso voto. E é aí, justamente nesse ponto, que assistem ruir aos seus pés os seus ideais, os seus objetivos de elegerem-se, decepcionam-se ao verificar que o tempo investido em propagandas eleitorais gratuitas já não surte os mesmos efeitos de outrora, quando os eleitores ainda deixavam-se influenciar por maciças e insalubres promessas e ainda trocavam o valoroso voto por materiais de construção, botinas ou dentaduras!

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG