Ivan Santos – Jornalista

Um dos políticos mais astutos de Minas Gerais, o ex-governador e ex-ministro de Estado, Magalhães Pinto, dizia que “política é que nem nuvem: você olha e está de um jeito. Passa um tempinho e você olha de novo e vê que a nuvem mudou completamente”. A pluralidade de influências faz com que situações aparentemente definidas se alterem sem aviso prévio o cenário político.

Esta observação vale para o cenário da campanha eleitoral atual. Neste momento o candidato da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com os principais institutos de pesquisa de opinião pública está na frente do candidato da direita, Capitão Mito Jair Bolsonaro, candidato à reeleição. Como eleição é como nuvem, não poderá antecipar o resultado do primeiro turno da eleição que ocorrerá no primeiro domingo de outubro.

Outra incerteza do momento é a inflação que influi no ânimo dos pobres na hora de votar. A comparação é adequada com as expectativas de inflação. Oficialmente a inflação no Brasil está em 9,1% em 12 meses, mas para o povão, a inflação que vale é a do supermercado e representada pelos preços da carne bovina, do leite e dos produtos da cesta básica somados aos preços dos medicamentos. Esta é a inflação que poderá influir na mente dos pobres na hora da votação.
Hoje no Brasil, muitos da classe média estão eufóricos com a redução nos preços dos derivados de petróleo. No início da semana passada, os preços do petróleo caíram depois de a China divulgar uma diminuição de 9,4 por cento nas importações da commodity em agosto. A causa da baixa foi uma redução da demanda, o que indicou que o cenário para o mercado de energia pode mudar. Não há garantia que os preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha não voltem a subir após outubro.
Vários analistas do mercado já disseram que o futuro presidente da República, se Bolsonaro, Lula ou outro eleito no mês que vem, vai enfrentar um momento muito difícil na economia nacional com inflação crescente para controlar, dificuldades no comércio com o exterior e enormes compromissos com a dívida pública do País.
Tigrada! Não há milagres. Dinheiro não vai do céu. Se o governo gastar mais do que pode o resultado vai ser o aumento da inflação e o povo vai pagar a conta com o aumento das mercadorias e serviços. Quem já viu esse filme, com certeza está preocupado. Quem se eleger presidente terá muitos pepinos para descascar