Mais uma vez testemunhamos o quanto de maneira escancarada e até certo ponto abusiva, vem sendo difundido o nome de Deus durante as campanhas eleitorais, um apelo que julgo leviano na tentativa de catapultar candidaturas diversas e em todos os níveis. E esse “teopolitiquismo” não é novidade, visto o mesmo estar consagrado, instaurado e ser paulatinamente aumentado a cada novo pleito, da maneira de um incontido ardor pela (re)eleição da parte de numerosos postulantes às benesses originadas dos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república. Diante de arroubos evangélicos porém nada angelicais, o eleitor consciencioso se vê incitado a refletir sobre essa tirânica estratégia política e de modo particular no tocante a reconhecer que a mesma não passa de mera demagogia e/ou hipocrisia em um ambiente pré-eleitoral, a partir de candidatos que (talvez) sequer sabem rezar o Credo ou jamais participaram – imparcial e solenemente – de um ato litúrgico em alguma igreja, templo, capela ou catedral, excluindo-se nesse caso batizados e casamentos seguidos de abundantes regabofes, saborosas galinhadas ou faustos churrascos. Durante quase meio século na honrosa condição de eleitor – e por algumas vezes secretário e presidente de seções eleitorais – posso contar nos dedos os candidatos a cargos político-eletivos que limitaram a inspirar-se nas grandes linhas do Evangelho durante suas respectivas campanhas eleitorais e que, assim, persistiram depois de eleitos para levarem a bom termo e de maneira honrosa os seus respectivos mandatos. Quantos eleitores já assistiram políticos ditos “religiosos” tenderem seus mandatos (em nome de Deus) em direção única ao seu bem-estar pessoal, material e temporal e, depois, serem julgados, cassados e condenados por crimes contra a economia popular? Ora o cristianismo tem princípios e objetivos absolutamente diversos de muitos daqueles que são praticados por não poucas pessoas que são eleitas para representar-nos em ambientes políticos. Sugiro, humildemente, uma pesquisa sobre os candidatos nas últimas eleições e que faltaram apenas carregar uma Bíblia ou expor uma cruz no próprio peito durante as suas respectivas campanhas eleitorais e que, depois de eleitos, vieram a público para defender o aborto. Ora! Não poucas promessas de campanhas políticas, sabemos, trazem encantadoras mensagens de paz, justiça, união, ordem e solidariedade que nunca ou raramente são satisfeitas pelos eleitos no desenrolar dos seus mandatos e quando, aos poucos, lenta e estrategicamente, terminam envolvidos por outros e (até) estranhos propósitos a partir dos seus respectivos dirigentes partidários. Mais uma vez conto nos dedos aqueles que usaram o Santo Nome de Deus para eleger-se nas ultimas eleições e que honrosamente persistem em sua dignidade, sabem ouvir e servir os seus eleitores e não sentem-se absolutos em seus respectivos gabinetes nas câmaras municipais, estaduais ou federais. Francamente…! O candidato que usa e abusa do nome de Deus em sua campanha eleitoral, se eleito deve recusar e lutar contra todo e qualquer tipo de violência, odiar vantagens indevidas durante o exercício do seu mandato e respeitar todos os homens e mulheres de maneira cortês, suprapartidária, incondicionalmente…..! Enfim, mensagens cristãs em campanhas eleitorais devem transformar-se em realidade e tomarem vulto, sim, mas através das instituições civis, sociais e políticas existentes em cada município brasileiro e não apenas servirem de mote para alavancar candidaturas. Não exorbito quando lembro aqui a necessidade dos eleitos de respeitarem, em nome de Deus, os direitos dos trabalhadores e das empresas, a dignidade da família, a moral pública e desempenharem as suas tarefas legislativas sem favorecerem unilateralmente ou a católicos ou umbandistas ou espíritas ou evangélicos ou a pobres ou a ricos, mas a todos a quem deverão prestar-se na condição de representantes perante um poder Executivo laico. Quanto a apelarem para o nome de Deus enquanto na sua frenética busca por votos julgo, repito, tratar-se de uma ação caracteristicamente leviana.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG