O brasileiro, de modo geral, já assumiu a sua cruz em união com Jesus e entregou a Deus a sua esperança de poder viver em segurança, seja nas ruas ou dentro de casa, enquanto se protege de não poucos agentes periculosos e desagregados que são de uma rotina relativamente comum à maioria dos brasileiros. Mas isso é difícil e torna-se cada vez mais insuportável, sem que se possa prever o respectivo fim de uma situação que parece cada vez pior, mais grave, vergonhosa e absolutamente repugnante. Homicídios, latrocínios, feminicídios, assaltos, roubos, seqüestros, homofobia e golpes dos mais diversos, de alguma maneira já fazem parte de um cotidiano comum a todos os brasileiros e quando, fique claro, deveriam ser vistos e tratados sob o espectro do horror e do espanto, também em função da apatia, do desinteresse e conseqüente e nefasta acomodação do poder legislativo federal, cujas leis ali criadas sugerem interpretações que suscitam uma série de réplicas e tréplicas em benefício, único,dos agentes do terror e da insegurança pública de uma maneira geral.Não tenho a menor dúvida de que boa parte dos políticos federais que elegemos e que diariamente gozam de garbosos benefícios graças aos nossos votos ( na realidade procurações com prazo de validade determinado ) e das quantias que, direta e indiretamente, pagamos para sustentar suas voluptuosas vantagens legislativas não importam, como deveriam, com a segurança dos cidadãos tupiniquins, dada a quase total falta de iniciativa no sentido de elaborarem leis que enfrentem e punam com vigor a criminalidade que, sarcasticamente, campeia em nosso país em todas as direções e entre toda a sociedade. Enquanto nós, cidadãos do bem, pelejamos diariamente na busca de uma honrosa e amistosa sobrevivência, somos acometidos pela tentação de desânimo diante de uma notória descrença em relação ao poder público, deixamos de cumprir alguns nobres propósitos e assistimos escorrer pelo ralo os nossos esforços por uma vida menos indigna e realizados que são no decorrer de 80% a 90% dos nossos dias. Percebe-se clara e facilmente que este país – devido aos políticos eleitos e empossados – está muitíssimo distante de transmitir aos seus cidadãos o autêntico e imperioso sentimento de justiça. Temos a impressão de que senadores e deputados federais borram-se de medo diante do simples fato de aprovarem um projeto-de-lei que objetive punições severas para servirem de dique à crescente onda de criminalidade que avança sobre o nosso país. Sim, o conceito de “segurança pública” parece ter se dissolvido, tornado-se pó em razão de leis acovardadas, mumificadas, ridículas, absolutamente inócuas e portanto desacreditadas, servindo apenas para o aumento do deleite de seres primitivos e de instintos asquerosos, para muitos dos quais já foram oferecidas e depois desperdiçadas oportunidades diversas de re-socialização. O que se passa na cabeça de legisladores que têm o poder e o dever de mudar essa situação de devassa em nossa sociedade é indecifrável, porém presumível e impublicável mas, diante de um escandaloso conjunto de ocorrências criminosas que assola a nossa sociedade, não resta-nos outra alternativa senão exigirmos uma investigação que lance luz e agrupe, harmoniosamente, ações que possam ao menos abrandar a vergonhosa situação a que permitimo-nos chegar, a partir do momento que saímos às ruas e caminhamos ou dirigimos enquanto receosos ante as sombras do pavor e o desencadear tempestuoso de paixões assassinas. A insegurança pública é vista, sentida e amaldiçoada, porém há agentes legislativos que a ignoram ou apenas a usam para garantir-se no poder, enquanto prometendo (em vão) combatê-la até a próxima eleição. E La nave va……fino a quando ?

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia-MG