Marília Alves Cunha – Educadora e escritora – Uberlândia MG
Todos os países do mundo têm o seu dia, geralmente o dia em que comemoram a sua independência. E, pelo que eu saiba, em todos os países do mundo este é um dia de festa, com cada povo comemorando a seu modo ou como podem… Temos também a nossa festa nacional, que marca indelevelmente o 7 de Setembro. Já tivemos comemorações estrondosas e espetaculares, com soldados, estudantes, trabalhadores, famílias, igrejas, políticos, todos nas ruas participando ou apreciando os desfiles. Muitas vezes as coisas ficaram mais acanhadas, mais raquíticas, quando os tempos estavam mais para gavião do que para beija flor, mas mesmo assim o dia nunca ficou despercebido.
Neste ano de 2022 as coisas se complicam mais um pouco, sem que e nem por que… Não à conta dos brasileiros, que estão definitivamente entusiasmados. Pela vontade do povo as ruas do Brasil se encherão de verde e amarelo, a bandeira nacional vai dizer presente em todos os cantos e as pessoas, talvez como nunca antes, responderão presente ao chamado vigoroso da pátria. E vão sentir-se alegres, despertos em seu patriotismo e munidos de uma força que os conclama a orgulhar-se de serem brasileiros, colocando longe de nós este papo velho de “sentir-se vira lata”…
Mas as forças não mais ocultas, dispostas estão a embaralhar o meio de campo. O presidente Bolsonaro mal expôs sua ideia de transferir o local do desfile no Rio de janeiro e já começou a confusão. Antes mesmo de o Presidente ter entrado em contato com o prefeito do Rio (que seria a autoridade competente para decidir) o Rede, partido nanico que tem apenas 2 deputados federais e 1 senador e nenhuma voz no Congresso, dirigiu-se à Alta Corte para impedimento a esta vontade de Bolsonaro. A ministra Carmen Lúcia, obsequiosamente e de pronto, atendeu à provocação e deu prazo de 5 dias para que o governo explicasse o porquê da mudança de local do desfile militar. É raro o dia em que não dão prazo para o presidente explicar alguma coisa. De acordo com brincadeira nas redes sociais, foi dado um prazo até para que o chefe maior do país explicasse porque parte o cabelo do lado direito e não do esquerdo…
O Ministro Barroso também se faz ouvir neste período que antecede a nossa festa maior. Disse alto e bom som que “quer ver o tamanho do fascismo” nos movimentos patrióticos que se espalharão pelo país. Fiquei sem entender, sinceramente. Afirmou, a meu ver e posso estar redondamente enganada que as comemorações serão fascistas… A dúvida fica apenas no tamanho do fascismo… O tamanho será medido pela quantidade de gente a comemorar, pelo proporção do espaço ocupado nas ruas, pelo calor e entusiasmo do povo, por alguma palavra de ordem tipo “ queremos democracia, queremos liberdade” ou simplesmente pela vontade de alguém de dar existência diferente ao simples e natural gesto de comemorar o dia da pátria? Antes disto tudo uma juíza, se não me falha a memória do RGS, intentou proibir o uso da bandeira nacional. Julga ela que a bandeira não representa mais o Brasil, a nação, mas sim um instrumento de propaganda eleitoral. Pobreza de espírito que clama aos céus e que, evidentemente, em nada altera a ânsia de um povo em tomar de volta seu país. Vão implicar também com o Hino Nacional, que estamos vendo ressurgir e ressoar da boca dos brasileiros, inclusive das crianças? Hino bonito, como o da Independência e da Bandeira que nos emocionam sempre?
Digo e repito: é importante ser patriota, nem que seja por interesse. É nesta terra bonita que vivemos, aqui plantamos nossas raízes, gozamos o presente e construímos o futuro. O melhor para todos é que o país ande bem, que haja frutos, que haja construção, que haja esperança e fé no que fizermos. E que possamos deixar às gerações vindouras um legado de paz e compromisso com o que é justo e verdadeiro. Neste minutinho estava dando uma olhadinha no meu Aurélio e achei uma coisa interessante: “Patriota- pessoa que ama a pátria e procura serví-la. Mulher de seios muito grandes.” Achei perfeita esta mistura… A pátria pode ser esta mulher de seios volumosos, sempre disposta a aconchegar e amamentar seus filhos, sempre disposta a dar o melhor de sí, desde que a tratem com o cuidado e o carinho merecidos.