Estudo que aborda a construção do sistema educacional luso-brasileiro sob a perspectiva do Estado e da Igreja Católica recebe bolsa especial do CNPq

Por lei, relação entre religião e ensino deve se manter laica e diversa. (Foto: Andrew Ebrahim/Unsplash)

Durante a Idade Média, grande parte da população não era alfabetizada e o acesso a escritos era praticamente restrito ao Clero (membros da Igreja Católica), mais especificamente aos monges e escribas, responsáveis pela manutenção de bibliotecas e pela preservação e produção de cópias das obras.
Apesar do período ter durado entre os séculos V ao XV, a Igreja não deixou de exercer sua influência na sociedade, encontrando novas formas de atuar. “Quando discutimos Igreja Católica, estamos discutindo uma Instituição que teve muito poder por séculos. E chega um determinado momento em que ela é colocada frente à laicidade”, explica o pesquisador Carlos Henrique de Carvalho.
Professor no Programa de Pós-Graduação em Educação e pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Uberlândia, Carvalho estuda as relações entre Estado e Igreja Católica na organização do ensino, durante o período republicano luso-brasileiro (Brasil e Portugal). Seu trabalho traz uma perspectiva da história que contribui para um melhor entendimento do cenário em que a atual sociedade se insere.
A religião, ao longo da sua história, influenciou significativamente em questões sociais, culturais, políticas e, inclusive, educacionais na sociedade. E apesar do Estado Moderno ter retirado o protagonismo da Igreja em termos políticos, assumindo com mais ênfase esse lugar, ela permaneceu como uma instituição sobretudo educadora.
Em face de uma população pouco alfabetizada e da necessidade de desenvolver o país economicamente, o Estado passa a retirar o sagrado da escola por meio da laicização da educação. Houve um esforço em tornar o ensino um direito público essencial à cidadania e, assim, garantir que o cidadão recebesse instrução necessária para desempenhar seu papel em sociedade e contribuir com o progresso da nação.
Hoje, o Brasil ainda carrega as marcas da religião em sua estrutura, mas mantém a laicidade como forma de garantir o direito à diversidade religiosa, em especial no ensino religioso — parte da formação básica do cidadão de acordo com a Lei nº 9.394/96, apesar da inscrição facultativa.
A pesquisa de Carvalho vem tomando novas proporções ao possibilitar que teses, livros e artigos sejam produzidos a partir do seu projeto. Além disso, a reflexão elaborada pelo pesquisador vai para além da teoria e chega à população, outros pesquisadores e entusiastas pelo tema como uma forma de expandir conhecimento e abrir espaço de debate sobre religião, Estado e sociedade.

Produtividade em Pesquisa
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou, em fevereiro de 2022, o resultado final referente às Bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ). Carvalho está entre os 63 pesquisadores da UFU, de diferentes áreas do conhecimento, que foram aprovados.
O objetivo das bolsas é valorizar pesquisadores