Gustavo Hoffay*

Nasci em meio a uma família política, a bem da verdade tradicionalmente política e cujas raízes estão fincadas no norte e noroeste do estado de Minas Gerais. Desde cedo, portanto, acompanhei as peripécias, caminhos e descaminhos, conjurações e traições, feitos e desfeitos, tratos e distratos, promessas e demagogias de não poucos personagens que fizeram parte daquele excêntrico mundo e o qual, sabe-se, tem o estranho poder de abduzir desde distantes rincões até às grande capitais os mais incautos candidatos a políticos . No decorrer dos anos sessenta e setenta o meu pai, alguns tios, primos, eu e irmãos não escapamos dessa nódoa e de uma ou outra forma beneficiamo-nos e/ou tivemos grandes decepções em alguns momentos da nossa vida; deixamo-nos embriagar – e da forma de outros que também permitiam-se inebriar pela envolvente áurea política, sentimos de muito perto o que a maioria da população apenas tomava conhecimento pela imprensa e quando a essa era dado o direito de saber e informar. Em recente visita à capital mineira, não resisti ao impulso de visitar o Museu Minas Vale na Praça da Liberdade e onde pulsa, a cores e sonoramente, a história do nosso glorioso estado. Fantástico! Alem de apreciar a beleza dos móveis e peças de épocas distantes ali expostos, imaginei todos aqueles salões, escadas, corredores e elevadores sendo percorridos e ocupados por servidores e políticos do início do século passado. Sim, sempre achei muito interessante tudo o que envolve alguns dos principais acontecimentos políticos já ocorridos em nosso estado e em nosso país e de forma a ser regularmente tentado a conhecer, ao menos um pouco, a participação de alguns antigos e importantes conterrâneos na evolução da nossa história. E não raras vezes tenho a minha atenção chamada para fatos recentes, cujas características levam-me de volta a um passado nem tão distante , a épocas que vivenciei ainda garoto ou adolescente. E a saga presidencialista que presenciei desde tenra idade foi extraordinariamente venturosa, surpreendente e ilógica se analisada, principalmente, a partir da década de sessenta e quando algumas pitorescas personagens tiveram fundamental participação em dramas e tramas governamentais; um vendaval de revoluções, tentativas e consumação de golpes, início, meio e fim de crises institucionais, traições nas mais altas esferas públicas, conspirações originadas de autoridades políticas acima de qualquer suspeita, impeachments e renuncias de presidentes da república e mesmo o impedimento de posse – por motivo de saúde – de Tancredo Neves, eleito por um colégio eleitoral e que preferiu não tratar de forma urgente a sua saúde por receio dos militares não darem posse ao seu vice, o maranhense José Sarney. Embora eu nunca tenha acreditado em maldições conspiratórias originadas do além, ainda hoje espanto-me ao rememorar o quanto nós, povo brasileiro, já fomos testemunhas e vítimas de golpes originados da sanha de poder político, altas inflacionárias e planos econômicos megalomaníacos acompanhados de altíssimos índices de desemprego e de criminalidade. Desde a renuncia do presidente Janio Quadros em 1.961 e a ação dos militares para a destituição do seu vice, João Goulart; o impedimento de Pedro Aleixo para a vaga deixada pelo presidente Costa Silva e afastado do cargo por motivo de saúde ( derrame cerebral), o que deu o comando do Brasil a uma junta governativa formada por militares das Forças Armadas; o rompimento do vice-presidente Aureliano Chaves com o presidente João Figueiredo e o seu apoio à candidatura do conterrâneo Tancredo Neves; a posse do vice José Sarney em função da morte de Tancredo; a chegada ao trono palaciano do vice-presidente Itamar Franco após o impeachment de Fernando Collor e, finalmente, a posse do vice Michel Temer no segundo mandato de Dilma Rousseff e deposta- também por impeachment – devido a uma profunda recessão e condenada que foi por crime de responsabilidade em função de pedaladas fiscais, o certo é que milhões de brasileiros ao longo das ultimas quatro décadas e com raras exceções, acostumaram-se a assistir vice-presidentes incumbidos de tomar o timão da nave Brasil. Para as próximas eleições presidenciais, já há quem diga que os candidatos a vice exercerão uma influência jamais imaginada em pleitos anteriores e por motivos historicamente inquietantes. E os nomes até agora mais cotados para fazerem fervilhar a cabeça dos votantes são Geraldo Alckmin ou Rodrigo Pacheco para compor a chapa de Lula e o de Mandetta para vice de Moro. Quanto a Bolsonaro, fala-se em Ciro Nogueira mas o nome que desponta é o de Damares Alves-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e desde que, segundo o próprio Mito, o(a) escolhido(a) não tenha ambição pela cadeira presidencial! Fica então a pergunta: em qual dos vices iremos votar, caso creditemos a forças ocultas a não continuidade no poder do presidente a ser eleito? E não devemos nos esquecer que em nosso país, historicamente, há uma forte inclinação de considerável parcela dos eleitores em votar pela emoção e ao contrário de usar da racionalidade no momento da escolha dos seus candidatos. As previsões politicológicas para as eleições presidenciais do próximo ano são palpitantes, sinistras! E pelo que assistimos na avant premiere da primeira tentativa de convenção do PMDB, já podemos ter uma prévia do clima que irá imperar durante a campanha eleitoral para a presidência da República no próximo ano. E que Deus nos acuda!

*Agente Social – Uberlândia-MG