Ivan Santos – Jornalista
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se hoje e amanhã para decidir sobre a nova Taxa Básica do Juros, a Selic. A que está em vigor desde setembro passado é 6,25% ao ano.
Segundo vários economistas do mercado a Taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a alta de preços. Essa taxa é definida com base no sistema de metas de inflação. Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic, e a reduz quando as estimativas para a inflação estão nas previsões da autoridade monetária.
O mercado passou por fortes tensões na semana passada com o anúncio do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o governo pretende furar o teto de gastos para criar um auxílio de R$400 reais até dezembro de 2022 para 17 milhões de famílias pobres e dar uma ajuda-diesel de R$ 400 a mais de 700 mil caminheiros autônomos. Esta providência, se for executada, segundo especialistas em orçamento, vai turbinar a inflação.
No domingo passado, no Estadão, o economista Affonso Celso Pastore escreveu que, quando um governo eleva os gastos sem ter os recursos necessários, impõe ao Banco Central uma dura escolha: exerce a sua independência elevando a taxa de juros ou se submete aos objetivos políticos do governo.
Diante deste dilema, vários observadores do mercado preveem que, diante de incertezas, a Taxa Básica de Juros poderá subir a 7,50% amanhã, quarta-feira. Outros, mais preocupados com a aceleração da inflação, preveem o reajuste para 7,75%.