José C. Matelli*

Esta nossa crônica não foi ontem, dia 15, Dia do Professor. Nós a publicamos hoje, dia 16 de outubro, em homenagem ao professor.
Posso fazê-lo sem pejo porque, além de não sê-lo mais, quero estender minha homenagem, na pessoa do paraninfo de nossa turma de Letras, de 1971, Monsenhor Trajano Barroso, Professor e Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Poços de Caldas, a todos aqueles que espargem o seu saber nas mais diversas áreas do conhecimento.
E, para fazê-lo, vou transcrever o final de seu discurso de paraninfo que traduz, mais que uma homenagem aos formandos, um lineamento de vida. Ei-lo:
“Há outras frases importantes, de outros pensadores, cuja autoria não consegui identificar a tempo de registrar. Uma delas afirma que – nunca se sabe quando cessa a influência de um verdadeiro mestre, – tal é a profundidade e o alcance das transformações que pode desencadear. Outra adverte que se deve ter sempre liberdade para negociar mas jamais negociar a própria liberdade. E, para não precisar abrir mão dela, temos que dominar o saber porque se vemos todos os dias homens sendo substituídos por máquinas e robôs, estes jamais poderão substituir um homem extraordinário. Não importa se um dia vão conseguir ou não, mas busquem incessantemente ser pessoas extraordinárias. O simples fato de buscá-lo já os transformarão em pessoas especiais.
Hegel escreveu que “a coruja de Minerva abre asas apenas no lusco-fusco do fim da tarde”, ou seja, quando não há mais tempo de aplica-las. Penso trata-se de uma visão pessimista do saber porque o conhecimento é um processo contínuo mas sempre belo e frutífero. Quando aparece, confunde-se com o momento mais sábios para enfrentar os mistérios da noite que se segue. Ou do dia que renasce. Contudo, não se esqueçam que sábio não é quem conhece as repostas mas aquele que sabe fazer as perguntas certas.
Meus caros afilhados. Neste momento em que nos despedimos da relação Professor-Aluno e nos juntamos como companheiros de profissão, unidos pelos mesmos ideais, levem a certeza de que a alegria desta noite se junta a uma forte dose de emoção. Na verdade, já sinto percorrer-me a alma uma espécie de saudade precoce, dos dias que ao seu lado nunca terei. Mas certamente estarão por perto outros alunos que buscam o mesmo nobre objetivo que eu para vocês hoje se torna realidade. Eles poderão conquistar novos espaços em minha memória, em minhas emoções e em meu coração, porque Deus não nos limitou essas dádivas. Entretanto, jamais poderão ocupar o espaço-tempo que em mim vocês deixam para sempre.
Agora, temos que partir, cada um com sua missão, cada qual com seu destino. Ter um destino, não significa saber o caminho, mas é preciso busca=lo. Segundo Berthold Brecht, “bom é o esquecimento. Senão, continua ele, como se afastaria o filho da mãe que o amamento? Que lhe deu a força dos membros se impede de experimentá-la? Ou como deixaria o aluno o professor que lhe deu o saber? Quando o saber está dado, o aluno tem que se pôr a caminho”.
Queridos amigos: caminhem, jamais parem de caminhar. Mesmo à distância, estaremos caminhando juntos, torcendo para seu sucesso e vibrando com suas vitórias. Vocês fazem parte de nosso céu interior porque souberam construir algo mais profundo e duradouro que o simples relacionamento profissional. Vocês conseguiram plantar sementes de amizades. Agora, partem em busca de novos horizontes, mas levam um pouco da gente. Deixam um pouco de si. Que um destino glorioso e de fecundas realizações os espere nessa nova caminhada. E que nela, Deus represente sempre um manancial inesgotável de proteção de luz.
Muito Obrigado.

*Advogado e professor – Espírito anto do Pinhal – São Paulo