Enterrem meu coração na curva do rio

Rafael Moia Filho

“Nossa geração não lamenta tanto
os crimes dos perversos quanto
o estarrecedor silêncio dos bondosos”.
(Martin L. King).

O título sugestivo do artigo é uma homenagem ao livro escrito por Dee Brown, lançado em 1970 que trata da situação dos índios americanos que foram dizimados pelos generais do exército yanque. Este livro é um eloquente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte. Grandes chefes e guerreiros das tribos Dakota, Ute, Sioux, Cheyenne e outras, relatam a crueldade das batalhas contra os brancos.
Mas as comparações não param por aí, e quero abordar a situação da crescente criminalidade em outro rio, mais precisamente do Rio de Janeiro. Os jornais noticiam diariamente dezenas de mortes que ocorrem na cidade maravilhosa fruto da violência descontrolada naquele Estado.
Balas perdidas, gestão pública da segurança perdida, governo estadual financeiramente falido e moralmente destruído. Deixando seu povo inocente completamente aterrorizado pelo domínio das ruas e bairros à mercê dos comandos do tráfico de drogas.
Nos últimos vinte anos o Rio de Janeiro vem sendo vilipendiado pelas quadrilhas que governam o Estado. Os últimos governadores e prefeitos sugaram toda corrupção, propina e levaram o Estado a uma situação de falência. Foram bilhões desviados dos cofres públicos através do descaso, dos desvios de finalidade e da mesma máquina da corrupção que destrói o país.
Sediar grandes eventos como o Pan Americano/2007, Copa do Mundo/2014 e as Olimpíadas RJ/2016, possibilitou que estes malandros do colarinho branco enriquecessem a custa do recebimento de propinas, pelo superfaturamento de obras, algumas que nem foram entregues até hoje e de todo tipo de golpes possíveis, inclusive com o aval do COI e da FIFA.
Essa é a tônica, políticos e governantes se alternam no poder e vivem pelo poder, não pelo povo e para o povo. Estamos retornando, ou melhor, estamos na mesma situação que os cidadãos que habitavam o império romano, a única coisa que os políticos fazem em nosso país é cobrar impostos, tal qual o grande Imperador Romano.
Nossos governantes são competentes apenas para nos fazer chegar os tributos, mas de resto, são incompetentes, prestam serviços de baixa qualidade e nos deixam inseguros nas mãos de criminosos, que eles não têm capacidade de colocar atrás das grades definitivamente.
A saúde pública e a educação perderam suas finalidades e passaram a ser um esquálido modelo de retorno perverso de recursos que nunca são aplicados no sistema. Este circulo vicioso faz com que a sociedade seja refém de um Estado incapaz de gerir recursos com probidade.
Os índios foram dizimados em vários cantos do mundo, inclusive em nosso país, guardadas as diferenças entre os métodos utilizados, o mesmo está sendo feito com uma parcela significativa da nossa sociedade. O brasileiro pobre está sendo dizimado pela fome, pela doença e pela violência que reina graças a total incapacidade dos gestores que se elegem para roubar, trucidar e subtrair nossas riquezas.

*Administrador de Empresa e Jornalista

O Brasil é um país democrático?

Diógenes Pereira da Silva*

O Brasil não é um país democrático! A democracia, que vem do Grego Demos (Tribos) e Cracios (Governo), não é aplicada no Brasil da forma como foi realmente criada.
Temos hoje um regime Federativo dependente de um governo central e isso não configura uma democracia. A Constituição diz que o nosso regime é democrático, porém não é o que acontece. Não há democracia sem a participação da sociedade. Não há no Brasil uma cultura política de cidadania, nem um sistema político aberto ao desenvolvimento social político. Entretanto, para a sociedade brasileira ser realmente democrática será preciso fortalecer a participação da população na política. Não é invadindo o Congresso, Câmaras e Assembleias que a sociedade vai participar politicamente. Isso é manifestação que, muitas vezes, acaba gerando violência e crime de destruição do patrimônio público com as quebradeiras, e não participação democrática.
Um dos sustentáculos do Estado Democrático de Direito é justamente a participação da população nas decisões públicas, participando das discussões na esfera dos interessados de maneira geral. Justamente pensando nisso que foram criados diversos institutos, a fim de permitir essa maior relação entre sociedade e Estado, tais como o referendo, o plebiscito, iniciativa popular e, principalmente, as consultas e audiências públicas, entre outros. Estão aí, então, as maneiras de como se assegurar os direitos “conquistados” pelos cidadãos e que não passam de “letra morta” da lei quando colocados verdadeiramente à prova no que diz respeito à sociedade, isto é, quando conferidos tais direitos com os interesses do poder.
Nesse sentido, tais mecanismos permitem à população alcançar o sistema de gestão da coisa pública, e a mudança do poder público no processo de tomada de decisão. Além do mais, há os meios da publicidade dos atos públicos, em decorrência do direito de acesso à informação para que a sociedade possa acompanhar, fiscalizar e fundamentar seus pleitos. Na atualidade A “democracia representativa” brasileira mira apenas interesses do poder, e isso não é democracia .
Não pode haver dúvidas para a sociedade em relação às ações de líticas públicas sociais brasileiras serem guiadas pelo sistema político brasileiro, pois elas dependem sistematicamente da aprovação dos parlamentares que deveriam representar o povo e defender seus direitos, mas que, infelizmente deixa a desejar nessa questão. Em resumo, são estas as linhas que definem e regulam um traçado político que o país não está conseguindo alcançar em beneficio da sociedade.
Outra realidade inquestionável no momento político é o Congresso não dar a devida atenção aos pleitos da sociedade (povo), com exceção da iniciativa popular quando acontece, mas que se tornou um instrumento totalmente limitado, uma vez que não podem propor mudanças constitucionais, em função das alterações realizadas pelo Congresso. Por isso, pode-se afirmar que o atual sistema político no Brasil não tem base no poder popular, e sim no poder dos partidos políticos e suas coligações e conchavos. E, em termos de poder político, a base está sustentada no poder de poucos. Além do mais, tem-se um Congresso contido por partidos políticos que, na realidade mais representam seus interesses particulares do que a sociedade. Atribui-se a tudo isso, a quantidade de empresas prestadoras de serviços nos setores públicos, que com o intuito de financiar partidos políticos, corromperam a República.
Ora, no sistema presidencialista a democracia precisa ser a maior questão, desenvolvida e praticada. Caso contrário, as dificuldades políticas e o sistema presidencialista continuarão a desenvolver tragédias sociais. Nesse contexto, entendo que atualmente o maior desafio da política nacional seja realmente colocar em funcionamento as instituições públicas reguladoras em com imparcialidade e sem politicagem por parte dos demais poderes, em especial do Poder Legislativo, para que a democracia brasileira seja respeitada em sua essência e permaneça sendo o equilíbrio da necessidade de maiores mecanismos de controles e participação na condução dos negócios políticos do País com a participação do cidadão.

*Tenente do QOR da PMMG – diogenespsilva2006@hotmail.com

Cuba, uma revolução decrépita e rabugenta

Percival Puggina

Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas entre as distintas e “sólidas” convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.
Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e – dizia-se – colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando “Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!”. A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.
Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.
No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos.Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.
Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.
O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá.

* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

É dose…

Cesar Vanucci*

“Usar palavras estrangeiras para dizer o óbvio é um despropósito.”
(Andréa Maria Fanzeres Cordoniz, psicóloga).

Falemos, mais uma vez, da insidiosa invasão de termos estrangeiros na comunicação cotidiana, fiéis ao preceito de que Brasil se escreve com “s” e não com “z”.
É dose deparar-se, no trabalho, no mundo dos negócios, em reuniões sociais, na comunicação e nas empresas, na atividade política, no próprio recesso dos lares, com os sinais dessa preocupante desordem de coisas nascida de modismos inconsequentes, que bebem inspirações nos equívocos cometidos em práticas administrativas e gerenciais, largamente disseminadas, desarmonizadas com a verdadeira alma nacional.
Ninguém precisa fazer esforço exagerado para perceber que nem mesmo os papos coloquiais de todas as horas conseguem permanecer imunes aos efeitos desastrosos dessa nociva invasão cultural. Até mesmo o tratamento terno dispensado às pessoas do nosso afeto, a exemplo do que acontece na narração corriqueira dos lances do cotidiano, escapa à contaminação. Somos surpreendidos, volta e meia, com o uso de palavras que, obviamente, não fazem parte do riquíssimo, colorido, melodioso, insubstituível vocabulário brasileiro. É um tal de “darling” e “love” prá cá, “mother” e “father” prá lá… Muita frescurice pro meu gosto.
Das empresas e da tecnocracia chegam contribuições expressivas para o que vem, lamentavelmente, ocorrendo. O emprego de vocábulos estrangeiros não é apenas em função da designação de processos tecnológicos ainda não convenientemente traduzidos. Há uma tendência insopitável de se verter desnecessariamente para o inglês expressões de uso corrente, devidamente ajustadas à realidade que se procura retratar. E isso não pode ser considerado, definitivamente, procedimento de bom senso.
Vocábulos como “full time”, “weekend”, “case”, “ranking”, “clipping”, “happy hour”, “feeling”, “no problem”, “start”, “down”, “briefing”, “downsizing”, “inside”, “coachers”, “wokshop”, “stablishment” estão ocupando, cada dia mais, espaços no jogo dos negócios e na área da informação. Não vejo o benefício que isso possa trazer à causa do desenvolvimento brasileiro. Toda nação encontra na preservação do idioma uma das formas de sua identificação cultural e cívica. “O idioma é a pátria”, adverte sabiamente Monteiro Lobato.
Já é até o caso de recomendar receituário francês para a questão. Naquelas bandas da Europa o problema do estrangeirismo desabusado na linguagem comum é repelido, de forma radical. A proibição taxativa de emprego das expressões indesejadas é policiada pela comunidade. A substituição, por pedantismo, ou que outro nome tenha esse inaceitável procedimento, de vocábulos de uso corrente, por outros de complicada ou duvidosa eficácia e interpretação, vale para o infrator irritadas admoestações.
Já por aqui…

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Seda

William H. Stutz

Era um bichinho miudinho e não entendia a que veio.
Ficava o dia todo vendo seus iguais roerem folhas de amoreira numa tagarelice muda, todos a mastigar tenras e verdes folhas.
Tempo ido tocavam todos a se enrolar em casulos finos lindamente decorados de brilhantes fios prateados. Crisálidas únicas, perfeitas, iguais.
Por força de jejum voluntário atrasava seu curto ciclo.
De ninfa queria ser borboleta. Seu destino era voar. Queria o céu.
Observava que seus irmãos eram levados embora cedo, assim que morada prateada construíam. Nunca os viu de asas abertas a secar em preparo para vôo de liberdade.
Abandonou as folhas, alimentava-se apenas dos frutos, púrpuras e doces amoras. Quando por fim lhe veio o sono encapsular, teceu turmalinas, fios violeta-púrpuros como salsifis deslumbrantemente mágicos. Sua seda de tão pura e diferente cor passou despercebida das humanas mãos escravizadas pelo hábito, e em bela manhã rompeu fagueira. E na mais linda das violetas borboletas se transformou. Partiu.
E os homens mais uma vez, mergulhados em daltônica ignorância, presos em sua cobiça e mesmice, deixaram escapar por entre os dedos oportunidade única, rara jóia, a preciosa seda de um majestoso e único violeta.

*Veterinário e Escritor

Gustavo Hoffay*

Ao criticar o governo Temer e tão logo tomou conhecimento da impopular proposta de reforma da Previdência, um dos meus irmãos comentou, indignado, que o Chefe-do-Executivo não tinha escrúpulos! E não terminou por aí! Angustiado e desanimado ele passou a disparar críticas e impropérios contra “o homem” ; aquele mesmo! Dia seguinte, entre um assunto e outro, ele renovou o seu arsenal de apupos e intensificou o arremesso de carapuças em direção ao Planalto Central; tornou a falar em “escrúpulos” e, categoricamente, traçou uma linha divisória imaginária (tal e qual aquela do Tratado de Tordesilhas) entre ele e o governo inescrupuloso: -“Aqui, eu; lá, ele”! Da maneira que disse o meu irmão, tive a impressão de que ele passaria a esquivar-se de um assunto que dizia respeito a pouco mais de duzentos milhões de brasileiros e o qual, na realidade, deveria ser objeto de lúcidas análises pessoais, embora assentado em um berço de esplendida perplexidade geral. Vamos aos fatos! Ao tecer comparações entre a idade de aposentadoria de brasileiros e europeus, ficou claro que Temer e a sua equipe de fiéis escudeiros não levaram em consideração o clima, a segurança pública, a educação, a qualidade de vida, o atendimento à saúde, enfim o Índice de Desenvolvimento Humano dos habitantes da Suécia, Suíça, Dinamarca e Noruega com quem vive, por exemplo, em pequenos povoados da Caatinga, do sertão do Jequitinhonha ou do pantanal mato-grossense, por exemplo. Então, de fato, faltou escrúpulo ao governo federal ou seja, algo que aprumasse , controlasse ou mesmo impedisse a sua decisão relativa a uma reforma previdenciária que terminará por afetar, de alguma maneira, a esperança de grande parcela de um povo já ressequido pela sede de justiça social neste país de maravilhas para poucos, pouquíssimos. Antes de despedir-me daquele irmão, ousei perguntar-lhe o que ele entende pela palavra “escrúpulo” e a qual havia dito em referência ao presidente:-“Uai, escrúpulo é escrúpulo; uma coisa sem base, sem pé nem cabeça…um trem absurdo, esquisito”! E recorrendo aos ensinamentos do saudoso amigo Frei Antonino de Bronte, disse-lhe: -“Etimologicamente, a palavra escrúpulo deriva-se do latim scrupulus , pedrinha pontiaguda que, entrando em um sapato, incomoda alguém a andar comodamente. Assim, para que tal pedregulho não fira o seu pé, a pessoa sente-se na obrigação de caminhar com extremo cuidado e enquanto obcecada pelo temor daquele “scrupulus” causar-lhe dores, incômodos ou mesmo feridas. De acordo com o que disse meu irmão, conclui-se que faltou ao governo federal um “scrupulus” que o impedisse de agir (ou andar) corretamente; ele não pensou que um desempregado aos sessenta anos ou um pouco mais, terá enorme dificuldade para novamente conseguir um emprego e dessa forma continuar contribuindo com o INSS até atingir a idade de sessenta e cinco anos, em um Brasil onde falta trabalho até para jovens recém-formados em alguma universidade! Restaria – lhe a opção de contribuir na forma de autônomo, recurso pouco provável para trabalhadores de baixa-renda. Por outro lado, sinto que os brasileiros assistem a uma grande parte da imprensa “amarrada” aos interesses governamentais e enquanto sob uma pressuposta ameaça de alguns veículos de comunicação social verem cortadas ou drasticamente reduzidas as suas verbas de publicidade oficial. Acredito que o “scrupulus” de qualquer governo deveria ser o próprio povo; esse, sim, aquela “pedrinha no sapato” de quem se acha suficientemente capaz de governar os nossos passos. Nem tão ruim, portanto, quando uma pessoa diz que somos uma “pedrinha” em seu sapato: ou ela decide retirar-se da nossa vida ou melhora as suas atitudes em relação à nós. Pois é….! Tornando àquele meu irmão: ou Temer admite caminhar com “scrupulus” ou ignora-o e insiste em continuar caminhando até ferir-se, tal e qual deputados e senadores que, graças a um ato do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, poderão ter o seu mandato esticado até 2.020, o que livraria os políticos investigados na Lava-Jato de um enfrentamento nas urnas e uma consequentemente manutenção do seu foro privilegiado. Inescrupuloso esse Maia, não?

Agente Social
Uberlândia-MG

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