Situação insustentável

Paulo Panossian*

O presidente Michel Temer, pode até ter razão quando em seu pronunciamento neste sábado, diga-se, discurso impecável, disse que o Joesley Batista, dono da JBS, cometeu um crime perfeito! Já que, corrompeu 1.829 políticos a custa de R$ 500 milhões de propina, incluindo dois ex-presidentes, como Lula e Dilma, etc., e infelizmente não foram condenados e até presos! Mas, quanto ao áudio gravado no Palácio Jaburu, por Joesley Batista, compromete o Temer, e fica insustentável sua situação para continuar governando o País! Mesmo que consiga, como pede sua defesa, suspender no STF, o inquérito aberto para que seja investigado…
JANOT E FACHIJ SOB SUSPEITA
História de um crime perfeito! Como é possível um cidadão como Joesley Batista, donos do maior frigorífico do mundo, que confessa que corrompe diretores de fundo de Pensão, de bancos estatais, 1.829 políticos de 28 partidos, disponibilizando R$ 500 milhões em propina, ainda afirma que somente para dois ex-presidentes como Lula e Dilma distribuiu US$ 150 milhões, para Temer outros milhões de reais, confessa também ter pagado fortuna para alguns senadores para que votassem a favor da Dilma, para evitar seu impeachment, etc. etc., e este cidadão dono da empresa JBS, volta impunimente de mala e cuia para os EUA?! E diferentemente do que vem ocorrendo com os demais corruptos envolvidos na Lava Jato, o Rodrigo Janot, e o ministro Edson Fachin, ainda aceitaram homologar esta delação, que diria de pai para filho, para Joesley seu irmão, e para outro dirigente da JBS, sem que fossem condenados e até presos, já que, lesaram a Pátria, no pior dos sentidos! O Janot e o ministro do STF, Fachin, devem uma explicação plausível a Nação, do porque este privilégio para os diretores da JBS, que na realidade beira fétida impunidade… Caso contrário, aos olhos da nossa sociedade ficam sob suspeita…

DE PAI PARA FILHO

O delator Joesley Batista, dono da JBS, e seus dirigentes, que corromperam como confessaram 1.829 políticos, e que graças ao lucro que auferiram com as facilidades que encontraram no poder desta República, ainda distribuíram em propina a inimaginável quantia de R$ 1,4 bilhão! E que destes valores, US$ 150 milhões, ou R$ 490 milhões, foram para orgia do Lula e da Dilma… Porém, o Joesley, e seus dirigentes, com cheiro de falta de imparcialidade na decisão do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, e do relator da Lava Jato, no STF, ministro do STF Edson Fachin, se beneficiaram, desde passaportes não retidos, ficam com ficha limpa, sem serem condenados, e passar alguns dias na cadeia! E de quebra, ainda foram autorizados a viajar para N. York, onde moram… Ou seja, presentão de pai para filho! Diferentemente dos mais de 200 envolvidos na Lava Jato, em que boa parte já foi condenado e preso, mesmo cometendo crimes bem menos impactantes que dos diretores da JBS… Que justiça é essa?!…

MELHOR ELENCO É FALÁCIA

O time dito reserva do Palmeiras, que perdeu de 1X0 da Chapecoense, pelo brasileirão, custa bem mais mensalmente que todo o elenco dirigido pelo Vagner Mancini. Esta desculpa do técnico Cuca, de que perdeu porque o time não jogou junto, e por isso não está entrosado é uma falácia. Já que, toda semana como reservas que são treinam juntos, não é verdade?!… E se realmente o Verdão tivesse o melhor elenco do País, como dizem por ai, não poderia se apresentar nesta partida com um futebol medíocre e apático…

*Consultor e jornalista – paulopanossian@hotmail.com

O fim do conspirador e golpista

Roberto Bueno*

O golpista Temer revelou mais uma vez o seu real tamanho e o local que frequenta com maior desenvoltura: às 22h40m recebeu Joesley Batista no porão do Palácio do Jaburu sem qualquer registro na agenda oficial, cujo teor da conversa parece ter assustado até os ratos que por ali habitam. Espécie que gosta dos porões em seus hábitos noturnos, remanesce a dúvida se teria recebido ainda altas figuras da República como políticos e magistrados para bucólicas conversas, assuntos assim nem tão ácidos, mas talvez preservando o hábito da espécie de dar vazão às suas conspirações. Depois do encontro secreto no Watergate, agora, o Jaburu conheceu também outro escândalo político em suas garagens. Não por acaso Temer evitou o registro de Joesley na portaria do Jaburu, pois como iria manter qualquer referência ao tipo de conversa que manteve? Não contava com a gravação.
Este personagem saído dos subsolos, Temer, hoje é investigado por corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa. Temer ouviu a narrativa de crimes e não tomou providências, mas ainda avançou, articulou e indicou a Joesley que fizesse contato com o deputado Rocha Loures para que recebesse milhões em seu nome. Politicamente não temos mais do que um ex-Presidente em funções, pois Temer abandonou o mandato para tornar-se um agente de interesses econômicos privados na cadeira presidencial, onde vendeu, liquidou o público para realizar os próprios interesses particulares, para manter-se alimentado com farto alpiste, tal e como a conversa no porão da República bem atesta. Temer já não pode manter a farsa de que está a governar o Brasil, pois agora mesmo irá ocupar-se, e duramente, de evitar concluir seus dias em algum dos presídios dos quais seu governo fez pouco caso.
Absolutamente, este homem que nunca teve estatura para assumir a Presidência, agora, se superou, pois perdeu todas as condições de governabilidade, posto que já não desfruta de respeito sequer da corja política de vendilhões do templo que lhe deram suporte. Paradoxalmente, neste momento se queixa de ser vítima de uma conspiração, cuja memória ainda fresca lhe recorda dos obscuros caminhos que percorreu para chegar ao poder associado com Cunha, que comprou políticos Brasil afora com os R$30 milhões fornecidos por Joesley (segundo ele próprio) para que pudesse eleger-se Presidente da Câmara Federal em sua disputa com Arlindo Chinaglia.
Temer é um primeiro-ministro terceirizado pelo grande capital financeiro que cai. Mesmo os seus mais diretos apoiadores têm claro que os seus projetos políticos nunca se realizarão com um Presidente absolutamente contaminado e que agora deixou de servir sequer como pinguela. O fato é que contra Temer já não é possível produzir provas ainda mais contundentes do que as que ele próprio realizou em sua fala franca, gravada em reunião por ele mesmo agendada em endereço oficial. Está coberto de densa lama que só um lava jato genuíno poderá limpar. Temer confessou, e do que mais precisamos é energia para empreender o caminho de regresso à normalidade democrática através do reencontro do povo com as urnas. Temer confessou, e do que mais necessitamos para compreender o grave equívoco histórico cometido é dar o justo passo rumo à reestruturação da Constituição, da democracia e das instituições. Não podemos mais hesitar em retomar o caminho da legalidade democrática para fortalecer, normalizar a vida institucional e pacificar a nação.
Engano é supor que a voz de Temer é que foi gravada, senão que ali a sua verdadeira face é que ficou ali impressa, e o que se vê é que ela não é limpa. Temer já deixou suas digitais em outras tantas gravações que o flagraram em ilícitos. Não esquecemos a gravação feita por Marcelo Calero, seu ex-ministro, e nela o Presidente pressionava Calero para que favorecesse ao seu fiel Geddel Vieira para que pudesse adquirir apartamento em Salvador. Quem já esqueceu que Temer foi citado mais de 43 vezes na Lava Jato? Quem esqueceu que Temer teria pedido dinheiro para a Odebrecht financiar o PMDB em 2010 e 2014? Quem esqueceu que Temer foi citado por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que informou que ele em pessoa negociou R$1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita em 2012? Quem esqueceu o cheque nominal de R$1 milhão emitido pela empreiteira OAS em favor de Temer? Esqueceremos que Joesley e Ricardo Saud, do grupo JBS, delataram ter negociado o pagamento semanal de R$1 milhão para o hoje afastado deputado Rodrigo Rocha Loures – segundo Temer, “de sua total confiança” – que logo reverteria a quantia em favor do Presidente para que favorecesse a empresa ao quebrar o monopólio da Petrobrás para que construísse termelétrica Cuiabá-Bolívia?
Hoje esperamos que todos os que atacaram o governo popular de forma sincera e bem intencionada percebam o quanto foram instrumentalizados apenas para que alguns homens realizassem as suas mais altas aspirações de destruir um Estado realizador de políticas redistributivistas. O modelo deste homem nefasto é Aécio Neves, que se auto-intitulou capitão da nova política, e que foi incensado como impoluto e promissor engenheiro do novo Brasil: capitão de malta. Nada mais vetusto, e velhaco. Estamos a ver como caem as máscaras, uma por uma, e por trás dos rostos bem delineados pelas ações de marketing, agora, percebemos faces putrefatas. Os capitães do golpe são homens de bens, mas nunca de bem. E agora, é que acaso a esquadrilha aérea de Aécio finalmente irá decolar?
O golpe de Estado inaugurou, de fato, um sistema parlamentar que agora ameaça legar o poder Rodrigo Maia, o sucessor, tão comprometido jurídica e eticamente quanto o seu grupo antecessor. O bloqueio precisa ser construído pelas eleições diretas. Perdendo a sua base parlamentar de forma aberta e pública o golpista Temer, se não compreender, logo o apresentarão aos fatos: será retirado de sua cadeira pelo mesmo Congresso que ali o permitiu sentar, e com a sem-cerimônia que a sua talha bem merece. Temer está absolutamente só e será derrubado nos dias seguintes à publicação deste texto no dia 22 de maio de 2017, cenário que deve ser coabitado pelas delações que envolverão ministros das mais altas cortes deste país (algum deles de origem fluminense e comprometido por Cabral), mas também os bancos e o maior setor da grande mídia estão na pauta. A nova guilhotina à brasileira arrastará ainda muitos outros mais e de maior talha do que o ínfimo Temer. A guilhotina foi acionada irresponsavelmente sem que os seus atores recordassem que adquire ela dinâmica própria, e hoje ela começa o seu democrático serviço por Aécio que deu início ao processo de criminalização da política após perder as últimas eleições presidenciais.
O Brasil não vive apenas o ocaso de um Governo derivado de um golpe de Estado cuja face visível foi uma figura do século XIX com educação pré-medieval. A patética figura de Temer em seu discurso televisado no Planalto procurando ser assertivo ao afirmar que não renunciaria recebeu meia dúzia de palmas de seu séquito. Incomum e ilustrativo: Temer está só, absolutamente. Temer tornou-se peso insuportável, pois tem um passivo muitíssimo mais expressivo do que o até agora colocado a descoberto, e o único fiador é justamente Eduardo Cunha. Temer sairá pela porta que merece da vida política brasileira: a dos fundos. Sairá através dela para a estante em que ficam arquivados os malfeitores, compartilhando espaço com os piores traidores da pátria.
Temer inventou subterfúgios impossíveis e histórias improváveis, patológico, mente, nega crimes admitidos por sua própria voz inequivocamente gravada com a clareza necessária. Culturas há em que, por muito menos, envergonhados, homens terminam por observar as sombras que carregam em suas profundezas e, insatisfeitos com o que enxergam, e do que fizeram consigo mesmos, terminam por abster-se de dar curso a tão miserável existência. Corpos há que, contudo, não se livram de suas sombras e permanecem prisioneiros à sua autoimagem como forma de buscar proteção destas suas profundezas mais abjetas. Muito brevemente Rocha Loures desligará os aparelhos. Temer apagará a luz.

*Professor Doutor

Gatos e ratos

Marília Alves Cunha*

Nem há o que se dizer diante da situação em que se encontra a pátria amada, pois estamos vivendo crises que não se resolvem, pelo contrário, aumentam de tamanho a cada dia ou a cada hora. Vivemos em situação permanente de excepcionalidade, perdemos a nossa confiança e a esperança em dias melhores, sem saber se oramos ou xingamos, se lutamos ou nos deixamos levar pela maré da sorte, se acreditamos ou ainda tentamos duvidar da parafernália fantástica que nos levou ao caos.
Por um acaso chegou-me às mãos um texto do nosso inesquecível Rubem Alves, escrito em 2004 e, diante dos acontecimentos, diante do fato de que a ânsia do poder e a ambição levaram as pessoas a atentarem tão violentamente contra a pátria, peço licença para reproduzir neste blog.
O sonho dos ratos
“Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha. Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade. Mas ninguém ligava para as diferenças, porque estavam todos irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade… Bem pertinho é modo de dizer.
Na verdade, o queijo estava imensamente longe porque entre ele e os ratos estava um gato… O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajosos se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era um vez um ratinho… os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro…
Como nada pudessem fazer, reuniam-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe para quem) e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. ”Quando se estabelecer a ditadura dos ratos”, diziam os camundongos, “então todos serão felizes”…
– O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.
– Socializaremos o queijo, dizia outro.
E todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam! Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta era uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem, crescem sempre. E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando : “ O queijo, já…”
Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um grito retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu. Bastou a primeira mordida. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem. Assim, quanto maior o número de ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. A briga começou. Os mais fortes expulsaram os fracos a dentadas e, ato contínuo, começaram a brigar entre sí.
Alguns ameaçaram chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos: “Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”. Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando. Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra. Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.”
Pois é, lendo este texto escrito em 2004, mas que serve a muitas ocasiões, podemos refletir sobre várias coisas. A reflexão é livre, assim como qualquer conclusão que se possa tirar. Como são estranhos os seres humanos nos seus encontros e seus antagonismos… Ops, desculpem-me, estamos falando de gatos e ratos…

*Educadora – Uberlândia

Ainda há tempo

Gustavo Hoffay*

Em se tratando da Operação Lava-Jato, tudo o que foi dito pelos delatores até a presente data permite até ao mais distraído observador, conceber que considerável banda do Poder Legislativo Federal está moralmente desacreditada, falida, soçobrada, perdida em si mesmo e que torna-se cada dia mais difícil uma saída ao menos honrosa para muitos deles que encontram-se sitiados no majestoso prédio do Congresso Nacional, pelo simples pavor de terem de encarar os seus próprios eleitores. Tudo o que já foi descoberto, falado e investigado sobre o maior esquema de corrupção da história mundial, infelizmente continuará emoldurando os próximos grandes eventos a serem realizados em Brasília e a partir de um bem possível velório da esperança, uma jovem porém mutilada senhora neste país. E antes do seu sepultamento espera-se, ainda, que patriotas e assaz contrariados brasileiros soltem os seus rojões e façam buzinaços como a uma manifestação pacífica ante tudo o que contraria e causa danos mentais a milhões de nós. Não descarta-se a realização de uma missa de corpo presente, mas não sem antes demonstrarmos nossa total insatisfação com aqueles que desfiguraram a senhora Esperança antes de mata-la e que, em vida, agiam obstinadamente contra uma democracia decorosa. Somente por efeito de uma pressão popular assaz forte porém disciplinada, é que o povo deste país poderá contribuir incisivamente para a sua liberdade desde as garras de governantes gananciosos e até a algum tempo insuspeitos de qualquer envolvimento em crimes de lesa pátria. O Brasil precisa urgentemente ser salvo do depauperamento social e econômico que o impede de avançar, de aperfeiçoar-se, adaptar-se a situações que não envolvam corruptos e corruptores, sob o risco iminente de estandardizar-se, recomeçar sempre, indefinidamente e a partir de podres e obsoletas formas de praticar-se política nos sentidos corrente e correto. Consciente disso, cada brasileiro responsável está obrigado a empenhar-se na prática e na difusão de uma real democracia e ser portador da esperança por um Brasil governado por políticos realmente descentes e honrados. No dia que dermos conta da nossa capacidade de continuarmos em um caminho rumo a um futuro melhor para todos nós, ao futuro que ansiamos e confiando nos trabalhos originados a partir dos políticos que escolhemos para representar-nos, deixaremos de perder tempo precioso com polêmicas originadas de poderosos que julgam-se donos do nosso país, pois enxergaremo-nos ainda mais fortes. A considerável importância de que se revestem informações, delações e os resultados de investigações da Policia Federal sobre os diversos casos de corrupção e vantagens indevidas que, direta e indiretamente, envolvem políticos e poderosos empresários ilustram, cada vez mais, o ponto a que chegaram as esferas governamentais. Tudo o que chega até a nós pela imprensa, diariamente, se explica pelo fato de que, para nós, está em evidência a descoberta de uma nova forma de praticar o jogo político tupiniquim e a qual, é claro, não foi informada a nós devido aos autores de tanto malabarismo evitarem a realização de “furos” jornalísticos espetaculares e de forma ainda mais consistente que os anteriores, uma vez que já voltam os seus olhos para as eleições do próximo ano. Considerando-se verídicas todas ou a maioria das delações premiadas e até aqui ocorridas, confirma-se mais uma vez os traços da personalidade e do caráter de quem elegemos na esperança de conduzir os destinos do nosso Brasil. O pior ainda pode vir a ocorrer, se forem aprovadas as novas regras de eleição e já a partir do próximo ano, quando estaríamos todos sendo coniventes com a pratica indireta de mais um crime contra o nosso país. Algo precisa ser feito e da maneira mais justa possível, para que não passemos à história como o povo mais aparelhado para enfrentar situações que colocam em risco a nossa democracia mas que, infelizmente, deixou-se repousar acovardado sobre o seu berço esplendido.

*Agente Social / Uberlândia(MG)

A morte das utopias

Benito Salomão*

Primeiro surge a grande bolha, em seguida surge o grande consenso sob ideias vendiam a possibilidade de desenvolvimento na ausência de sacrifícios, com isto surge a grande euforia, pautada no discurso ufanista estruturado no jargão “nunca antes”, após tudo isso surge o choque de realidade, e com ele surge a grande frustração, seguido pela grande crise que promove um grande mal estar, e após demorados anos surge o grande pessimismo e em meio a tamanha tragédia, vivemos hoje a morte das utopias.
A morte das utopias emerge num momento em que o ano de 2017 se dá como outro ano perdido, outro entre tantos em meio a nossa história recente, é possível que estejamos diante de uma década perdida, em aspectos econômicos com certeza será, dado que nossas médias de crescimento estão condenadas a um desempenho próximo de 1% ao ano. O custo em termos de desemprego, queda na renda e mal estar material promovido por um desempenho tão medíocre em uma década, parece alto no curto prazo, dado que estes fatores interferem diretamente na nossa qualidade de vida e cidadania. No entanto, este custo se torna desprezível num horizonte de longuíssimo prazo, de 50 ou 60 anos, se sob os aspectos dos valores, os aprendizados com a crise atual, migrar este período de uma década perdida, para uma década encontrada.
No último dia 31/03 ocupei este espaço escrevendo um artigo intitulado “A armadilha da meia melhora”, nele alertava sobre os riscos de um pequeno alívio econômico que se punha no início deste ano, estar acompanhada de uma anestesia política que não alterasse o nosso comportamento social no campo dos valores. Em outras palavras, disse que uma meia melhora econômica desacompanhada de uma considerável melhora nos hábitos e na administração pública, seria apenas um intervalo temporal entre a crise atual e a próxima, dados que os fundamentos da patologia que atiraram o país na maior depressão da história, não estavam em conteste.
Hoje, pouco mais de 6 semanas desde a publicação do supracitado artigo, acompanhamos com espanto (mas não surpresa), o flagrante que envolve o presidente em exercício e um dos principais presidenciáveis para as eleições de 2018 em um esquema repugnante de chantagem, propina e obstrução da justiça. Diante da podridão que veio à luz esta semana, uma conclusão, o intervalo entre a crise atual desenhada na “Armadilha da meia melhora” e a próxima crise, foi curto, e a meia melhora antes anunciada cederá espaço para uma grande piora, e tudo isto tem como principal causa a morte das utopias.
É preciso ressuscitar as utopias para que o país volte a ter esperança, isso só será possível, se a melhora econômica vier precedida de uma melhora nos valores cultivados socialmente, mas quais são eles?
O primeiro valor a ser perseguido pela sociedade emergente é a democracia como valor inegociável. Além deste, a defesa das liberdades individuais, que incluem liberdade de imprensa, fundamental na divulgação e no registro de tudo que está sendo passado a limpo, mas também as liberdades de expressão e de livre iniciativa. Devemos ainda perseguir como valores a ética e a moralidade na vida pública, são aspectos distintos, no que se refere a primeira, tem-se o rigoroso cumprimento das leis (desde o código penal, até as simples leis orçamentárias que foram desrespeitadas por aqueles que se julgam acima da lei), no que se refere a segunda, tem-se aquilo que é permitido pela lei, mas não é moral, ou é tido como privilégio aos olhos de quem está de fora (supersalários, por exemplo). É preciso ter isonomia de regras e oportunidades, privilegiar a meritocracia frente aos lobbys. E finalmente é preciso que o governo seja institucional, com papéis bem definidos para cada instituição e que tais instituições sejam guardiãs de princípios e valores e não de interesses particulares como hora acompanhamos com desgosto nos noticiário.

*Bacharel e mestre em economia – www.benitosalomao.com

Diretas já!

Roberto Bueno*

Michel Temer já é um cadáver político insepulto que exala mal odor há muito tempo, um zumbi a quem o dinheiro paulistano conferia força de ação política. Sempre foi um fantoche no poder, manipulado por toda a falsa base de apoio político que cobrava altíssimas somas em espécie para aprovar os projetos econômicos dos sócios do já ex-presidente-fantoche. Tais projetos visaram exclusivamente maximizar os lucros dos bilionários que comandam o poder político exercido por terceirizados como Temer. O projeto em curso extrairia benefícios para os bilionários à custa da população, que durante vários anos experimentou uma sensível melhoria em suas condições de vida.
Agora, com a quebra do sistema democrático-constitucional e a ruptura de mínimas bases de representatividade parlamentar, eis que a população mais pobre e a classe média foram chamadas a pagar a conta da alta transferência de recursos que o governo golpista de Temer. Hoje termina o consórcio entre os atores jurídicos, o empresariado, os falsos representantes políticos e a grande mídia que, por certo, já aciona o seu plano “b”, pois não está mais em condições de dar-lhe suporte sem hipotecar a si mesma. Game over.
A partir da noite deste dia 17 de maio de 2017, Temer já é um ex-Presidente em funções, desde que veio a público o teor da delação dos proprietários do frigorífico JBS, os irmãos Batista, na qual denunciam a entrega de dinheiro a Aécio Neves e Eduardo Cunha. Milhões para que ficasse calado e nada dissesse contra Temer, que aparece na gravação pedindo que os valores pagos para que Cunha não falasse fossem mantidos. Os irmãos Batista gravaram Temer dando aval para comprar o silêncio de Cunha após a sua prisão. Também gravaram o Senador Aécio Neves pedindo R$2 milhões de reais que foram finalmente entregues a um intermediário indicado pelo Senador. Detalhe: toda a operação foi filmada pela Polícia Federal, que seguiu a pista do dinheiro através da prévia numeração da série do dinheiro entregue e também com a colocação de chips eletrônicos nas malas que, por certo, teriam ido parar em empresas de Zezé Perrella com quem, recordemos, parece já ter ocorrido algum fato envolvendo a ambos os personagens e um helicóptero carregado de cocaína, caso aliás nunca bem explicado.
Honrando minimamente o direito, algo do que tampouco devemos nos fiar tanto assim, eis que se pode assumir que Temer já tem a data de validade carimbada em sua testa, e em nenhum caso deverá passar do dia 6 de junho de 2017, quando o Tribunal Superior Eleitoral julgará a chapa que compôs com a legítima Presidente Dilma Rousseff. Temer está sendo defenestrado do poder muito tardiamente. Mas cabe notar que a sua saída obedeceu o mesmo rito que Eduardo Cunha em seu momento. Cunha foi mantido pelos mesmos atores que apenas agora tornam públicas as provas contra Temer. Nos dois casos os personagens eram figuras conhecidas, mas foi permitido que executassem em consórcio com os elementos antipolíticos e ilegítimos toda a rapinagem nos bens públicos e dessem curso ao processo de desconstitucionalização do país. As altas instâncias jurídicas do país permitiram liberdade para que um conjunto de vândalos tripudiasse sobre a nação. Fizeram o mesmo com Cunha, permitindo que levasse a termo o golpe contra Dilma, e uma vez finalizado, como se esperava, perdeu a utilidade, e foi preso. E contra os demais que hoje estão na ribalta o roteiro será idêntico ao do jacobino Robespierre.
Já não será mais possível para o Poder Judiciário ou para o Ministério Público em qualquer instância segurar as provas contra ele. Temer caiu, Aécio caiu, Cunha já tinha caído, mas através destes fatos se consolida, cristalina e limpidamente o golpe que todos arquitetaram e implementaram seduzindo muitos homens e mulheres de boa-fé. Hoje se ergue a verdade, e a real narrativa do golpe começa a ser exposta com toda a sua clareza, a de uma quadrilha de corruptos que se articulou para defenestrar do poder uma Presidente que não impediu em nenhum momento as investigações da Polícia Federal e nem tentou interferir em qualquer instância do Poder Judiciário ou do Ministério Público.
Os peixes graúdos envolvidos na conspiração que redundou no golpe tiveram, quase todos eles, contas secretas descobertas em bancos no exterior onde recebiam os recursos derivados de seus atos de corrupção no Brasil, mas Dilma não teve. Toda a quadrilha instalada no poder foi alvo de inúmeras citações nas delações premiadas pelos valores recebidos pessoalmente ou através de terceiros. Agora, resta a pergunta: por qual motivo as mais altas cortes da República não agiram a tempo para salvar o país dos assaltantes do poder? Por qual motivo não agiram a tempo para evitar as gravíssimas consequências da desconstitucionalização dos direitos sociais?
Temer foi flagrado em gravação assim como em seu momento também Sérgio Machado gravara outros articuladores do golpe como Romero Jucá, que naquela oportunidade já dizia com todas as letras da necessidade de ter de tirar a Presidente Dilma do poder, para “estancar a sangria”, para barrar as investigações. Então, a gravação não poderia atingir duramente o grupo de conspiradores, pois ainda era necessário que o golpe desse seus frutos. E assim foi. Agora vem à tona a delação e a gravação feita pelos irmãos Batista e que implica diretamente a Temer. Outra pergunta que se impõe é sobre os motivos de a Rede Globo de Televisão, como de hábito, não veicular o áudio comprometedor de Temer nem de Aécio… Por qual motivo todos os áudios que prejudicavam politicamente Dilma e Lula foram prontamente veiculados e não contra Temer e Aécio? Quem ainda tem dúvidas sobre a resposta?
O perfil de todos os homens que arquitetaram e executaram o golpe já está muito claro, e todos foram caindo, um a um, desde os primeiros meses do governo golpista, e todos por motivos idênticos, apenas com variações. O golpe custou 500 milhões ao alto empresariado brasileiro segundo fontes internas do Congresso Nacional e também confirmadas por artigo do jornalista José Carlos de Assis. A conta foi paga e a entrega do produto precisava ser feita e havia justificada pressa. Assim vieram os ataques viscerais à liquidação dos direitos dos trabalhadores, o ato de rifar os direitos à saúde e educação, o comprometimento do orçamento durante os próximos vinte anos, o ataque ao sistema da Previdência Social, em suma, a desconstitucionalização dos direitos sociais. O governo golpista foi colocado no poder para isto, mas ora finda sem entregar todo o produto, o que se deve, em grande parte, às forças do imponderável.
Os financiadores do golpe tinham pressa em aprovar as suas medidas justamente por saber que o seu fantoche era frágil demais, comprometido demais. A pergunta que a todos ocupa agora é sobre como constituir um novo processo eleitoral. Tantas foram as articulações espúrias realizadas no Congresso Nacional que é chegada a hora de dar uma única resposta positiva à população e que encontrem o caminho legal, pois legítimo é, para que sejam prontamente realizadas eleições diretas para a Presidência da República. A todos que tardam em entender o tom convém recordar que nunca é conveniente enganar o povo e que mesmo o sacrifício dos fatos no altar da hipocrisia é opção que precisa ser realizada com moderação. É tempo de parar de tensionar cordas que já não tem o que mais dar. O povo brasileiro tem encontro já marcado com as ruas para defender o seu direito de escolher o Presidente da República neste gravíssimo momento de nossa história. O povo brasileiro tem encontro marcado com as ruas para defender os fundamentos da democracia contra aqueles que insistam em não querer abrir o processo eleitoral para que o povo decida os seus caminhos. O povo brasileiro não admitirá senão o caminho das urnas e, portanto, apenas uma pode ser a divisa que uma os democratas de todos os campos que aspirem pela pacificação nacional: DIRETAS JÁ!

No dia 17 de maio de 2017 caiu a máscara do conjunto dos homens que ocuparam a cena no Congresso Nacional em deprimente tarde de domingo para apontar o dedo contra um Governo eleito por 54 milhões de votos e concretizar o golpe de Estado contra o povo brasileiro, sabedores dos benefícios que aguardava a cada um deles.

*Prof. Pós-Doutor. Faculdade de Direito. UnB (CT). E-mail: rbueno_@hotmail.com

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