Quem quer ser milionário?

William H Stutz*

O título aí no alto faz menção ao deslumbrante filme “Slumdog Millionaire”, do diretor Danny Boyle, laureado com dez indicações para o Oscar de 2009. Faturou oito. Em português o título ficou igual aos medíocres programas televisivos que prometem, mas ninguém leva a bolada prometida. Não posso reclamar, pois assim consegui o que considero mais difícil para meus pobres e humildes escritos: Título.
Deixemos, pois, em paz, a cinéfila, esporte que pratico solitário e sem aventurar em críticas e análises. Deixo missão para os especialistas.

Não sei se vem acontecendo com você, mas de um tempo para cá minha caixa de e-mail vem sendo bombardeada por mensagens, com promessas mirabolantes de como se tornar um milionário e sem participar das “gags” televisivas. Isso mesmo, e-mail, pasme, ainda uso este velho recurso. Não me deixei seduzir pelas mensagens instantâneas de Whatsapp, mensseger, Instagran e afins. Claro que uso todos, mas e-mail não saiu de moda. Tenho saudades até do idoso ICQ!

Recebo mensagens oferecendo fundos de renda fixa, mesmo com a inflação em baixa (será?), a taxa SELIC miúda, o INPC negativo, o PIB crescente (hummm) e PNB sendo maior do que esse último. Se entendo de economia? Absolutamente nada, mas de tanto receber tais propostas milagrosas pus atenção e pesquisa. Bitcoins, CDBs, IGP-M, CDIs e muitas outras siglas e expressões invadem meu cotidiano, meu vocabulário macro econômico está em alta. Então vende! Grita um. Compre na baixa, venda na alta.

Eu hein Rosa!
Outro dia um email me conta que posso fazer meu primeiro milhão aplicando cem contos em “apenas” 30 anos. Cara, eu não tenho trinta anos para esperar como a história na bacia sobram poucos pequis para roer, e, mesmo que tivesse, o que iria fazer com essa fortuna naquela altura de minha vida?
Gostei da Bitcoins. Não pelo investimento em si, pois não sei cuidar nem de finanças domésticas. Mas o nome impõe e me alegra saber que ela é sem ser. Não existe de verdade, não tem como juntar no porquinho de barro ou debaixo do colchão. A sonoridade do nome encanta por si só, fale baixinho e devagar BIT (respira) COIN. Pronto já me sinto milionário. Essa não tem banco te sugando, não tem gerente te vendendo sonhos, não tem nada. Ela não existe, mas é. Literalmente um “Bit”. Dizem que quem comprou um desses impulsos binários há três anos ficou muito rico. Muito legal.
Porém, o que eu queria entender é simples. Se esses caras que te enviam mensagens e, como disse, são muitas vendendo sonhos de riqueza fácil, têm a infalível fórmula mágica de alcançar o pote de ouro, deveriam então ser todos magnatas. Concorda? Então pra que ficar espalhando a notícia? Altruísmo, filantropia? No mundo mesquinho das finanças onde até coelho engole lobo? Aqui “procês” ó!

O mineirinho de cá, escaldado está até com coisinha pequena. Já perdeu amigo por emprestar merreca. O cara sumiu. Mal sabia ele que nem cobrar eu iria. Envolveu dinheiro fica o ditado: “Confia no amigo, mas amarra o camelo”. Sábia placa do saudoso Barari, lá na beira do mar capixaba onde guardo minhas mais belas e também as mais tristes lembranças.
Se você meu amigo estiver recebendo mensagens de fortuna fácil fique esperto. Amarre-se no mastro, pois o canto da sereia é suave e encantador, mas a realidade é outra bem diferente. Ulisses rei da ilha de Ítaca, em sua Odisséia que o diga.

Tem a história do moço que morreu e foi para o céu. Chegou lá uma onça de bravo. Quis audiência de pé de ouvido com Deus. Depois de muito esperar foi atendido. Afinal, Ele é super ocupado, mas já que o moço não queria despachar com santo nem anjo…
Já entrou esbravejando: – Pô Seo Deus, eu fiz tudo direitinho lá embaixo, segui à risca seus mandos, nunca pequei. Bom, desejei a mulher de um próximo hora ou outra, mas sempre confessei arrependimento. A única coisa que pedia era para ganhar na mega-sena, e olha que coisa, o Senhor nunca, nunquinha me atendeu. O peito arfava e tremia, com os olhos parecendo de maritaca de tão vermelhos.

Ele, sereno, coçou a longa barba branca e com candura respondeu. – Meu filho, sabe que recebi seus pedidos sim e até queria que você ganhasse, mas você nunca jogou! Aí não teve jeito!
Quer saber, vou ali fazer uma fezinha na mega-sena, pois vai que uma hora dá certo. Tá escutando Altíssimo?

*Veterinário e escritor

Filosofia e Psicanálise

Shyrley Pimenta*

Os filósofos buscam, desde Platão, caracterizar o que seria bom para a vida do ser humano, considerando, de certa forma, que todos somos iguais, já que todos temos uma “razão” e uma “natureza” humanas. Partem do pressuposto de que buscamos todos um mesmo objetivo – o bem – e tentam orientar-nos no sentido da busca objetiva desse bem, exortando-nos a fugir das armadilhas perigosas que nos são colocadas pela aparência das coisas, pela leitura singular de mundo, que a nossa subjetividade nos impele a fazer. Enfim, a filosofia busca um denominador comum, um bem tamanho único: o que é bom para um, seria bom para todos.

A Psicanálise, por seu turno, busca o diferente, aquilo que é, para cada ser humano, o bem, a vida plena. Para Freud, cada ser humano é único, possui seu próprio e particular universo de fantasias, é conduzido por mecanismos também diferentes (geralmente inconscientes) e que o direcionam no sentido da busca de uma vida feliz, ajustada ao tamanho de seu próprio e singular desejo.

É certo que Freud desejava, enquanto cientista, alcançar uma verdade objetiva e seu trabalho analítico visava recolocar os pacientes frente à realidade. Mas de que realidade se tratava? Certamente, não se tratava do “real” de Platão. A realidade freudiana era apenas uma espécie de “consolo”, algo em que se precisava crer para ser menos infeliz, para não enlouquecer.
O filósofo Jonathan Lear debruça-se sobre a tensão existente entre Platão e Freud em seu livro “Felicidade, Morte e o Restante da Vida”, a partir da análise do Mito da Caverna, a seu ver, uma metáfora central da filosofia ocidental. Segundo a narrativa de Platão, afirma Lear, só pelo uso da razão poderemos libertar-nos do mundo das aparências – essa caverna escura – e nos defrontarmos com os objetos do mundo real, não mais ofuscados pelas sombras da fantasia, mas plenamente iluminados pela luz emanada do Bem.

Em “Além do Princípio do Prazer” (1920), Freud afirma que a metáfora da caverna restringe e falseia a visão da totalidade das possibilidades humanas. O homem tem sede de diferenciação, e o contexto filosófico, ou religioso, só faz colocar limites à gama imensa de tais possibilidades. A ótica filosófica, ou religiosa, seria apenas uma interpretação a mais, entre inúmeras outras. O livro de Lear coloca sob o mesmo rótulo – o do fracasso – Filosofia e Psicanálise. Para ele, a Filosofia fracassa quando pretende abarcar todas as possibilidades humanas, a partir da análise descritiva da natureza humana; de forma semelhante, a Psicanálise fracassa, pois seu conceito de fantasia não consegue manter no inconsciente aquilo que o sujeito prefere não saber.

Assim, não haveria uma visão plena do todo, como o queria Platão, nem tampouco a normalidade psíquica absoluta. O homem contemporâneo, capturado pela rede do capitalismo, que força o advento das patologias do espírito, o estresse, o pânico, as depressões, seria uma espécie de “águia debatendo-se nas grades de uma gaiola”. E as forças de resistência adviriam através da arte: dança, música, literatura… só tais forças seriam capazes de perpassar o sujeito, individualizando-o e potencializando o seu amor à vida, que deve ser sempre amada e reafirmada por inteiro. Parodiando o filósofo Nietzsche: sem a arte – a dança, a música, a literatura… a vida seria um erro, um abuso, um exílio.

Psicóloga clínica – Uberlândia – MG

Manipulação da Standard para privatizar a Previdência

J. Carlos de Assis

Se alguém tinha dúvidas sobre o que é jornalismo objetivo e o que é manipulação da opinião pública pela mídia teve uma excelente oportunidade de fazer essa distinção tomando como referência a “cobertura” do rebaixamento pela Standard & Poor´s da sua nota de crédito para o Brasil. O fato, em si, da atribuição da nota é irrelevante. É que a Standard não tem crédito para dar crédito a empresas e países. Deu notas máximas aos bancos norte-americanos antes do colapso financeiro de 2008, que custou trilhões à sociedade e ao mundo.
O que aconteceu agora foi uma manobra de manipulação explícita. A agência está integrada à quadrilha do grande capital financeiro mundial que quer forçar por todos os meios a reforma previdenciária infame no Brasil. Se ela desse uma nota alta ao país teria reconhecido que a política econômica de Henrique Meirelles vai bem. Era preciso piorar a nota para dizer que, além da liquidação da CLT e do congelamento por vinte anos do orçamento, falta fazer a grande reforma da Previdência para que o Brasil volte a crescer.
Não é preciso um acordo às claras para imaginar que a Standard combinou com as duas outras agências, Moodys e Fitch, uma escala de rebaixamento que preservasse o moral de Henrique Meirelles mas que assim mesmo possibilitasse a pressão política sobre a Previdência. Por isso atacou primeiro enquanto as outras duas esperam melhor oportunidade. É claro que nada disso tem a ver com a real credibilidade de um país que tem quase 400 bilhões de dólares em reservas. O problema é expandir a todo o custo a privatização.
Juntando o noticiário de quinta-feira com o de sexta, a Globo deve ter dedicado uns bons 20 minutos do Jornal Nacional para bombardear seus telespectadores com a “notícia” do rebaixamento. Não foi tanto no Jornal da Globo,que é mais elitista. Foi no jornal destinado às massas. É claro que esse público não está muito interessado em agência de risco e classificação de crédito. A Globo insiste nesse noticiário porque sabe do efeito subliminar de uma cobertura de massa sobre as consciências. Fez isso muito bem com o mensalão e a Lava Jato.
O propósito, obviamente, é massificar junto à opinião pública o conceito de que, sem reforma previdenciária, o Brasil não sairá da crise. O que normalmente seria recebido como um fato negativo, o rebaixamento da nota, passa a ser um instrumento para mobilizar a opinião pública a fim de pressionar o Congresso ainda relutante a apoiar a reforma. E o que tem isso a ver com a retomada do crescimento? Absolutamente nada. O problema do crescimento, se tivesse de ser resolvido, teria de ser resolvido por outros caminhos.
Quanto à reforma previdenciária, seu objetivo é abrir espaço para a generalização da previdência privada, chamada de capitalização – que permitiria a manipulação pelo setor privado de bilhões de reais em fundos -, e não em bases correntes, onde a geração atual paga pela passada fora das negociatas privatistas. Para isso, é preciso piorar a Previdência pública pois poucos sairiam dela se, como acontece hoje, tivesse um nível de atendimento razoável. Não importa para o capital que tenha sido retumbante o fracasso da privatização da previdência feita pelo governo do ditador Pinochet no Chile. Ele atende à alta finança, e isso basta.
Suponhamos, porém, para efeito de raciocínio, que a Standard seja uma agência de risco de boa fé. Nesse caso ela rebaixaria, sim, o Brasil. Porém não por causa da Previdência. Mas por causa da depressão econômica por três anos seguidos (que o Governo nega, mas só convence os trouxas), por causa do alto desemprego, da reprimarização da economia, da desindustrialização, do retalhamento da Petrobrás, da intenção estúpida de privatização do setor elétrico – tudo conspirando, sob a batuta de Meirelles, para um prolongado ciclo de contração da economia. Até que, pela graça de Deus e força dos homens, seja derrubado.

*Professor de Economia e jornalista. Autor dos livros: A Chave do Tesouro, A dupla Face da Corrupção e Os sete mandamentos do Jornalismo.

O assalto à bolsa do povo com a infame reforma previdenciária

J. Carlos de Assis

Caso a infame reforma previdenciária defendida pelo Governo não passe, gerações atuais e futuras não correrão o menor risco de não receberem seus proventos quando se aposentarem. Ao fazer uma escalada de ameaças em sentido contrário, Michel Temer mente. Ele não tem poder de mudar as regras por conta própria. De fato, não há brecha constitucional para que o sistema atual venha a falir. O financiamento da Seguridade Social é um bem protegido pela Constituição. Cumprida a Constituição, ela será tão viável quanto sempre foi.
Com a infame reforma, o Governo busca empurrar grande parte da população, hoje atendida pelo sistema previdenciário público, para a previdência complementar. São bilhões de reais a serem carreados para os bancos. Isso não tem nada a ver com a fragilidade atuarial do sistema. Para melhor entender o processo basta uma lida ligeira na Constituição. Ela criou o Sistema de Seguridade Social, incluindo Previdência, Saúde d Assistência Social. A Previdência é financiada por trabalhadores e patrões. Ela se paga e gera superávit.
Saúde e Assistência Social são financiadas por outras fontes, a saber, Cofins, Contribuição sobre o Lucro Líquido, rendimentos de fundos públicos, loterias. Também seriam superavitárias se o Governo não usasse esses recursos para fazer superávit primário e pagar os indecentes juros da dívida . Por que o Governo quer de toda a forma meter a mão nos cofres da Previdência? É simplesmente porque o fluxo líquido de recursos da Seguridade a serem presenteados aos bancos vem das contribuições previdenciárias, e não das outras fontes.
Vejamos como se pretende organizar esse processo de alta rapinagem. Se o Governo quiser transferir ao setor privado recursos do Cofins e da CLL, por exemplo, não teria como fazê-lo. Mesmo pessoas tão bondosas com os Marinho não teriam acesso direto ao caixa do Tesouro. A situação muda com a Previdência. Se o Governo cortar o teto da contribuição pública num nível, digamos, de R$ 5 400, como previsto, o trabalhador de classe média que ganha mais do que isso terá que se virar junto a uma previdência complementar privada para manter próximos ao salário seus proventos na inatividade.
Quando o genocida Augusto Pinochet se apossou do Chile nos anos 70 e 80, e trouxe para ajudá-lo a quadrilha do Milton Friedman, o consenso entre esses facínoras foi privatizar a Previdência. De um regime que matou dezenas de milhares de opositores, com franco patrocínio dos Estados Unidos, não se podia esperar outra coisa. A Previdência como esquema solidário – a geração atual paga pela geração passada, e a geração futura paga pela geração atual – cedeu lugar ao sistema de capitalização, que não passa de uma gigantesca picaretagem com a massa de contribuições de trabalhadores.
A “liberdade de mercado” do sistema previdenciário chileno, algo que se quer generalizar aqui, está expressa em taxas de carregamento cobradas por algumas administradoras de fundos que vão de 12% a 25%. Nem todo mundo está acostumado com essa terminologia, de forma que é bom explicar o que se entende por carregamento. É a taxa cobrada pela administradora para gerir o dinheiro do depositante. Imagine você fazendo uma poupança de 100 por mês. Para cada depósito que você fizer, a administradora fica com 25. E aplica ao bel prazer os seus 75. É claro que isso é um insulto à boa fé das pessoas.
O sistema previdenciário chileno foi imposto no início dos anos 80. Os grandes liberais do mundo inteiro o saudaram como uma solução definitiva para os problemas previdenciários e orçamentários do Governo. Os “bagrinhos” que dispunham de salários muito baixos foram remetidos a um sistema público residual em que pagavam 10% do que recebiam e tinham a perspectiva de se aposentarem com 70% do salário. Todo o sistema ruiu, e hoje é visto com ódio pelos chilenos, dos quais 2 milhões foram às ruas em recente manifestação de protesto. Já as grandes administradoras de fundo vão muito bem. Gerem algo como 250 bilhões de dólares de patrimônio!

*Professor de Economia e jornalista. Autor dos livros: A Chave do Tesouro, A dupla Face da Corrupção e Os sete mandamentos do Jornalismo.

Robotização pelo petismo

Percival Puggina

Na tela do PC, em fonte tamanho 40, o e-mail exibia uma dessas frases nos quais o autor berra em caixa alta: “Quem é o imbecil que escreveu tanta bobagem? O sujeito consegue falar esse monte de asneiras sem sequer usar a palavra capitalismo”.

Seria eu o imbecil? Não, ufa! O texto que indignara o missivista era um artigo do excelente Rodrigo da Silva, editor do Spotniks. Citando fontes oficiais, exibia dados sobre a pobreza no Brasil após 14 anos de petismo. Por exemplo:

a) 25 milhões de brasileiros vivem com renda domiciliar per capita inferior à linha de pobreza, e mais de 8 milhões vivem abaixo da linha de extrema pobreza;
b) 39,5% das pessoas aptas a trabalhar não possuem sequer o ensino fundamental e mais de 13 milhões de brasileiros são analfabetos;
c) apenas 8% têm condições de compreender e se expressar plenamente (isto é, são capazes de entender e elaborar textos seguindo normas gramaticais);
d) apenas 4,9% dos estudantes da rede pública saem do ensino médio com conhecimentos básicos em matemática;
e) mais de 35 milhões de brasileiros não possuem acesso sequer ao abastecimento de água tratada, e quase 100 milhões não dispõem de coleta de esgoto; do esgoto coletado, apenas 40% é tratado.

Por aí seguia o trabalho, convertendo em números o que a realidade grita aos nossos olhos: as péssimas condições do país após uma década e meia de petismo. No entanto, diante desses dados oficiais, o indignado leitor cujo e-mail chegou ao meu correio eletrônico usa caixa alta para “gritar” que a culpa dessa realidade é do … capitalismo.

Entende-se. Há 40 anos, apenas uma força política atua em tempo integral no país. Faz política nas vitórias e nas derrotas. Considera as primeiras como equivalentes a tomadas revolucionárias do poder e as segundas como golpes que precisam ser desconstituídos. Nenhuma outra corrente exerce sequer fração da influência que o petismo desempenha no conjunto dos meios formadores de opinião – mídia, rede de ensino, mundo acadêmico, sindicatos e suas centrais, carreiras jurídicas e poderes de Estado, Igreja, instituições culturais. E por aí afora. É um aparelho articulado, imenso e, principalmente, robotizado para uma tarefa universal de massificação na qual a história, os fatos, as ciências, tudo tem uma e apenas uma expressão: a que serve à práxis e deve ser repetida sem cessar.
Por isso, Lula é um santo injustiçado. Por isso, Moro é um agente da CIA. Por isso, velhacos viram heróis e guerreiros. Por isso, o PT “acabou com a pobreza”. Por isso, todo miserável que vemos nas ruas é uma exceção, uma impossibilidade material. Por isso, Cuba é um paraíso e a Venezuela quase. Por isso, as incitações do PT para o dia 24 de janeiro. Por isso, sempre que necessário, palpiteiros são convidados e aparecem para julgar os julgadores e absolver petistas em idiomas como Punjabi, Malaio, Khmer e até em francês. Por isso o governo petista arrombou os fundos de pensão das estatais e os funcionários da Petrobras, Correios, BB e CEF fazem festa para Lula e seus companheiros.
Por isso, a pobreza brasileira é denunciada como produto de algo que simplesmente não temos: o capitalismo. Logo o capitalismo, um sistema econômico em cujo ranking, entre 186 países, ocupamos o lugar nº 118! Isso é robotização, daquela primitiva, dos brinquedos infantis em que se dava corda para andarem e apitarem.

* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Cada coisa!

*Cesar Vanucci *

“É preciso convir que a comédia faz parte do viver em sociedade.”
(Chamfort, pensador francês do século XVIII)

 O “Troféu”. O governo tucano do Estado de São Paulo qualifica-se, pelo visto, como candidato fortíssimo na renhida disputa pelo ambicionado troféu “Cara de Pau” 2017. Com comovente pudicícia, a ponto de despertar inveja até em escolados estrategistas em manjadas manobras casuísticas e fisiológicas, tão a gosto da grei política, anunciou em tom solene a inabalável decisão de processar as empreiteiras corruptas que, em conluio com agentes públicos e políticos, estruturaram na gestão administrativa bandeirante esquemas de supervalorização dos custos de obras públicas. E, via de consequência, instituíram propinoduto de avolumado tamanho, contemplando elementos da patota governista. O esquema montado pelo cartel de empresas “ameaçadas” de serem levadas às barras dos tribunais pelas patifarias cometidas é, sem tirar nem por, cópia escarrada dos modelos que resultaram em operações de investigação do tipo “Lava Jato”. Isso não vai ficar assim, não, assegura, “destemidamente”, o governo bandeirante. É o que todo mundo, aturdido e inconformado com tanta bandalheira, sinceramente almeja.

 “Penduricalhos”. Relatório divulgado em janeiro passado pelo Conselho Nacional de Justiça estima que, em 2015, os “penduricalhos” nas folhas de pagamento dos servidores do Judiciário alcançaram a cifra himalaiana de 7 bilhões e 200 milhões de reais. Por “penduricalhos” compreenda-se conjunto de vantagens adicionais às remunerações salariais, gênero “auxílio moradia” etecetera, etecetera… O jornalista Élio Gáspari lança, a propósito da revelação, sugestivo e atordoante dado comparativo. As toneladas de ouro extraídas de Serra Pelada, maior jazida do mundo a céu aberto do nobre metal, renderam em grana sonante, valores de hoje – vejam só! -, 4 bilhões e 600 milhões de reais. Dá procês?

 “Desvios”. A direção da Eletrobrás houve por bem contratar os serviços de renomada organização especializada, a “Hogan Lowes”, para apurar supostos desvios de recursos domésticos. A prestação de serviços do escritório custou aos cofres da empresa a bagatela de 400 milhões de reais. Os desvios criteriosamente levantados somaram valor um tiquinho menor: 300 milhões. A desconcertante informação é fornecida pelo jornalista Maurício Lima, na “Veja”.

 “Certeza”. “Tenho 101% (cento e um por cento) de certeza de que ele é um cidadão honesto”. O categórico pronunciamento foi feito pelo deputado Paulo Maluf, ex-governador, ex-candidato à Presidência, atual ocupante de uma cela em presídio federal, referindo-se ao Presidente Michel Temer, à saída do Palácio do Governo, depois de cordial visita de solidariedade ao amigo de décadas.

 “Discriminação”. Integrante das fileiras do “Podemos”, o deputado Rodrigo Delmasso, da chamada “bancada evangélica”, manifestou recentemente o propósito de instituir a “Semana de valorização da heterossexualidade”. Garantiu, em declaração tornada pública, ser alvo de discriminação, volta e meia, por confessar-se hetero.

 “Vapores afrodisíacos”. A pequena vila de Ringaskiddy, na Irlanda, sedia fábrica da Pfizer onde é fabricado o medicamento de maior saída nas farmácias de todo o mundo, o “Viagra”. Em decorrência, ao que se presume, de marquetagem ardilosamente orquestrada, o povoado tem atraído, de tempos a esta parte, crescente volume de turistas. Tudo por conta de intrigante “revelação” que os moradores botaram pra circular. Segundo eles, ninguém no lugarejo carece recorrer a receitas pra desfrutar os efeitos do remédio. O “pessoal” jura que a apelidada “fumaça do amor”, expelida pelas chaminés da fábrica, contém poder afrodisíaco mais do que suficiente para combater com eficácia a disfunção erétil. Os cientistas negam. Dizem que tudo não passa de conversa fiada. Mas, pelo sim, pelo não, relatos chegados da vila garantem que as aglomerações masculinas (e até femininas) ao redor da unidade fabril vão se fazendo mais frequentes, a cada dia.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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