A fonte secou, ao trabalho!

Gustavo Hoffay*

Durante toda a recente campanha dos candidatos a presidente da República, sequer uma vez ouvi algum petista reclamar da extinção da contribuição sindical compulsória, aquela que era descontada uma vez ao ano do já minguado salário da grande maioria dos trabalhadores brasileiros e o que, para os sindicatos, ouve-se dizer que foi algo estromboticamente catastrófico. E porque sequer um candidato petista, Haddad ou ao menos um sindicato não manifestou-se, à época, ampla e publicamente contra a lei que desbancou aquela obscena cobrança e incidente que era sobre o salário dos trabalhadores que não se manifestassem contra a mesma? Não sentiram-se tão prejudicados com o fim daquela mamata, daquela fonte de lucro fácil e considerando que, doravante, os sindicatos terão que trabalhar, montar uma estrutura de marketing no sentido de buscar fontes alternativas de renda? Porque os sindicatos silenciaram-se sobre essa extinção durante a campanha presidencial, ao não clamarem pelo retorno de uma cobrança que onera ainda mais os trabalhadores mas que, por outro lado, garantia-lhes uma confortável situação financeira? Marchas, camisetas, lanches, ônibus, greves, piquetes e invasões de terras e prédios públicos que, antes, eram financiados total ou parcialmente por aqueles sindicatos, certamente deixarão de ocorrer com tanta freqüência quanto antes e desde que não cheguem recursos de Cuba,Rússia ou Venezuela, onde o povo sofre com a falta de recursos básicos de sobrevivência, mas sobra dinheiro para fazer-se propaganda a favor de um regime político asqueroso e ultrapassado ou para a produção e importação de armas e munições. Por outro lado a aprovação da lei que deu um basta a tal absurda obrigação, mostrou-se bastante positiva para os trabalhadores e visto que, doravante, poderão exigir dos seus respectivos sindicatos uma maior representatividade a partir de suas contribuições voluntárias ou seja: caberá à diretoria de cada uma daquelas entidades a criação de algumas atividades que façam gerar recursos para os seus respectivos cofres e uma delas, sem dúvida, poderia ser uma real, sadia e produtiva aproximação com trabalhadores que viam-se relativamente longe de sentirem-se realmente beneficiados pelos sindicatos aos quais são filiados. Desde a aprovação da Lei 13.467/17, os sindicatos de todo o país entraram na Justiça por meio de mandados de segurança e ações diretas de inconstitucionalidade da mesma, enquanto baseados em uma suposta violação da Constituição Federal! Francamente… Será que aqueles sindicatos entendem que não foi decretado o fim da contribuição sindical? Seus dirigentes, que dizem-se frenéticos arautos das práticas democráticas, não entendem que a tal contribuição deve ser espontânea e de acordo com as posses e necessidades de cada trabalhador? Ora, ela continuará a existir e até de maneira a ser um gancho (potencializado) para dirigentes sindicalistas que almejam candidatar-se a algum cargo político-eletivo e desde que, obviamente, saibam transformar aquelas associações em entidades que de fato ofereçam uma gama de benefícios aos seus associados e desde que estes, claro, estejam dispostos a contribuir periódica e espontaneamente com valores compatíveis ao seu orçamento familiar. Seria essa uma forma de congregar com mais intensidade os trabalhadores enquanto na busca do seu bem comum, reivindicando melhorias, benefícios e também acompanhando auditorias em seus respectivos sindicatos. Afinal quem contribui com a certeza de que terá um retorno satisfatório, o faz de maneira consciente, feliz e pontual.

*Agente social – Uberlândia-MG

O gato preto

Ana Maria Coelho Carvalho*

Tenho uma casa de aluguel e resolvi colocá-la na imobiliária, para evitar desgaste com os inquilinos. Só que eu não sabia da existência do gato preto.
Acontece que ela foi alugada para inquilinos que possuem dez gatos: brancos, marrons, malhados, pretos. Gatos no sofá, no muro, na sala, no quintal, na cozinha. Tudo bem se eles ficassem por ai. Mas o problema era o gato preto. Não porque dizem que gato preto dá azar, mas porque toda noite o felino saia sorrateiro, lépido, pisando macio, corpo elástico, olhinhos verdes brilhando no escuro. Ia atormentar a vizinhança. Entrava na cozinha da D. Tetê (nome fictício, para proteger a personagem) e atacava a comida de quatro gatos filhotes, indefesos perante a audácia do gatuno que, além de tudo, ainda batia neles. D. Tetê, indignada, foi reclamar com a vizinha, minha inquilina.
O gato preto, alheio a tudo, continuava suas peregrinações, ora na casa da D. Tetê e ora na casa de uma amiga minha, onde batia no Toninho e na Princesa, seus gatos de estimação. Como se não bastasse, ainda subia no fogão e comia nas panelas destampadas, lambendo os beiços. Minha amiga passou a deixar a cozinha fechada, mesmo quando o calor estava insuportável. Culpa do gato preto.
Um belo dia, D. Tetê veio na minha porta. Desfilou um rosário de lamentações sobre as traquinagens do felino. Queria providências imediatas, até pensei que teria um ataque cardíaco ali mesmo. Sugeri encurralar o gato na cozinha, colocar num saco e soltar bem longe (fazer o que?). Ela ficou estupefata com a sugestão, disse que eu não sabia como era perigoso um gato encurralado. Até me ofereci para ajudar, mas não chegamos a nenhum acordo. E eu, como bióloga, jamais poderia sugerir algo mais drástico.
Depois, passeando com minhas cachorrinhas (que, felizmente, nunca foram atacadas pelo malvado) encontro-me com a D. Tetê. Ela me pergunta o que vou fazer. Sem saída, prometo-lhe que vou telefonar para a imobiliária e reclamar dos inquilinos. Ligo e conto o caso do gato. A atendente ri da história, fala que nunca receberam reclamação deste tipo. Promete consultar o departamento jurídico. Enquanto isso, o gato preto, gordo de tanto atacar a comida alheia, continua atormentando.
Em uma manhã, indo buscar pão quentinho na padaria, vejo o gato preto estendido na beirada do passeio, morto. Mortinho. Sem nenhum arranhão, sem sangue, sem tripa pra fora, sem nada. Os pelos brilhando, olhinhos fechados, patinhas encostadas umas nas outras, bem arrumadinho. Abismada, meu primeiro pensamento foi: -“A D. Tetê matou o gato!”
Chego em casa, conto o acontecido. Minha amiga liga dizendo que o gato preto morreu. A D. Tetê toca o interfone e pergunta se já sei da novidade. Olho bem para ela, tentando decifrar seus pensamentos. Os olhos estão marejados, a voz entrecortada. Não, não pode ter sido ela, a não ser que seja uma excelente atriz. Mas olhos marejados como, se detestava o gato?
A vizinhança passou a fazer especulações. Teria sido o gato preto envenenado na calada da noite, com veneno de rato? Teria levado uma paulada ou uma pedrada? Ou foi atropelado por um motoqueiro distraído? Por um carro desgovernado? Mas como foi parar no passeio, assim tão arrumadinho? Mistério.
Sei que o gato preto se foi. Mas não sei se deixou saudades.

*Bióloga – anacoelhocarvalho@terra.com.br

Este caos tem responsáveis

Percival Puggina

Insegurança generalizada, permanentes riscos de lesão física e patrimonial, indisciplina nos colégios, baixíssimo rendimento escolar, desrespeito a pais e professores, promiscuidade, gravidez na adolescência, drogas, falta de referências morais e perda da noção de limites, corrupção em variados níveis e modos… Como tudo isso pode acontecer em tão curto espaço de tempo, no espaço de tempo de uma geração, da minha geração? Quando nasci o Brasil não era assim e pude observar a degradação da sociedade brasileira, saindo praticamente do ponto zero, chegar ao quadro atual. Cavalheiros e damas dos anos 30, 40, 50! Nós vimos o Brasil ir assumindo essa face sinistra.
Não se diga que é tudo fruto do acaso. De fatalidades e coincidências. O caos tem responsáveis. Exatamente porque a tudo assisti, sei como tudo começou, mediante a propagação de ideias erradas, perversas, desorientadoras! São as mesmas que hoje batem cabeça revoltadas contra a vitória de Jair Bolsonaro, consagrado nas urnas por afirmar enunciados conservadores.
Terrível audácia, a desse sujeito que ousa mencionar Deus mais de uma vez no mesmo discurso! Tipo repulsivo esse que fala em autoridade, em respeito aos mais velhos, em responsabilidade, em combater a impunidade e prender bandidos. Em proteger a inocência infantil e a instituição familiar. Sujeito impertinente esse que quer estudante estudando e professor ensinando, que não vai legalizar drogas e não confunde liberdade com libertinagem.
É tudo relação de causa e efeito! O caos que se instalou na sociedade brasileira resulta de uma série de estratégias políticas revolucionárias que precisam desse caos para prosperar. São estratégias viabilizadas por professores que, enquanto nada ensinam, cultivam a rebeldia adolescente ao ponto de ruptura com as referências familiares e, de lambuja, promovem a imagem “missionária” de Che Guevara. São estratégias que, quanto mais criticas faziam à TV Globo, mais se valiam dos desarranjos morais promovidos em suas novelas para produzir uma geração de pais irresponsáveis, moderninhos, “progressistas”. São estratégias que precisam da CNBB, dos padres militantes, da teologia da libertação e de suas más parcerias para a incrível esterilização voluntária da missão evangelizadora da Igreja e de tantos educandários católicos. Tudo isso é o avesso do que a sociedade precisa para seu desenvolvimento econômico, para a efetiva harmonia social, para o efetivo pluralismo e para a efetiva superação de preconceitos.
Sem dúvida, o melhor sinal no horizonte deste ano que já vai terminando foi o renascimento de um conservadorismo ainda embrionário, buscando modo, voz e expressão. Parcela significativa da sociedade percebeu, finalmente, as relações de causa e efeito entre ideias e estilos de vida propagados entre nós e o estrago que acabaram produzindo. A permissividade geral nos trouxe a este ponto. Os que criaram o caos social constrangendo toda divergência, agora se agitam para defendê-lo nos jornais, microfones e telinhas de sempre.

* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

A cultura e o civismo agradecem

Cesar Vanucci*

“… engrossam com muita sustança nosso caldo cultural”.
(Danilo Ribeiro Gallucci, jornalista)

Repetindo. Parar logo com isso. Botar fim, rápido e rasteiro, em toda essa espaventosa macaquice. O tal de “halloween” – originário de ritos célticos nascidos nas lonjuras da antiga Gália, levado por imigrantes irlandeses para os Estados Unidos –, hoje incorporado às tradições mitológicas daquele país, não passa para nós de um produto de importação perfeitamente descartável.

Não tem nada a ver com a genuína cultura brasileira. Abundam aqui pros nossos lados, fazendo por merecer atenções especiais de todos, lendas disparadamente mais atraentes e coloridas. Personagens fantásticos, pertencentes ao nosso universo folclórico, com mais do que suficientes condições pra colocar qualquer bruxinha alienígena no chinelo, ou, se preferirmos, na sandália. É o que, aliás, asseverou, algum tempo atrás, o jornalista Danilo Ribeiro Gallucci, no “Almanaque de Cultura Popular”, acrescentando que todos eles “engrossam com muita sustança nosso caldo cultural”.

Danilo faz parte de um time que se inspira no ideário de Câmara Cascudo, onde se defende, ardorosamente, a troca da comemoração do “dia das bruxas” – que vem ganhando espaço, de forma inconvenientemente desenvolta, no mês de outubro, sobretudo em redutos escolares – por uma celebração rigorosamente afinada com o espírito brasileiro. Sincronizada com o imaginário das ruas, o imaginário das matas e várzeas deste fascinante país-continente. Algo que esteja verdadeiramente comprometido com a cultura pátria.

O “dia do saci-pererê”, dos desejos de muita gente, pessoas inspiradas na força lendária desse ente saltitante de uma perna só, de barrete vermelho e cachimbo, imortalizado nas apaixonantes narrativas, para crianças de todas as idades, do nunca assaz reverenciado Monteiro Lobato, poderia perfeitamente se contrapor, como alternativa autenticamente nacional, a essa comemoração estrangeira de grafia desarmoniosa, complicada tanto pra escrever, como pra falar. Já existem até bem intencionadas tentativas, aqui e ali, de se introduzir no calendário tal modificação, recomendável e necessária do ponto de vista da preservação da verdadeira cultura do povo.

Fala-se de “saci-pererê”, mas ninguém, em sã consciência, garante seja ele apenas, dos muitos entes que povoam nosso pujante folclore, o mais representativo, o mais conhecido, o mais citado, o que melhor simbolize a ilimitada criatividade dos brasileiros para conceber figuras bizarras que sirvam para identificar-nos como grupo social e que projetem nosso jeito peculiar de expor coletivamente nossos medos e ansiedades. A imensa legião dessas criaturas é bem mais interessante que as bruxas célticas, com sotaque americano, do “halloween”. É composta, além do saci, ou martim-pererê, possuindo características regionais bem pronunciadas, consideradas as dimensões do país, pela “mula-sem-cabeça”, pelo “m’boitatá”, pelo “velho do saco”, pelo “lobisomem”, pela “mulher de branco”, pelo “neguinho do pastoreio”, pela “cobra morato”, pelo “cabeça de cuia”, vai por aí. Uns e outros, expressões de rico patrimônio mitológico, construído com base nas crendices e sabedoria popular, que precisa merece ser preservado.

Assim postas as coisas, ressaltemos a inoportunidade e absoluta falta de propósito das iniciativas, adotadas em numerosos centros educacionais brasileiros, no sentido de se estimular, quando não de patrocinar, comemorações ligadas a tradições mitológicas sem raízes em nosso meio. Causa pasmo mesmo, quando não revolta, o disparate. Muitas das unidades educacionais, que, entre nós, se lançam, com entusiasmo e esmero, nessas descabidas celebrações, pouca ou nenhuma atenção, como é sabido e notório, costumam dispensar à celebração, da “semana da pátria”, do “dia da Inconfidência”, por aí. Parar com isso, por favor. A cultura e o civismo, penhorados, agradecem.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Um déficit inaceitável!

Rafael Moia Filho*

Não tenha medo de ter opiniões excêntricas.
Toda opinião hoje aceita já foi, um dia, excêntrica (Bertrand Russell).

Não existe governo perfeito, porém, há muito tempo, ouvimos governantes e partidos políticos reclamarem do tempo disponível para fazerem as transformações necessárias, reformas, enfim, governar com qualidade deixando para a posteridade marcas de suas gestões.
É fato que um período de 24 anos é muito mais do que suficiente para que um partido político, com vários gestores, possam realizar muitos trabalhos em prol de uma sociedade.
No caso de SP, existe uma quebra desse paradigma, visto que, em 1995 o PSDB subiu ao poder no Estado mais rico da nação com Mário Covas, reeleito em 1998, morto em 1999, foi substituído por seu vice Alckmin, reeleito em 2002. Em 2006, assume José Serra, voltando novamente Alckmin em 2010 para ficar até 2018.
A saga não para, tendo João Dória vencido novamente as eleições para ocupar o mesmo cargo de 2019 a 2022. Se completar a gestão a frente do governo do Estado estarão por vinte e oito anos governando o mesmo Estado ininterruptamente.
A Coreia do Sul, depois de ver seu país dividido por uma guerra é um exemplo concreto de que este período de tempo é mais do que suficiente para grandes realizações. Até 35 anos atrás, os sul-coreanos eram mais pobres do que os brasileiros. O PIB (Produto Interno Bruto) per capital do país asiático era inferior ao do Brasil. Hoje, não há comparação possível e os números daquele país asiático são três vezes mais altos: em torno de 27.200 dólares contra 8.600 dólares do Brasil, segundo o Banco Mundial.
Além do exemplo da Coreia, podemos incluir a Arábia Saudita, China, Índia, Indonésia, Japão, Chile, México, Turquia e Malásia. Vinte e quatro anos é um período demasiado para ser desperdiçado como foi feito na gestão tucana em SP. Um exemplo péssimo de má gestão ao longo da linha do tempo desde 1995.
Muitos são os exemplos que poderiam ser elencados e discutidos neste espaço, mas ficarei com a segurança pública. Quando assumiram o governo paulista, os efetivos da Polícia Militar e Civil eram suficientes para combater a criminalidade.
Hoje, passados vinte e quatro anos, temos um déficit de vinte e cinco mil policiais nas duas corporações. Justamente quando percebemos um crescimento assombroso das organizações criminosas em todo país e em particular no Estado de SP. Como combater a criminalidade largando com um déficit de tantos homens? Pior ainda, sem ter havido no mesmo período investimentos em tecnologia de ponta para poder integrar a força policial com a Polícia Federal?
Falta mão de obra, falta tecnologia e até coisas mais simples de serem repostas como equipamentos básicos (Coletes, Armas de grosso calibre para combater em igualdade de condições as organizações criminosas, treinamento e salários dignos).
É impossível aceitar qualquer desculpa para um partido que durante tantos anos pensa em economia e joga no lixo a segurança da população com medidas estapafúrdias e sem sentido algum. Éramos para ter em SP, caso o PSDB tivesse trabalhado no período com seriedade, uma segurança digna dos países de primeiro mundo como Canadá, Austrália, Japão, etc.
Porém, ao reclamar, lembramos que uma parcela considerável da sociedade paulista está feliz com esses números apresentados acima. Visto que, deram seus votos de confiança ao mais fraco e pior dos políticos do PSDB para continuar a saga da gestão tucana no Estado de SP em 2018.
Uma eleição estranha na medida em que o país guindou ao cargo um candidato liberal de extrema direita, muito bem votado no Estado de SP, porém, sem nenhum vinculo com o PSDB, tanto em seu futuro governo como nas suas ideias liberais. Tanto isso é verdade, que ele não recebeu Dória ao final do primeiro turno, demonstrando que não se sentia a vontade ao seu lado e de seu partido.

*Administrador de Empresas e Jornalista

Reforma da previdência

Diógenes Pereira da Silva*

Os que são a favor da reforma da previdência não querem enxergar o óbvio! A proposta de reforma da Previdência, feita às pressas, faria parte de um conjunto de medidas que visam o loteamento do Estado, em favor do mercado. O governo Temer, afirma, buscar destruir o sistema de seguridade social, “o que significa a barbárie e a negação do direito previdenciário construído pela democracia brasileira”.
Não há déficit previdenciário! Não há rombo da previdência! O que existe é um superávit previdenciário! O Governo se apropria do superávit da Seguridade Social e aplica este dinheiro em outras despesas, principalmente, o pagamento de juros. E faz isso através da DRU – Desvinculação de Receitas da União. A DRU nada mais é do que uma regra que estipula que 20% das receitas da União ficariam provisoriamente desvinculadas das destinações fixadas na Constituição. Com essa regra, 20% das receitas de contribuições sociais não precisariam ser gastas nas áreas de saúde, assistência social ou previdência social. Existe proposta de aumentar esta margem para 30%.

A DRU foi criada em 1994 com o nome de Fundo Social de Emergência (FSE), logo após o Plano Real. No ano 2000, o nome foi trocado para Desvinculação de Receitas da União. Pois é, a Constituição Federal cria um sistema que vai fazer com que a previdência seja lucrativa e tenha estabilidade, para funcionar do jeito que tem que ser a Seguridade Social, e devido os desgovernos de gestões anteriores, criam um jeito de desassociar aquilo que é arrecadado especificamente para a Seguridade para poder gastar no tapa rombo e irresponsabilidade fiscal. E a culpa do rombo é da Seguridade?

Se ainda há alguma dúvida do leitor, pesquise os artigos 194 e 195 a Constituição Federal que criou o Sistema de Seguridade Social dentro do qual estão todos os benefícios previdenciários, estes são para amparo à saúde, que compreende Saúde, Previdência Social e Assistência Social. Não se pode esquecer que os benefícios do INSS (ex.: aposentadorias, pensões, auxílios, etc.) estão dentro da Previdência Social.
Para executar essa proteção social, esses artigos também definem a Receita que o Governo arrecadará e que estará vinculada a esses gastos. Ou seja, teoricamente, as receitas arrecadadas para a Seguridade, não poderiam ser gastas com outras despesas, previsto no art. 195 CF88 e do art, 11 da Lei 8.212\91, E quais são essas receitas?
• Contribuições Previdenciárias ao INSS
• Contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS)
• Contribuição Social sobre Lucro Liquido PIS / PASEP (destinado especificamente ao seguro desemprego)
• Receita de concurso de prognósticos
• Antiga CPMF

Já está mais do que comprovado que não há déficit da previdência, e que o governo usa o recurso da Seguridade Social de forma, e quer jogar mais essa conta nas costas do trabalhador brasileiro que já não suportam pagar tantos impostos.

*Servidor Público aposentado

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