Ivan Santos*

Chegamos ao final de agosto e na próxima semana entraremos em setembro. A reforma política que se arrasta no Congresso Nacional há 30 anos e volta à cena política a cada nova eleição nacional, mais uma vez deverá ficar para amanhã. Hoje, deputados e senadores que cuidam de reforma política o fazem para facilitar a própria reeleição. Neste momento, a prioridade para as próximas eleições é criar um Fundo de R$ 3,6 bilhões, com recursos do Tesouro da República, para financiar a propaganda eleitoral. Como a reação na população foi negativa ao Fundo, os deputados que discutem a Reforma se preparam para dar um passo atrás e, a seguir, dois passos à frente. Como a avaliação políticos na opinião pública majoritária hoje está em baixa por causa das notícias de ampla corrupção que brotam de ações e acusações a vários deles, a saída é produzir uma mágica salvadora. Como a reforma política só valerá para as próximas eleições se for aprovada na Câmara e no Senado por maioria qualificada de 3/5 até o fim de setembro, os especialistas em Congresso apostam que não há mais tempo para reformar, com seriedade, nesse prazo. Então a saída vai ser aprovar remendos na roupagem do modelo eleitoral nacional e criar alguma maracutaia como uma Lista Fechada de candidatos para garantir a reeleição de parlamentares, sem precisar de votos diretos de eleitores. Com a Lista, os candidatos não precisam gastar com propaganda eleitoral: basta a “propaganda gratuita” no rádio e na televisão. Esta propaganda é paga pelos eleitores através de renúncia fiscal em favor das emissoras. Como no Brasil atual a maioria dos eleitores, segundo várias pesquisas já divulgaram, acreditam que “todos os políticos são ladrões, os políticos não confiam nos eleitores. Esta realidade esquizofrênica permite a quem tem mandato legislar em causa própria e mudar o processo eleitoral sem reação contrária da população que “não gosta de política”. Por isto a democracia brasileira é singular no mundo graças aos equívocos e à indiferença da maioria dos brasileiros.

*Jornalista

Um Partido Novo para governar o Brasil

Ivan Santos*

O Estado Maior do Partido Novo, presidido pelo banqueiro João Dionísio Amoedo, dono da Miramare Project Investment Ltd, uma offshore localizada no paraíso fiscal das Bahamas, percebeu que a maioria da população brasileira está desencantada com os políticos e aproveita esta situação para oferecer alternativas liberais para comandar o governo do Brasil. O Partido Novo sinaliza que quer governar o Brasil com alternativas e geridas por bem-sucedidos empresários que se destacaram como de grandes executivos em empresas nacionais ou internacionais. Também servem personalidades famosas para atrair votos do povão, principalmente as que se destacam na mídia, nos esportes e nas artes. Para isto o Partidão Novo procura filiar banqueiros, financistas, investidores, grandes empresários e representantes do pensamento liberal. Se assumir o Governo Federal, o Novo promete privatizar todas as empresas estatais e governar o País como se fosse uma grande corporação empresariam onde a justiça será reconhecer o mérito de quem estuda e trabalha. Com esta proposta sincera, o Novo não parece ser tão novo assim. Talvez por isto esse Partido ainda encontra dificuldade para atrair grandes personalidades do mundo dos negócios para com elas disputar espaços nos legislativos e executivos estaduais. Por exemplo: para governar o Estado de Minas Gerais o Novo está de olho no empresário Salim Matar, dono da Localiza, a maior empresa de aluguel de automóveis do País e para governar São Paulo, procurar atrair o prefeito João Dória Júnior. Para governar o Rio de Janeiro, o bem-sucedido cientista político e empresário, Cristian Lohbauer. A proposta do Partido Novo é administrar o Governo da República Brasileira como os grandes e bem-sucedidos executivos internacionais que administram grandes corporações empresariais. A direção nacional do Novo já convidou o técnico de vôlei Bernardinho para disputar a Presidência da República ou o governo do Estado do Rio de Janeiro. O apresentador de Televisão Luciano Huck também está na mira do Novo “para se candidatar a qualquer coisa”. Uma das metas prioritárias do Super Novo ”é atrair o prefeito de São Paulo, João Dória Júnior. Este tucano, na opinião dos novos apóstolos do liberalismo econômico, deveria deixar o PSDB “que hoje é uma legenda fossilizada e aceitar o Partido Novo que tem “vibrantes ideias para renovar a administração política no Brasil”. O lema atual do Novo é “administrar o governo com justiça para quem trabalha e produz riquezas para o País”. Quem estiver desencantado com a política tradicional, pode procurar o Partido Novo que lá encontrará ideias realmente novas e nunca experimentadas no processo político brasileiro. Podem ir para o Novo que lá encontrarão grandes novidades, algumas emocionantes e até divertidas.

*Jornalista

Mudar de nome para nada mudar na essência

Ivan Santos*

“É preciso mudar para que tudo continue como sempre foi”. Esta irônica expressão foi apresentada no século passado pelo escritor italiano Giussepi Tomasi de Lampeduza, no clássico livro “O Leopardo” e repete-se hoje no Brasil entre partidos tradicionais que pretendem insinuar ao povão que estão a mudar para cumprir um papel novo na jovem democracia nacional. O primeiro partido que teve a iniciativa de mudar para continuar como sempre foi, dirigido por uma família que se apoderou da legenda para operar em causa própria, foi o PTN. Inspirado em uma bem-sucedida ação política espanhola, a família Abreu – José Masci de Abreu, deputado federal, o fundador – que controla o PTN que foi e continua a ser uma dissidência do PTB desde 1947. O PTN, para iludir incautos e se apresentar como legenda nova, mudou o nome para Podemos. Mudou e continua a ser um partido comandado pela senhora Renata Abreu, um dos galhos da Árvore Genealógica da Família Abreu.  Hoje, o Podemos, no  velho estilo de conchavos, pretende lançar o senador Álvaro Dias, do Paraná, como candidato à presidente da República em 2018. O Podemos não tem vigor eleitoral, mas poderá, num eventual segundo turno, apoiar o candidato melhor avaliado para ganhar a eleição e assim conquistar espaço privilegiado no futuro governo da República, sempre em defesa de uma causa própria como no passado. Outro velho partido que pretende mudar de nome para tapear a opinião pública é o Partido Democratas (DEM). Agora o DEM vai deixar de ser Partido para apresentar-se simplesmente como Democratas. Esta á a agremiação política nacional que mais mudou de nome na História do Brasil. O DEM Nasceu no regime militar com o nome de Arena para dar suporte político aos governos dos militares. Na passagem da ditadura para a democracia, o Partido da Arena mudou de nome e passou a denominar-se PDS – Partido Democrático Social. Democrático apenas no nome. Depois da Constituição de 1988, o PDS sentiu que precisavam “mudar” para conquistar eleitores e se manter no poder. A “renovação” foi mudar de nome. O filhote da ditadura militar passou a denominar-se Partido dos Democratas. Hoje vai mudar de nome novamente para conquistar espaços perdidos no poder. Para isto os políticos de centro-direita que controlam o DEM serão conhecidos amanhã como “democratas’, simplesmente. Ação política prática, mas continuará a ser os mesmos políticos conservadores liberais que pretendem se esconder sob o rótulo de “democratas”. O Partido DEMOCRTAS continuará a ser tão oportunista como foi no tempo em que foi Arena, PDS e DEM. Em, Uberlândia este partido é controlado por membros da família do ex-deputado federal João Bittar que são proprietários da legenda.*

*jornalista

Programa político na TV aumentou a divisão no Tucanato

Ivan Santos*

A associação de marqueteiros encantados com efeitos plásticos na comunicação televisiva e nas redes sociais e políticos que se baseiam em velhos métodos para produzir reações de massa humana no tempo e no espaço pode produzir hoje efeitos desastrosos no processo político. Guardadas a intensidade e as reações ao Programa Político do PSDB divulgado ontem no rádio e na televisão, as interpretações de alguns astros tucanos foram desastrosas para o comando interino da legenda. O programa, elaborado por marqueteiros, foi um equívoco político ao revelar uma desastrada autocrítica política com efeitos de comunicação publicitária para impressionar a massa despolitizada que desconhece acordos de bastidores firmados entre políticos militantes que controlam o Partido. As críticas explícitas e veladas ao governo de Michel Temer deixaram em situação difícil os tucanos que hoje controlam quatro Ministérios no atual governo. A irritação foi tão grande que uma ala do PSDB que apoia as reformas defendidas pelo presidente Temer pede abertamente a destituição do senador Tasso Jereissati da presidência interina do Partido. O ninho dos Tucanos amanheceu hoje alvoroçado. A crítica ao “presidencialismo de cooptação” sugeriu que os políticos que apoiam o atual governo o fazem pensando apenas em cifrões (dinheiro). Esta crítica não foi entendida pelo povão e marcou profundamente a divisão que há no PSDB entre os que querem desfrutar das bondades que os cargos no governo oferecem e os que pretendem conquistar votos populares para conquistar um lugar paradisíaco no Olimpo. O desastre comunicativo ocorrido ontem à noite deixa uma preciosa lição: Em uma campanha eleitoral os marqueteiros são importantes, mas precisam ser monitorados por políticos experientes para que as mensagens elaboradas não produzam efeitos colaterais danosos na opinião do povão.

* Jornalista

Ivan Santos*

Nossa previsão, neste espaço, para a reforma política que tramita na Câmara Federal, aos poucos caminha para um desfecho melancólico: não vai haver reforma alguma, apenas arranjos marotos para facilitar a reeleição de quem já tem mandato. Para mudar algo substancial e modernizar e democratizar o processo eleitoral no Brasil é preciso acabar com privilégios de políticos carreiristas e para isto não há consenso entre os parlamentares. Os deputados que debatem a tão falada “reforma política”, neste momento, só pensam em garantir a própria reeleição e criar um Fundo Eleitoral de R$ 3,6 bilhões a ser constituído com dinheiro do Tesouro Nacional para financiar a eleição de parlamentares que já recebem R$ 15 milhões por ano cada um deles para financiar bondades para os eleitores das bases eleitorais deles. É uma maracutaia* que só existe no Brasil e o resto do mundo desconhece. Como nos anos que precederam eleições passadas, desde 1988, os deputados discutem “reforma política” e, no calor das discussões fingem que se desentendem e criam apenas facilidades em causa própria. Ontem, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia encerrou a sessão na qual seria votada em plenário a “reforma” em primeiro turno por falta de quórum para analisar a matéria. Em verdade o que não houve foi acordo para promover mudanças no sistema eleitoral atual que mantém coligações proporcionais entre partidos grandes e pequenos para eleger legisladores federais, estaduais e municipais e criar uma clausula de barreira para impedir que legendas inexpressivas ou negocistas tenham representação no Parlamento da República. OI debate em torno do assunto só retornará na próxima terça-feira, dia 22, sem garantia de haver reforma alguma porque hoje, para a maioria dos partidos, o que é importante é nada reformar para que todos continuem a mamar nas tetas da Vaca Barrosa que se alimenta de recursos do Tesouro Público. Já existe um Fundo Partidário Público, com recursos de quase R$ 1 bilhão para pagar as contas de 35 partidos registrados na Justiça Eleitoral e há mais de 30 pedidos de reconhecimento de novos partidos. E esses forem aprovados vai ser preciso aumentar o Fundo Partidário para mais de R$ 2 bilhões por ano. Isto num país em crise onde não há dinheiro suficiente para garantir saúde básica nem educação de qualidade para a população, é um desrespeito sem qualificação. É mais do que imoralidade.

*Jornalista

Sexta-feira deverá ter protesto em Miranda contra a venda de usinas da Cemig

Ivan Santos*

Está em marcha uma mobilização em Uberlândia liderada por ativistas políticos para protestar na próxima sexta-feira, na frente da Hidrelétrica de Miranda, contra o eventual leilão de venda de quatro usinas da Cemig: São Simão, Jaguara, Volta Grande e Miranda. Além do governador Pimentel que prometera comparecer à manifestação, defendem a manutenção das usinas sob o controle da Cemig, os senadores tucanos Aécio Neves, Antônio Anastasia e todos os deputados federais representantes de Minas no Congresso. Essa união política em apoio à Cemig está ligada à história de Minas Gerais cujos mineiros sempre defenderam a estatal que se transformou na mais bem administrada empresa de geração e distribuição de energia elétrica do País e, nesta condição passou a ser um patrimônio histórico nas Alterosas. Se o PT de Uberlândia ainda tiver capacidade de mobilizar pessoas (Gilmar Machado), o barulho poderá ter repercussão nacional. Segundo me informou uma fonte de Belo Horizonte que não quis se identificar, o problema que poderá resultar na perda da concessão de Jaguara, Volta Grande, Miranda e São Simão começou com a briga do senador Aécio Neves com a presidenta Dilma Rousseff em 2012. Naquele ano a senhora Dilma editou a MP 259 que criou a possibilidade de antecipar o prazo de concessão para dar um desconto de 20% na conta de energia elétrica “para reduzir o sofrido povo brasileiro”. O governo de Minas Gerais chefiado pelo governador Antônio Anastasia não aderiu à Medida e decidiu manter o prazo anterior da concessão que vence agora. Em 2012 o atual governador Fernando Pimentel era Ministro da Indústria e Comércio de Dilma e, naturalmente, apoiou Dilma e sua MP que, segundo a presidenta, “ia baratear a energia elétrica para o povo e para indústria e aumentar a competitividade empresarial com a diminuição dos custos de produção”. A MP de Dona Dilma ajudou-a a se reeleger presidenta, mas quebrou o sistema elétrico brasileiro. O vencimento da concessão das usinas da Cemig chegou e a propriedade delas volta ao Governo Federal que, para reforçar o caixa do Tesouro resolveu vender as concessões para arrecadar mais de R$ 10 bilhões. A Cemig tinha programado o protesto para São Simão, a maior usina a ser leiloada, mas decidiu por Miranda, mais perto de Uberlândia, a cidade com maior população da região. Se não houver mudança de última hora, esse protesto promete ser barulhento e render preciosos dividendo eleitorais para Pimentel (PT) e Antônio Anastasia (PSDB), eventuais candidatos a governador no ano que vem.

*Jornalista

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