Crises de ciumes

Estas confusões reveladas na mídia entre os filhos de Bolsonaro e políticos parecem,na verdade, serem crises de ciúme. Os filhos, por mais atenção, e os políticos, por mais espaço no poder. Quem deveria prevalecer? Nenhum deles. Acho que todos devem urgentemente procurar psicólogos ou até mesmo psiquiatras. Ciúme é uma doença e, as vezes, mata. O povo não merece isto. Já chega os desmandos e roubalheiras nos 3 poderes. Em tempo: não sou psicóloga. Apenas observadora.

Iria de Sá Dodde
Professora

Domingas e a capelinha

Antônio Pereira da Silva*

A primeira tentativa de tombamento de prédio histórico, em Uberlândia, modéstia à parte, foi minha. Eu era Secretário Municipal de Ação Social que, naquela época, incluía as áreas de Educação, Cultura e Saúde. Era prefeito Renato de Freitas. Estávamos em 1967.
A igreja de Nossa Senhora do Rosário (há quem diga que seja de Nossa Senhora das Neves), no Distrito de Miraporanga, tem significados históricos nacionais. Tentei tombá-la através dos órgãos competentes do Estado e da União. Montei dossiê contendo fotografias do deplorável estado em que se encontrava e transcrevi trechos do Visconde de Taunay sobre a passagem por aquele distrito, então chamado de Santa Maria de Uberaba, dos Voluntários da Pátria que seguiam para a Guerra contra o Paraguai. A igrejinha e seus arredores foram o abrigo dos soldados enquanto estiveram rapidamente por ali. O batalhão formado em Minas Gerais, unido a outros Corpos em Uberaba, planejava rechaçar as forças inimigas e invadir o Paraguai por Mato Grosso. A capelinha foi construída entre 1850 e 1852. Enquanto o distrito teve vida dinâmica, a igreja foi ativa e se manteve. Entretanto, com o desenvolvimento de São Pedro de Uberabinha, a partir da Lei que emancipou os dois distritos (de Santa Maria e de Uberabinha) e estabeleceu que a sede deles seria aqui, e com a chegada dos trilhos da Mogiana e, mais para a frente, da construção da ponte Afonso Pena e da estrada de automóvel que uniu essa ponte à estrada de ferro determinando que a passagem para o sul não fosse mais por Santa Maria, esse distrito entrou em decadência. A ponto de, em 1967, possuir poucas residências esparsas e encontrar-se a igreja em decadência.
Dona Domingas Camin era professora lotada na Secretaria de Ação Social. Desde que chegou a Uberlândia dedicou-se à educação de crianças e à manutenção de um resto cultural da velha Santa Maria. Foi ela quem recolheu documentos de Cartórios que se encontravam abandonados em fundos de galinheiros. Foi ela quem estimulou os raros moradores do lugar a cuidarem um pouco do mesmo embelezando suas casas e ruas. E foi ela também que não deixou a capela cair. Dona Domingas promovia remendos aqui e ali com a pequena verba que levantava em leilões e quermesses que realizava. Como o dinheiro era pouco, ela convencia carpinteiros e pedreiros a darem uma mãozinha gratuita enquanto esperavam trabalho. Apesar de todo esse empenho da professora, a Igreja encontrava-se sem bancos e sem assoalho. O altar estava semidestruído, sem imagens. Na porta da frente faltava uma folha. Os rebocos despencavam. Acima da porta principal, próximo ao telhado, um pedaço de parede havia caído e uma pequena janela estava pensa. O telhado cheio de falhas, a maioria das telhas quebradas. A nave da direita estava destruída: não tinha um terço do telhado, nenhum tijolo nas paredes e obviamente não havia mais portas nem janelas desse lado. Restavam apenas a armação do telhado e os cantos de aroeira. Aqui e ali, estacas que a professora Domingas mandava colocar para que aquela parte em ruínas não caísse de vez.
Os tais órgãos competentes nem resposta me deram. Não acontecendo o tombamento por eles que possuíam verbas fartas, o vereador Antônio Couto de Andrade, do MDB, utilizando-se de cópias das informações que levantei, entrou com um Projeto de Lei fazendo o tombamento da Igreja. Foi o primeiro tombamento histórico do município.
Em 1985, a Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do IEPHA-MG, empreendeu a restauração da Igreja que chegou ao Centenário do Município novinha outra vez. Pouco depois, visitei dona Domingas e soube que pessoas conhecidas dela não acreditavam que a igrejinha tinha chegado àquele estado de ruína e que só não caíra por causa do seu empenho pessoal, seu amor à coisa pública. Quando lhe demos algumas fotos tiradas à época pelo fotógrafo Wiliam, a nosso pedido, ela sorriu e me disse: “Agora eles vão acreditar!”

Jornalista e escritor – apis.silva@terra.com.br>

Sem reformas, sem desenvolvimento

João Batista Domingues Filho*

República de “Ordem e Progresso” é o Brasil do futuro, desde o fim da escravidão. Liberdade e igualdade, decorrentes do regime republicano, são “ouro de tolo” para a maioria dos brasileiros. Reformas estruturais são necessárias para o desenvolvimento socioeconômico do país. Presidência Bolsonaro promete agenda de reformas estruturais. Multidão ignorante e incivil de brasileiros, sem ser parte de nenhuma organização social institucionalizada, não é um corpo social capaz de participação nas reformas estruturais. Bestializados esperam os frutos do sucesso das políticas públicas. Estado social que se torne democrático é utopia política brasileira. Brasil socialdemocrata padrão europeu é utopia possível e executável. Sobreviventes das crises brasileiras assistirão o sucesso ou fracasso da governação liberal do Executivo e do Legislativo no presente. Ore!!!
Milhões de pessoas nas ruas de todo o país em junho de 2013: insatisfação com a qualidade dos serviços públicos. Todavia, justiça continua inacessível para a maioria, legislação eleitoral não levou à reforma política e o pacto federativo permanece em pauta de Governadores e Prefeitos. Tudo permanece incompleto e inacabado. É o Brasil do conservadorismo eficiente e eficaz, contra as políticas públicas de inovações e transformações sociais, políticas e culturais. Maioria dos brasileiros: onde nasce fica, sem mobilidade social, padrão sociedade de casta.
T.H. Marshall e E.P. Thompson, cientistas sociais, demonstraram como os direitos sociais, na sociedade moderna, surgiram e se desenvolveram. Brasil é um caso a ser explicado: por que não se desenvolveu como as demais sociedades modernas, possuindo as mesmas instituições estatais? Capitalismo com democracia no Brasil dos latifundiários e senhores de escravos e burguesia que se desenvolveu com apoio direto e indireto da grande propriedade de terra e não no capital, não conseguiu, ainda, executar uma agenda do liberalismo reformista político-social. Resultado: Brasil sem desenvolvimento econômico, com prejuízos para quem trabalha. Capitalismo moderno com capitalistas modernos é utopia, ainda.
Não separar o quê é público do quê é privado, no processo de gestão da “coisa pública”, é padrão de funcionamento do Estado no Brasil. Práticas de corrupção: corruptos e corruptores, cujas ações permanecem no cotidiano da administração pública, refinam as técnicas de desvios de recursos públicos e ampliaram a escala da corrupção brasileira de milhões para bilhões. O famoso “departamento de operações estruturadas” de uma única empresa, como a Odebrecht: US$ 3,4 bilhões em propinas entre 2006 e 2014. Elites política e empresarial brasileiras já freqüentam nosso sistema penitenciário, conquistas obtidas pela Operação Lava-Jato. Daí a pergunta: corrupção brasileira chegou ao seu fim, dada o aprendizado institucional do combate estatal? Não acredito. Vai entrar para nossa historia como fruto do acaso: união virtuosa entre a polícia federal, procuradores e juiz linha-dura, com métodos ousados de investigação. O submundo do relacionamento entre políticos e grandes empresas, com o rápido aprendizado adquirido com o tempo livre para estudos no sistema penitenciário, não serão mais pegos, apesar da continuada corrupção nos entes da federação em todo o país.
Mudanças estruturais da relação entre as elites políticas e empresariais são necessárias para por fim a predação dos recursos públicos. Esfera pública e esfera privada possuem interesses opostos e excludentes entre si. O escritório da Transparência Internacional no Brasil e a Fundação Getúlio Vargas publicaram o livro: “Novas Medidas contra a Corrupção”, com 70 propostas de especialistas de combate a corrupção endêmica brasileira. Moro tirou foto com esse livro, quando convidado para ser ministro da justiça. O pacote de combate à corrupção, anunciado pelo Ministério da Justiça, deixou de fora medidas importantes desse livro. Moro decepciona milhões de brasileiros, dando sinais que não vai propor mudanças estruturais de combate à corrupção. De juiz linha-dura para conquistar cargo de ministro à despachante dos interesses das elites política e empresarial.
Fissuras nas relações entre os Poderes, dadas as trapalhadas e derrapagens da Presidência da República, colocam em risco a aprovação e execução das reformas: Previdência, segurança pública e corrupção, ambiental e mineração, leilões do pré-sal e renovação do Fundeb, financiamento da educação básica do país.

*Cientista político

Virtude ou oportunismo?

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira*

O Brasil definitivamente é um país surreal. Pessoas de passado nebuloso e medíocres galgam o poder sem muito esforço. Habilidosos , estão sempre na hora certa e no lugar certo. Será isto uma virtude ou simples oportunismo ? Cito como exemplos , Maia , Alcolumbre e Tofolli. Os primeiros com votações pífias, inferiores até de vereadores mais votados ocupam importantes postos. E o último , sem expressão nenhuma no mundo jurídico e reprovações em concursos públicos no mais alto posto do Judiciário. Gostaria que alguém me respondesse a pergunta. Virtude ou oportunismo? Venceu a mediocridade.

VIRTUDE OU OPORTUNISMO?

O Brasil definitivamente é um país surreal. Pessoas de passado nebuloso e medíocres galgam o poder sem muito esforço. Habilidosos , estão sempre na hora certa e no lugar certo. Será isto uma virtude ou simples oportunismo ? Cito como exemplos , Maia , Alcolumbre e Tofolli. Os primeiros com votações pífias, inferiores até de vereadores mais votados ocupam importantes postos. E o último , sem expressão nenhuma no mundo jurídico e reprovações em concursos públicos no mais alto posto do Judiciário. Gostaria que alguém me respondesse a pergunta. Virtude ou oportunismo ? Por ora a mediocridade anda levando vantagem.

*Economista

Faltou coragem

Paulo Panossian*

Faltou coragem ao presidente Jair Bolsonaro, mas, sobrou demagogia quando deixa de apoiar o projeto da equipe econômica comandada pelo Paulo Guedes, que indicava também idade mínima de 65 anos para aposentadoria das mulheres, e como dono da caneta reduz para 62 anos. Na verdade, estas briosas mulheres estão mais preocupadas com seus empregos e com o futuro de seus filhos, do que o tempo para se aposentar. E sem uma reforma robusta, para resolver de vez o déficit da Previdência, teremos menos emprego, pobre futuro, e sem recursos para inclusive pagar os aposentados! Essa é a grande verdade! Neste sentido, o presidente também demonstra não conhecer bem a nossa Casa Legislativa, que por lá passou 28 anos. Já que, essa proposta da reforma que será detalhada na sua integra no próximo dia 20, conforme prometido pelo Bolsonaro, ao chegar no Parlamento, será cercada de um acalorado debate, e com centenas de emendas para modificar o projeto original. E, que, até esta idade mínima de 62 anos para as mulheres definida em péssima hora pelo presidente poderá ser modificada para pior pelos congressistas! O que poderá frustrar a expectativa prevista por Paulo Guedes de R$ 1,1 trilhão de economia em 10 anos! Que, no projeto inicial era previsto R$ 1,3 trilhão… Mesmo porque, a participação das mulheres no mercado de trabalho é crescente, e hoje responde a quase 50% da força de trabalho. Ou seja, o número de mulheres solicitando aposentadoria deve crescer, e elevar as despesas, hoje mais do que deficitárias da Previdência Social. E, é imperioso que esta reforma seja aprovada em condições de equilibrar as contas da Previdência! Caso contrário, não vai convencer o mercado, e tampouco os investidores, a aplicar seus recursos, que propiciem o nosso desenvolvimento econômico e social. Ou seja, o presidente não pode continuar fraquejado…

JUDICIÁRIO FORA DE CURVA

A juíza Carolina Duprat, da 11ª Vara da Fazenda Pública, sem respeitar a autonomia da prefeitura de São Paulo, suspendeu no último dia 13 de fevereiro, o reajuste da tarifa de ônibus da Cidade, que de R$ 4,00 foi para R$ 4,30.  Alega a magistrada que o reajuste foi maior que a inflação, mesmo sabendo que nos anos de 2016 e 2017 não houve alteração no preço das passagens. Que se fosse aplicado o índice inflacionário  do período, que ficou acima de 13%, o valor da tarifa seria maior que os R$ 4,30.  Felizmente, nesta sexta-feira 15/02/19, o juiz Manoel de Queiroz Pereira do TJ-SP, sensato, derrubou a liminar que suspendia o reajuste da tarifa de ônibus, por entender que “poderia causar grave lesão à economia pública”.  Se a juíza Carolina Duprat, realmente está preocupada com o bolso dos contribuintes, melhor seria fazer uma campanha e de forma pública, contra os privilégios que são muitos dos magistrados, como dos 16,38% de reajuste que tiveram recentemente, auxílio-moradia, bolsa-livro, férias de 60 dias, etc., que oneram abusivamente o erário…

*Jornalista – paulopanossian@hotmail.com

SALÁRIOS SUGAM RECEITAS

Conforme matéria do jornal Valor, entre 2015 a 2018, 26 Estados da Federação, mesmo auferindo crescimento de 7,23% na arrecadação, teve queda de 2,4% de recursos para investimentos. Porque, e infelizmente, permitiram crescimento de 6,32% nas despesas com salários dos servidores… Ou seja, os governadores relapsos se negam a reduzir despesas improdutivas, compram mal suprimentos e até superfaturados! Pior ainda, continuam inflando a máquina administrativa em cargos de nomeações políticas…

CONGRESSO X SUPREMO

Com instituições decadentes, e interesse dos nossos representantes públicos por maior protagonismo pessoal, e busca incessante de privilégios, em que pouco ou nada fazem pelo Brasil, surge agora uma animosidade, diria até infantil e grotesca, entre o Congresso e o Supremo. E para conter uma possível crise houve até um encontro entre o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o presidente do STF, Dias Toffoli, que se propôs um pacto entre os poderes. Tudo porque, nasceu um movimento no Senado, com a intenção de criar a “CPI da Lava Toga”, que já foi abortada… mas, que, os parlamentares insistem por esta CPI, que seria para investigar possíveis excessos praticados pelos tribunais superiores. E a Câmara, pelo jeito também não quer ficar fora deste circo… Ora, se o nosso Parlamento, tem propostas para impedir os excessos cometidos pelos magistrados, que aprovem projetos para tal. Não é uma Casa Legislativa?!… Que convenhamos, deixou de legislar há tempos, e não por outra razão que o Supremo, tem sido chamado a suprir essa grave lacuna, mas, cometendo seus excessos…! E o STF, precisa parar de interferir na autonomia do Congresso! Como da decisão recente do próprio presidente da Corte, Dias Toffoli, que indignou a Nação, quando fica de plantão até a madrugada só para atender seu amigo Renan Calheiros, a fim de beneficiá-lo, proibindo a votação aberta para eleger o presidente do Senado. Assim como é uma zorra a demora da devolução dos pedidos de vista, das concessões a granel de habeas corpus a corruptos amigos de membros desta Corte, etc. Ou seja, objetivamente, tudo que precisamos das nossas autoridades, é “zero de protagonismo”, e mais Brasil!

Jornalista – paulopanossian@hotmail.com

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