Abstinência sexual no lugar da informação e da educação!

Rafael Moia Filho*

Educai as crianças, para que não
seja necessário punir os adultos.
Pitágoras

A Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Pastora Damares Alves, indicada ao cargo pelo ex-senador Magno Malta, de quem foi assessora parlamentar lançou uma campanha nacional que sugere a abstinência sexual para jovens e adolescentes no nosso país.
O mesmo governo que em apenas um ano de gestão enfraqueceu as políticas públicas que garantiam a saúde da mulher. Com isso passamos a ter:
1. Proibição da inserção do DIU por enfermeiros, dificultando o acesso das mulheres aos anticoncepcionais eficientes;
2. Congelamento dos investimentos em saúde e educação;
3. Sucateamento das políticas que levavam educação sexual para as escolas. Nada baseado em ciência, mas sim em ideologia barata.
Assim, mais gestações em adolescentes (pobres) e infecções sexualmente transmissíveis, resultando na perpetuação de ciclos de pobreza, gravidez precoce, abandono de escolas, maternidade indesejável, subemprego, etc.
Damares não quer a solução do problema ao espalhar seu falso moralismo político ideológico religioso, na verdade se ela quisesse entrar de cabeça neste tema tão complexo, estaria expandindo a luta pelo combate a violência contra a mulher e não estaria em silencio diante de tantos casos de violência sexual cometidos contra mulheres jovens e adultas no Brasil.
Me passa a impressão que para Damares, crucial é ensinar as meninas a sentarem de pernas cruzadas e a não abrirem a boca quando alguém forçá-las sexualmente.
Essa política retrógrada que remete aos anos da década de ’50 ou ’60, é incompatível com o mundo em que vivemos, com o conhecimento atual da humanidade e da juventude em particular.
O governo do qual Damares pertence está fundamentado em princípios falso moralistas que por si somente não se sustentam. Os pais precisam de informação para poderem dar aos seus filhos orientações precisas sobre a vida sexual saudável. As escolas precisam cumprir seu papel de suplementar com informações e conhecimento aquilo que os jovens tanto aspiram.
Censurar livros, banir das salas de aulas informação é voltar a idade média, sem que se consiga resolver os problemas dos abusos que na maioria dos casos são cometidos por familiares ou pessoas muito próximas da família. Não faltam pesquisas para comprovar que a maioria das adolescentes vítimas de estupro tem até 13 anos, e outros levantamentos que comprovam que quanto mais informados sobre sexualidade, mais a criança ou adolescente conseguem identificar abusos.
Essa campanha nacional de Damares ainda impõe uma conduta moral aos adolescentes e, de certa forma, constrange os que têm outra religião ou visão sobre a sexualidade a se informarem ou buscarem métodos contraceptivos em unidades de saúde.
Sobre todos os aspectos a sociedade precisa de esclarecimentos, informações precisas, educação e liberdade para poder entender a importância da proteção, do sexo saudável no momento certo e com o consentimento dos jovens.
Caberia ao governo o papel de combate a violência contra a mulher, algo que não está nem nunca estará na pauta do atual governo, permitindo números assombrosos de estupros e mortes de mulheres em todas as faixas etárias. (Bibliografia/Consultas: Julia Rocha – Ecoa – Sâmia Bomfim – Carta Capital).

*Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

Os rios só pedem passagem…

Cesar Vanucci*

“… Mas eu só queria passar!”
(Sheilla Lobato, escritora, no poema “Lamento de um rio”)

Faço esporádicas incursões pelo fascinante e desgastante território da internet. Procuro, precavidamente, nessas andanças, evitar os trechos minados, muito mais abundantes do que poderia supor nossa vã filosofia… Na faixa chafurdenta do território percorrido pelas multidões, zilhões de vezes, todos os dias, em todas as partes deste confuso planeta azul, vicejam, como sabido, irritantes frivolidades, atordoantes intrigas, perversas maledicências, inimagináveis falsidades. Tudo isso gerado, como também notório, por legiões de indivíduos despojados de sensibilidade social e sentimento do mundo. Ao lado dos assim (apropriadamente) chamados “idiotas da aldeia”, a coadjuvá-los eficientemente na massiva tarefa de ilaquear a boa fé das pessoas e levar o desassossego às mentes e corações, sobretudo nas camadas mais ingênuas da sociedade, colocam-se, galharda e pressurosamente, analfabetos políticos. E, ainda, anarquistas de todos os naipes, profissionais especializados em espalhar falsidades e vociferações preconceituosas. Todos a soldo de personagens e grupos maquiavélicos inebriados pelos ouropéis do poder mundano.

Nas buscas empreendidas nessas ocasionais ações como internauta, apego-me sempre a um lema: as amargas, não. A procura pessoal a que me atino, impelido pela esperança, é de lances de vida que enriqueçam a alma, fortaleçam a causa da construção humana. Esse lema remete-me a nostálgica lembrança. Falo da leitura, nos idos tempos da adolescência, de interessante livro, justamente com o título “As amargas, não”, do festejado escritor Álvaro Moreyra.

Isto posto, peço permissão, agora, ao distinto e culto leitorado que acompanha estas maltraçadas linhas, produzidas dia sim, dia não, por este desajeitado escriba, incorrigível caçador de quimeras, para aqui reproduzir, compartilhando-os prazerosamente, sugestivos e emblemáticos versos. Recolhi-os em incursão recente a áreas da internet onde sentimentos nobres, propósitos edificantes, conceitos de vida positivos costumam, afortunadamente, jorrar em compensadora profusão. São versos de Sheilla Lobato no poema intitulado “Lamento de um rio”. Narram, com envolvente lirismo, uma história de candente atualidade.

“Me perdoem por toda esta “bagunça”… Eu só queria passar. / Eu não fui feito pra Destruir… Eu só queria passar. / Já fui Esperança para os Navegantes… / Rede cheia para Pescadores… / Refresco para os banhistas em dias de intenso calor. / Hoje sou sinônimo de Medo e Dor… / Mas, eu só queria passar…// Me perdoem por suas casas / Por seus móveis e imóveis / Por seus animais/ Por suas plantações… Eu só queria passar. / Não sou seu inimigo / Não sou um vilão / Não nasci pra destruição… / Eu só queria passar. // Era o meu curso natural / Só estava seguindo meu destino / Mas, me violentaram, / Sufocaram minhas nascentes / Desmataram meu leito… Quando eu só queria passar. / Encontrei tanta coisa estranha pelo caminho… Que me fizeram Transbordar…/ Muros / Casas / Entulhos / Garrafas / Lixo / Pontes / Pedras / Paus…/ Tentei desviar … Porque eu só queria passar. // Me perdoem por inundar sua história, / Me perdoem por manchar esta história… / Eu só estava passando… / Seguindo o meu trajeto / Cumprindo o meu destino: / Passar…. //

* Jornalista, presidente da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (cantonius1@yahoo.com.br)

Bituca e cia ltda.

Marília Alves Cunha*

Temos hoje dois importantes meios de comunicação a nosso dispor: a televisão e a Internet. A TV, surgida na década de 50, revolucionou o mundo, tornando-se presença quase que obrigatória em todos os lugares. Mestra na arte do entretenimento, com sua múltipla e diversificada programação, tem logicamente seu lado obscuro, principalmente quando se serve de ampla penetração para influenciar a opinião pública, através de manipulação de dados e informações. Na propaganda, mesmo que subliminar, reside seu grande negócio. É fácil verificar a sua influência na percepção das pessoas sobre a desejada felicidade, reduzindo-a quase que completamente ao mero consumo. A internet não é tão novinha quanto a gente pensa: foi criada em plena Guerra Fria com objetivos militares. Mas foi a partir da década de 90 que evoluiu incrivelmente, alcançando a população do mundo todo. Tem também seu malefícios, principalmente no uso indevido que fazem dela os jovens colocando-a, não raras vezes, como centro de seu mundo e de suas vidas.
De minha parte, tenho paixão por estes meios de comunicação. Quando usados adequadamente, proporcionam momentos indescritíveis de prazer. Dia desses, por exemplo, descobri no YouTube uma gravação da final do Festival de Música da Record. O ano era 1967. Lembrei-me de ter assistido a todo o festival pela TV, rodeada dos filhos ainda crianças, da família e de amigos. Emoção grande misturada à lembrança de velhos tempos, rever estes grandes momentos da música brasileira. Lá estavam compondo o júri Chico Anysio, a meu ver o maior humorista que este país conheceu ( gênio, entendia também de música) e Sérgio Cabral, sambista e crítico musical, pai do hoje conhecido e execrado Sérgio Cabral Filho, ex-governador que jogou o Rio de janeiro prás cucuias… Pobre pai, de memória perdida para que não passasse vergonha…
Caetano Veloso, magricela e tímido, com a sua “Alegria, alegria” caminhou contra o vento, sem lenço e sem documento. Firmava-se aí, a consagração do novo baiano como grande e moderno letrista. E veio atrás um Chico Buarque muito jovem, com voz tímida e olhar confiante, cabeça cheia de ideias e coração gemendo “tem dias que a gente se sente/como quem partiu ou morreu/ a gente estancou de repente/ ou foi mundo então que cresceu”. Maravilha pura, a enfeitiçar nossos ouvidos! O campeão Edu Lobo apresentou-se sério, compenetrado e junto com Marilia Medaglia entoou Ponteio, uma obra de arte em forma de música: “Era um, era dois, era cem/ era o mundo chegando e ninguém/ se soubesse que eu sou violeiro/ que me desse amor ou dinheiro”. E é claro que o Gilberto Gil estava lá, junto com nada mais nada menos que “O Mutantes” da Rita Lee, numa mistura esquisita e gostosa de berimbau, viola, instrumentos eruditos e guitarras. O Domingo no Parque, do Gil, foi uma história de amor, sangue e traição dos personagens José, João e Juliana. Pura sofrência antes dos sertanejos tomarem conta do pedaço. Roberto Carlos vaiado (de leve) e Sergio Ricardo sofrendo estrondosa vaia e quebrando o violão também foram protagonistas da memorável noite. Fui tomada de um prazer enorme, revendo este registro magistral da música brasileira, ouvindo músicas geradas num momento especial que consagrou grandes nomes da nossa MPB. Era o ano de 1967, em pleno regime militar. Obrigada, YouTube!
“Solto a voz nas estradas/ já não posso parar/ meu caminho é de pedra/ como posso sonhar/ sonho feito de brisa/ vento vem terminar/ vou fechar o meu pranto/ vou querer me matar/. Esta preciosidade tem dono! Milton Nascimento, o Bituca para os íntimos compôs “Travessia” para nos inundar de emoção. É maravilhoso assistir documentários na TV sobre o Clube da Esquina, no qual o Bituca e companheiros como Lô Borges e mais parceiros, grande amigos, se reuniram para criar um importante movimento musical que conquistou o mundo. Orgulho de ser mineira, de pertencer a estas montanhas gerais. A boa, instigante e feiticeira música de Milton nascimento e seus amigos nos toca de várias maneiras: saudade, emoção, patriotismo. Patriotismo sim! Orgulho da terra que gerou tanta alma, tanta sensibilidade, tanta beleza!
Pois é, gente! A televisão e a internet são coisas maravilhosas. Basta somente escolher os caminhos para os quais elas nos levarão.

*Educadora e escritora – Uberlândia – MG

Dúdida!

Tania Tavares*

Pergunto:- Será que o Papa Francisco receberia em audiência o presidente Jair Bolsonaro, para que ouvisse a explicação dele sobre o que ocorre aqui?

Aí tem!

*Professora

Governos precisam incentivar florestas plantadas

Daniel Marques

Governo brasileiro pode e deve rever sua política em relação às
florestas plantadas. Esse é o único setor que cresceu, impulsionou a
balança comercial, gerou mais de meio milhão de empregos diretos, teve
recordes em arrecadação de impostos, contribuiu para a fixação de
carbono, conservação das matas nativas, proteção contra incêndios
entre numerosos benefícios nos últimos anos. Alguns estados exigem
licenciamento ambiental para o setor nos mesmo moldes de uma
mineradora, como de alto índice poluidor, o que não condiz com a
realidade, gerando custos e burocracias desnecessárias. Por outro
lado, existem linhas de crédito milionárias para os setores agrícolas
e, apesar do setor já pertencer ao ministério da agricultura e
pecuária e demandar longo prazo para o retorno do investimento, não
dispõe de linha de crédito. Governo federal e os governos estaduais
precisam retribuir todo apoio que recebem do setor de florestas
plantadas, principalmente a arrecadação gigante de impostos e agilizar
essas fáceis e coerentes reivindicações que só beneficiam o Brasil.

*Historiador

 

Free WordPress Themes, Free Android Games