Os fordinhos do Pafume

Antônio Pereira da Silva*

Mariano Pafume, patriarca da família, italiano, semianalfabeto, chegou a Uberabinha em 1889, um ano depois da emancipação do município. Na Itália, foi pastor de ovelhas.
Veio direto para Araguari, mas não ficou nem um dia. Veio para Uberabinha. Foi trabalhar na olaria do Marcianinho de Ávila. Casou-se com Elvira Rosária Camargo de Castro e, depois de quase trinta anos de barro da olaria, e dez filhos, juntou um dinheirinho e comprou um caminhão conhecido como “fordinho cuié” do José dos Santos, cuja loja ficava onde esteve até pouco tempo a mais antiga representação Ford da cidade. Era o Ford 1927. Era uma época em que os mantimentos vinham todos de Goiás, via ponte Afonso Pena e estrada do Fernando Vilela até a Mogiana onde eram despachados para São Paulo. Era o arroz, o feijão, o milho, o fumo e a borracha e outros produtos.
Mariano transportava esses mantimentos das casas de consignação, onde ficavam depositados, até a estação onde eram embarcados. Chegava a encher até três vagões por dia, só ele.
Com esse belo movimento, Mariano, que foi pai do vereador José Pafume, adquiriu mais um fordinho 1927 e depois mais 2 de 1929. “Cuié” (colher) era o nome que o povo dava àqueles curiosos veículos.
As coisas iam bem para o italiano, até estourar a revolução. O José Pafume me disse que seria a revolução de 1932, mas eu fico na dúvida, não seria a de 1930? Em 32, Minas Gerais, embora já comprometida com São Paulo, cedeu às propostas do Getúlio e saiu do rumo. Já em 30, Uberlândia se envolveu, mas os soldados e a grande maioria dos oficiais eram daqui mesmo. Certamente não fariam isso com o Pafume. Fica a dúvida que não prejudica a historinha.
Lá uma madrugada, a família acorda com fortes pancadas na porta. Eles moravam na rua General Osório, na descida para o Patrimônio. Mariano, ouvindo a prudência da esposa, não abriu a porta. Entreabriu ligeiramente a janela. Do lado de fora, onze soldados em cima de um caminhão. Pediram-lhe as chaves dos dois caminhões mais novos. Pafume negou. A soldadesca deu uns tiros pra cima. O comandante disse que precisava dos caminhões e que o governo os devolveria depois da revolução, ou, então faria o pagamento. Pafume tentou resistir alegando que só tinha aquilo pra tratar de dez filhos, mas o comandante estava irredutível e dona Elvira acabou convencendo o marido a entregar as chaves.
O tempo passou, a revolução foi rápida. Mariano continuou trabalhando com os velhos caminhões que sobraram.
Aposentou-se e veio a falecer em 1979, com 90 anos de idade.
Até hoje… nem pagamento, nem caminhões. (Fonte: José Pafume).

*Jornalista e escritor

Os princípios do futebol em Uberlândia

Antônio Pereira da Silva*

O futebol foi esporte de elite no Brasil. Chegou com o paulista/inglês Charles Miller, em 1894, e logo foi adotado por engenheiros, técnicos e industriais ingleses residentes em São Paulo. Virou esporte de ricos, proibido a negros e pobres. Não foi à toa que chegou ao Triângulo através da escola das famílias abastadas da região, o Ginásio Diocesano, de Uberaba, que instituiu o seu “team” em 1903.
E como chegou a Uberabinha? Avenir Gomes foi estudante do Diocesano e conhecia o futebol de vê-lo praticado por seus colegas. Deve ter participado de alguma “pelada”. Trouxe de lá uma bola velha que foi bater no espaço vazio de um do canto do abandonado cemitério que havia na praça Clarimundo Carneiro. Não demorou muito e ajuntou uma molecada dando bicudas na pelota para qualquer lado, despreocupada com equipe, com gol. O negócio era bicar e correr atrás para bicar de novo. Isso deve ter acontecido antes de 1º. de dezembro de 1912, porque nesse dia, Avenir Gomes e Carmo Prudente (dono do Bar El-Dorado, que reunia a rapaziada “chic” da época) fundaram o primeiro time de futebol da cidade, o “União Foot Ball Club”, formado por “rapazes da nossa melhor sociedade”, conforme registrou um jornal da época. Houve um jogo entre eles próprios com o resultado de 3 a 0. Atuou como juiz o “valente foot-baller araguariense” Martinho do Nascimento. A notícia publicada pelo jornal O Progresso, não dá as escalações nem o local do jogo sendo provável que tenha acontecido na praça da República (Tubal Vilela). Após a peleja, houve comemoração no Bar El-Dorado.
Outros esquadrões se formaram a seguir. Um deles, o Uberabinha Foot Ball Club que perdeu para o Commercial de Araguari por 4 a 0, em 1914. A derrota já era esperada. O Commercial era time entrosado, regular, enquanto o Uberabinha vinha de uma longa temporada sem jogos nem treinos. Esse encontro deu-se no “ground” da Praça da República. Outros clubes: o Uberabinhense e o Collegial que fizeram duas partidas em junho de 1914. No primeiro jogo, o Collegial venceu por 1 a 0. No segundo, o Uberabinhense venceu por 2 a 0. Jogos realizados na Praça da República.
Nesse tempo, a torcida era constituída por “excelentíssimas famílias” e “cavalheiros da nossa melhor sociedade” – os homens compareciam de terno, gravata e chapéu e as senhoras e senhoritas de sombrinhas. Indefectíveis eram as bandas que destacavam musicalmente as melhores jogadas e os gols principalmente. O Collegial era a equipe do Collégio Bandeira. Entre seus atletas estava o Benedito Sapinho, ex-funcionário da Prefeitura Municipal de Uberlândia, falecido há alguns anos.
Em meados de 1914, fundou-se o Commércio Foot Ball Club “sob os auspícios de pessoas gradas do nosso meio social”. A inauguração se deu com um “match” treino entre os seus dois “teams” (titulares e reservas), no “ground” dr. Duarte. Esse campo de futebol ficava na avenida Cesário Alvim, atrás da Santa Casa, que era na avenida Floriano Peixoto.
Um dos jogos noticiados pela imprensa, nesse ano, ocorrido entre o primeiro e o segundo time do Commércio, teve um curioso prêmio: uma bola de futebol. Houve ainda um outro time: o Spartano, fundado pelo empresário Américo Zardo. Numa reunião do Uberabinhense, resolveu-se transformá-lo em um novo time: o Rio Branco Foot Ball Club que teve longos anos de atividades. A sua diretoria era: Presidente: Adolfo Fonseca e Silva; Vice: dr. Leopoldo de Castro; 1º Secretário: Leopoldo Cupertino; 2º Secretário: Antônio Carlos de Araújo; Orador: prof. Honório Guimarães; Procurador: Simphrônio de Araujo; 1º Capitain: Avenir Gomes dos Santos e 2º Capitain: Martinho Nascimento. Alguns atletas do Rio Branco foram bastante prestigiados: Sinfrônio Faria, Goianinho, Alceu, José Fonseca, Rafael Tolini, Manoel Sapateiro, Olivier Toledo, Ponte Preta…
Ramiro Pedrosa, atleta dos anos 30, referia-se a um goleiro dos tempos pioneiros com grande entusiasmo: Fefé – que tirava de cabeça, ou de “charles” (chaleira), os petardos que desferiam contra sua meta. Costumava amaciar no peito do pé as bolas que vinham pelo alto e sair jogando com os companheiros como se fosse um “central”… Embora fizesse grande sucesso com a torcida, o Fefé, de vez em quando enterrava o time. ((Fontes: Jerônimo Arantes, Ramiro Pedrosa, O Progresso).

*Jornalista e escritor

Drogas, lento suicídio

Gustavo Hoffay*

Lá se vão cinco anos desde que a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina promovem o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: 10 de setembro! E mais que em outra qualquer data, novamente o ato de alguém infligir a morte em si mesmo é motivo de reflexão em meio à sociedade e especialmente para nós cristãos, visto acreditarmos ser aquele ato uma das piores ofensas a Deus. E na humilde qualidade de agente prevencionista ao uso de drogas e auxiliar em trabalhos de reabilitação de alcoólatras e toxicômanos, a tempos me convenci de que o vazio existencial tem o triste poder de empalidecer e embotar a consciência de jovens, ao contrário de outros que cultuam valores e desdobram-se em virtuosas atitudes, enquanto assistem brotar o que de nobre podem oferecer ao meio onde vivem. E aquele “vazio”, percebo, está muito mais presente na vida de quem desfruta de maiores afagos e comodidades oferecidas pelo mundo moderno, enquanto aqueles que realmente lutam pela sua sobrevivência e objetivando claros e nobres horizontes, sentem-se sempre mais felizes e confortáveis . Ninguém educa ninguém sem a pratica de um amor que exija a quebra da crosta de egoísmo e duvido que haja uma escola melhor do que a vida, no sentido de aprendermos a valorizar a nossa própria existência e quanto mais se somados os obstáculos diversos vencidos ao longo dos anos. Não é incomum em jovens que não procuram aperfeiçoar-se em vista de enfrentamentos ou dificuldades diversas em seu cotidiano, a desistência de nobres objetivos e visto não terem ou não cultivarem uma necessária humildade e aceitação, o que facilita-lhes a procura por saídas imediatas porém perigosas e de muito pouca duração: as drogas, um falso lenitivo para quem acovarda-se diante de dores suportáveis e transponíveis, não percebendo que Deus envia sempre a graça necessária para que a dor transforme-se em algo salutar para o espírito. Todo jovem, especialmente, passa por situações que irão exigir-lhe força e discernimento, humildade e aceitação para que aproveite e valorize ainda mais a graça da vida; desistir dessa missão e entregar-se ao uso abusivo de drogas enquanto desprezando valores familiares e sociais e truncando a própria vida, é uma das formas ainda mais covardes de lento suicídio, pois alem de aos poucos deixar-se deformar física e mentalmente, ainda prejudica a vida daqueles que lhes são próximos. Suicídio é covardia e o uso de drogas é um atalho para quem deseja por término, mesmo que inconscientemente, à sua própria vida.

*Agente Social

Loucura pura nos laboratórios de manipulação

Percival Puggina*

A celeuma suscitada pela declaração do vereador filho do Presidente é um dos mais claros exemplos de o quanto pode ser inventiva e excitante a atividade nos laboratórios de manipulação em que se transformaram alguns veículos da imprensa brasileira. São entes estratégicos do velho “mecanismo”.
Neles, os fatos são escaneados, sempre, na perspectiva do dano que possam causar ao governo, conduta que inclui o descarte de quaisquer boas notícias ou matérias que possam fortalecê-lo. Para os manipuladores desse laboratório, com suas luvas descartáveis, pipetas e retortas, a notícia é destilada como lhes convém. Por exemplo: afirmam com ar sério, que as instituições nacionais funcionam às mil maravilhas; o Congresso Nacional é apresentado como voz do povo e voz de Deus; o Supremo Tribunal Federal, por sua vez, como um Olimpo regenerado, onde os deuses abandonam os vícios e apenas as virtudes são preservadas. Já ao Executivo, cada dia sua dose de veneno.
Quero deixar claro que não conheço o tal vereador e nada sei de sua biografia. Votei no pai dele e defendo o governo porque vejo o bem que faz e o mal que impede seja feito. Conheço seus inimigos e identifico o trabalho dos laboratórios de manipulação da informação (basta olhar a vitrina).
A frase que o vereador fez sobre democracia e velocidade foi muito mal redigida. No entanto, sequer com má redação se presta as interpretações que os laboratórios de manipulação quiseram impor à leitura de sua clientela. Bem ao contrário, tais interpretações evidenciam que, mesmo escrevendo mal, o autor da frase é muito mais sensível do que seus detratores à natureza política do problema que abordou. “Sorry periferia!”, como diria o saudoso Ibrahim Sued; o vereador carioca entende muito melhor o problema institucional e político brasileiro do que vocês.
Ele captou nas redes sociais o mesmo desalento nacional que venho observando e ao qual tenho me referido em sucessivos artigos e vídeos dos últimos meses. Em sua postagem, afirma uma obviedade gritante: na democracia, especialmente no nosso modelo, as mudanças acontecem em very slow motion. O episódio democrático eleitoral pode promover (como aconteceu no ano passado), um giro de 180 graus em apenas nove horas de votação, mas correspondentes câmbios na vida social, política e econômica se arrastarão ao longo dos anos. Ou não? É importante que todos tenham consciência disso para evitar o desalento cívico e inquietudes não democráticas.
Qual a celeridade esperável de um Congresso que se reúne três dias por semana e onde funcionam as obstruções, os longos prazos, as faltas de quórum? Como serem ágeis as mudanças quando a oposição, a toda hora, apela às interferências do STF?
Quem mais me espanta, como observador, são os juristas chamados às falas sobre o assunto. Fazem fila. E são unânimes em ignorar o caráter disfuncional de nossas instituições! Chegam ao absurdo de erguê-las ao nível da perfeição, mesmo quando basta não ser idiota para ver o quanto elas sempre se prestaram e se prestam a todo tipo de chantagem e extorsão. Objetivo sistemático e sistêmico: realizar aquilo que vem sendo rotulado nos laboratórios de manipulação como “interlocução” entre os poderes. Haja realismo cínico! Em que país vivem e que livros andaram lendo os jornalistas e os doutos entrevistados da Globo ao longo destes dias? Não sabem eles o quanto é suja a ficha desse modelo institucional, o quanto da corrupção a ele é devida? Ignoram o quanto nosso sistema eleitoral patrocina e é patrocinado pelo oneroso corporativismo? Ora, por favor, tenham dó da Nação! Parem de atrapalhar e comecem a ajudar o país. Trabalhem com pautas reais!
Tudo que maldosamente foi “presumido”, “intuído”, “inferido” da frase do vereador o foi para atingir o governo. Atribuíram-lhe o que não disse. Ocultaram, no laboratório de manipulação, outra verdade que enunciou: “a roda segue girando em torno do próprio eixo”. Na mosca! Com efeito, a regra do jogo político determina o comportamento dos agentes políticos. A democracia brasileira se arrastará em ritmo antagônico ao desejado pela sociedade enquanto continuarmos esperando que as coisas “se mudem”, mantendo o hábito segundo o qual “está tudo errado, mas não mexe”. A democracia brasileira funciona mal e poderia funcionar muito melhor. Nosso modelo institucional, ao operar, faz exatamente isso que vemos. Desconhecê-lo, repito, é idiotia. Afirmar que a frase expressa uma opção por ditadura é enorme desonestidade intelectual.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Será que estamos mesmo sós no universo?

Cesar Vanucci *

“Universo, irmão mal conhecido.”
(Jean Wahl, poeta)

A aventura humana é tecida de infindáveis interrogações. As perguntas espocam em número infinitamente superior às respostas. Num contexto desses, de proporções colossais, a ciência é gota. Os fenômenos investigados, na longa espera da decifração, são um oceano.

Na hora em que telescópios super poderosos em matéria de propriedades tecnológicas apropriadas pelo homem, devassando interrogativamente o espaço sideral, dão-nos conta da existência, em pontos distantes de outras galáxias, de corpos celestes ostentando características assemelhadas às deste nosso planeta azul, é perfeitamente compreensível e natural o reacender da sempre momentosa discussão em torno da existência de vida inteligente nas demais paragens da infinitude cósmica. Embora intuída pela grande maioria das pessoas, a tese da pluralidade de mundos habitados ainda não é oficialmente admitida pela ortodoxia científica, sendo raivosamente contestada pelas aguerridas falanges do integrismo religioso.

Hoje já não é bem mais assim. Mesmo que se leve em conta o patrulhamento ostensivo no campo das ideias largamente praticado pelas correntes fundamentalistas radicais. Mas tempos houveram em que as pessoas de mente aberta cuidavam de trancar a sete cadeados suas crenças na “sacrílega” hipótese linhas acima aventada. Resguardavam-se, com justificáveis temores, das consequências práticas de ideias “tão extravagantes” virem a cair nos ouvidos de zelosos e temidos guardiães dos conhecimentos científicos e religiosos dogmaticamente consolidados. A crônica histórica está coalhada de doloridas manifestações inquisitoriais das mais diversificadas tendências

A ortodoxia científica, mesclada de fanatice religiosa, fixava conceitos inamovíveis. Contestá-los representava risco a que ninguém queria, obviamente, se expor. As proclamações de um luminar qualquer, revestido de pompa e autoridade, tinham força de inabalável mandamento divino. Ái daquele que ousasse contradizer, por exemplo, a “certeza” de que, lá no inatingível ponto em que as águas do mar (povoadas de terríveis monstros) e o horizonte se fundem, ficava a borda de um precipício aterrorizante! Ou a assertiva de que o sol e os demais corpos celestiais do firmamento giravam em torno da Terra! Ainda agora não há quem, “redondamente” equivocado, sustente a tese da “terra plana”?

Retomemos o papo sobre as descobertas, nos confins cósmicos, de mais de um astro de configuração similar ao nosso planeta. Muitas especulações, a partir dessas constatações, emergem a respeito da possibilidade de se abrigarem, nesses longínquos ermos, espécies de vida inteligente como as que conhecemos aqui. A inviabilidade de respostas a curto ou a médio prazo, considerados sobretudo os milhares de anos-luz que separam um planeta do outro, gera logicamente um monte de elucubrações. Vamos supor que os locais apontados favoreçam o desenvolvimento de civilizações com as mesmas peculiaridades oferecidas pela nossa morada terrena. A evolução tecnológica desenvolvida ali se situaria em estágio superior ou estágio inferior ao daqui? Adiante. Conservemos sob mira a transformação assombrosa que este nosso mundo velho de guerra experimentou nas últimas décadas. Suposições a respeito do que poderia vir a acontecer, em matéria de mudanças, num ciclo evolutivo de mil ou dois mil anos a mais, remetem-nos, naturalmente, a projeções e perspectivas fantásticas. Não apenas tão fantásticas quanto a gente consiga imaginar. Mas muito mais fantásticas do que a gente jamais conseguirá imaginar.

A ciência garante (será mesmo?) não dispor ainda de elementos para proclamar oficialmente a existência de vida inteligente fora do orbe terráqueo. Sob esse aspecto, os estrondosos avanços tecnológicos espaciais valeram pouco. Continuaríamos, praticamente, a propósito, no mesmo patamar informativo científico dos remotos momentos da censura ameaçadora que impedia a discussão aberta, transparente, do instigante tema. Isso, todavia, não é de natureza a impedir que muita gente, já consciente de sua cidadania cósmica, em diferentes cantos desta imensa pátria terrena, paradoxalmente uma ilhotinha perdida num oceano infinito, repleto de situações inexplicáveis, composto de zilhões de astros – entre eles os tais planetas que guardam similitudes com o nosso -, aceite, pacificamente a ideia de que estamos sós no universo. “Aceite” a ideia sem franzir o sobrecenho, sorriso maroto pendurado nos lábios, em sinal de desbordante dúvida.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Free WordPress Themes, Free Android Games