Antônio Pereira da Silva*

Todos os esportes que se praticaram na velha Uberlândia dos anos 50 do século passado receberam a participação entusiasmada de Décio de Magalhães Tibery. Jogou basquete, vôlei, nadou, de tudo fez um pouco e bem. Seu nome ficou bastante ligado ao futebol goleiro que foi de quase todos os times da cidade, inclusive do Uberlândia Esporte Clube.
Em 1957, Décio foi eleito Presidente do Praia Clube e levou para as margens do Uberabinha o seu gosto pelos esportes. Sua gestão ele elegeu como o Ano dos Esportes no Praia. Reeleito para o exercício de 1958 estendeu para esse ano a sua dedicação esportiva.
Em 1957 (e 8) praticaram-se, lá, os seguintes esportes: o “racha” (futebol), vôlei, basquete, tênis, motociclismo, pingue-pongue, water-polo, halterofilismo, remo, natação, boxe, ciclismo e atletismo.
O “racha”, que até hoje é a grande atração do clube, merece destaque.
Até 1957, era praticado num velho campo construído sobre um charco e estava sempre cheio de buracos. Era um campo de terra que os atletas chamavam de “Paralelo 38”. Nele se glorificaram o Abutre, o Dromedário, o Bagre, o Butineiro Risada, o Gustavo the King, o próprio Décio, o Espir, o Migueleto e o Bira Zacarias que, à época, já era veterano. Entre outros, claro.
Logo se providenciou para que o campo fosse melhorado. Construiu-se um outro para onde se transferiu o “racha”. Em seguida, com apoio do Alan Kardek Alves, Manoel Fernandes de Mendonça, Posto Agropecuário de Uberlândia, Prefeitura Municipal e Imobiliária Tibery, fez-se a terraplenagem do velho campo, completou-se o nivelamento com terra de cultura e esterco devidamente coado em peneirões e plantaram grama.
Os “racheiros” tiveram que esperar meses e meses. A grama pegou, ficou bonita, e os “peladeiros” logo quiseram invadir, mas foram impedidos. Enquanto a grama não ficou adulta, soltou seus cachos e as sementes caíram, ninguém pisou nela.
Tudo pronto, voltou-se ao campeonato maluco onde pontificavam os velhos times: Racha, Praia, Esfria Sol e Bancários.
Nos doze jogos do primeiro e segundo turnos, o placar mais dilatado foi de dez a zero que o Praia infligiu ao Esfria Sol especialista em sofrer lavadas, tanto que tomou vinte e nove gols em seis jogos apenas. Só o goleiro Moacir Ferreira Rangel engoliu vinte e três perus em quatro jogos.
Dos veteranos, o mais famoso era o Totonho Butineiro Risada que descia bordoadas nos adversários conscientemente.
A título de curiosidade, os destaques do campeonato praiano de 1957 foram: Erico e Wilson, ambos do Praia, artilheiros, com seis gols cada. Goleiro mais vazado, como não podia deixar de ser, o Moacir. Laudelino Guerra Filho recebeu um Medalhão por ser o atleta mais disciplinado.
E os juízes? Adivinhem: Espir Abib Attuch, Lauro Teixeira, Denílson Oliva e Japiassu (do DNER).
No dia da entrega dos troféus e medalhas, a diretoria do Praia homenageou o ex-Presidente José Rezende Ribeiro (o Juquita), colocando o seu nome no estádio. Juquita foi o Presidente que construiu o primeiro campo de futebol do clube, portanto, o introdutor desse esporte. Uma justa homenagem. (Fontes: Décio Tibery, jornais e revistas da época).

*Jornalista e escritor

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