Diógenes Pereira da Silva*

Com características inovadoras, a democracia brasileira tem fugido aos seus objetivos. Se estivesse viva, nossa democracia seria sustentada por seus pilares e não somente expressada em sua forma elementar, como se fosse algo superficial, conforme assistimos todos os dias. Além da falsa confirmação de sua existência e legitimidade por parte das instituições que a reforçam, desde já, há o flagrante desrespeito a ela em eventos paralelos como: manifestações radicais na mídia e proibição de seu próprio exercício pela justiça. As situações que temos tido a oportunidade de presenciar nos últimos dias só evidenciam a banalização dessa tão importante e necessária palavra.

O Brasil passa por um momento difícil com a pandemia do COVID-19, mas há outras preocupações que devem ser levadas em conta. A principal delas consiste na polarização da política que vem causando males incuráveis à sociedade e ao País.

Em meio à necessidade premente de aprovação das pautas de interesse da nação e da crise que assola o Brasil, verifica-se o conflito entre os Poderes da República. Criou-se uma outra anormalidade, representada pelo fato de que não há o devido reconhecimento e respeito às instituições, sem os quais abandona-se a verdadeira democracia.

Redes sociais tornaram-se campos de batalhas, ofensas, críticas e mentiras que sustentam argumentos que afastam o debate salutar e diálogo em relação à boa e necessária política. Não é possível debater, porque não há produtividade discursiva-argumentativa na polarização que estamos assistindo no cotidiano brasileiro.

Os embates nas redes sociais, ou mesmo as manifestações pró e anti-Bolsonaro, já passam da ilusória razão, escancaram a ignorância e nos levam à conclusão de que não valem a pena os enfrentamentos na arena da emoção política, pois não se levará ninguém a um consenso, muito menos à troca de ideias salutares e a um bom convívio social-político neste momento tão difícil.

Preocupa-me bastante a falta de diálogo, a existência de acusações públicas e tantas outras qualificadoras entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, em âmbito federal. Democracia alguma sobrevive sem a harmonia, isenção e autonomia dos poderes… Repito, dos poderes!!!

*Tenente do QOR da PMMG

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