Ana Maria Coelho Carvalho*

Minha neta princesinha nasceu no Sutter Memorial Hospital, em Sacramento, CA, em fevereiro de 2011. Sem pressa de vir ao mundo, estava sentada. Um médico forte, de mãos enormes, na época até tentou uma manobra radical, para virá-la no útero e tentar o parto natural, empurrando a barriga da mãe pelo lado de fora (mãe sofre). Não adiantou e ela nasceu de cesariana. Redondinha, cabeluda, tranquila e a cara do irmãozinho. Sem nome ainda, pois nove meses não foram suficientes para os pais resolverem entre Ana, Izabel, Lia, Zara, Gabriela, Gizela, Samantha, Milena, Sofia e Mayra. Na saída do hospital, para preencher os papéis, não tiveram como protelar mais e escolheram Lia (Leah, em inglês).
Nos três dias em que Lia ficou no hospital, nasceram mais uns 40 bebês, que eram anunciados por um sininho e uma música suave que tocava nos corredores. Filhos de indianos, mexicanos, espanhóis, americanos. Alguns enormes, vermelhinhos e chorões, como a menina de 11 libras (cinco quilos), filha de uma espanhola. Conversei com a avó, que olhava maravilhada, através do vidro do berçário, a meninona que já nasceu criada. Outros, pequeninos e franzinos, eram recebidos por parentes emocionados, principalmente por pais segurando lágrimas nos olhos e rosas nas mãos para a esposa. Certa hora, quando nasceu mais um bebê, o corredor ficou repleto de americanos avantajados, provavelmente pai, tias, sobrinhos, avós, bisavós, etc, carregando vários balões azuis (daí deduzi que o bebê tão prestigiado era homem) onde estava escrito “Welcome baby”. Como eu acompanhava a minha filha e também todas as coisas que aconteciam por perto, pensei então que deveria ter preparado uma recepção para a princesinha. Mas esse lapso foi preenchido por seu irmãozinho, na época com dois anos, barulhento, esfuziante e encantado com a bebê, fazendo grande rebuliço quando ia visitá-la. Identificado por um adesivo escrito “I am a big brother”, em meia hora de visita lambuzava a bebê de beijos, abraçava, trombava nos móveis do quarto, corria pelos corredores, levantava e abaixava a cama da mãe com a manivela, tirava fotos com a bebê no colo.
Quando a princesinha chegou em casa, trouxe de presente para o seu “big brother” uma coleção de super heróis: o Batman, o Homem Aranha e o Super Homem. Conquistou-o para sempre. Ele passou a dizer que Lia era sua princesa e que um dia iria se casar com ela.
Como nos contos de fada, as pessoas que iam conhecê-la desejavam-lhe muito amor, saúde, alegria e felicidade. Como a Cinderela, sempre estava perdendo os sapatinhos. Como a Branca de Neve, tinha a pele bem alva. Como a Rapunzel, nasceu com bastante cabelo, mas logo foi ficando ralinho. Como a Bela Adormecida, o que mais fazia era dormir como um anjinho. Como a Jasmine (do Aladim) parecia flutuar em um tapete mágico, entre sons e vultos que ainda não identificava. Como toda princesa, nasceu linda e possuia vestidinhos cor-de-rosa combinando com sapatos, luvas e chapéu. Tinha também uma roupinha bem verde e felpuda, com um capuz de orelhas, que a tornava parecida com a Fiona, do Shrek (a Fiona é feia, mas é princesa).
Quando segurei a princesinha no colo, senti-me abençoada como rainha- avó, agradecida a Deus pela existência da rainha (a filha) e pelo nascimento da princesa. Desejo que a vida da Lia, que hoje está com nove anos, seja sempre como um conto de fadas, com muito encantamento, amor, ternura e magia. E sem bruxas e sem príncipe que vira sapo.

*Bióloga – Uberlândia – MG – anacoelhocarvalho@terra.com.br

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