Gustavo Hoffay*

Difícil, infelizmente, passarmos sequer um dia sem tomarmos conhecimento da violência que campeia por Uberlândia. Somos testemunhas do ritmo crescente do aumento da bandidagem e dos seus mais diversos meios de furtar, assaltar, estuprar, ferir e matar pessoas de ambos os sexos e de todas as idades e classes sociais. Somos objetos diários e constantes das pautas de reuniões dos setores oficiais de segurança pública e que procuram, acreditamos, obstar o curso mortífero da criminalidade. Entretanto e muito antes de apresentar-se os motivos dos crescentes índices de violência em nosso meio, seria importante fosse destacado o fato de que, desde muito, assistimos a uma debilidade social crescente e enraizada numa infeliz distribuição de renda, aliadas a uma permissiva libertinagem a partir de alguns meios de comunicação de massa e o que, definitivamente, contribui para contagiar a estrutura moral de famílias inteiras e por mais que essas tentem esquivar-se de certeiras abordagens midiáticas. Aliada a essa evidente fragilidade, havemos de reconhecer que certos tipos de violência também são oriundos de intenções políticas, de um doentio desejo de quem tenta manter-se ou conquistar um posto no poder público. Não há como deixar de registrar o fato de que taras e quadros patológicos são ainda motivadores de crimes absolutamente brutais e muitas vezes covardes. A falta de crença em Deus (ou em um poder superior a todos nós), aliada à falta de ética e a um rigoroso respeito pelo próximo, é o que severamente contribui para deixar-nos sem visualizar um norte durante a nossa caminhada por este mundo. A ausência de Deus no coração de um grande numero de homens e mulheres, torna praticamente insustentável a vida em sociedade e contribui ,imensamente, para que não poucas pessoas sintam-se relativamente à vontade para o cometimento de delitos diversos e ainda quando cientes de que a justiça dos homens é sempre lenta e que, por vezes, dá a nítida impressão de ser, de uma ou outra forma, condescendente a um grande numero daqueles que infringem as leis. Tornando ao fato de que a falta de fé em um Poder Superior é um agravante para a prática de crimes, então é notório que para muitos Deus não existe e que, portanto, não há ninguém para impor esse ou aquele tipo de comportamento a qualquer pessoa. Assim, em nome de quem um homem ou uma mulher pode impor normas às quais deve-se reverentemente obedecer? Dostoiesvski, um grande pensador russo, já dizia que “ se Deus não existe, então tudo é permitido”, enquanto Jean-Paul Sartre afirmava que se as circunstâncias exigissem, cada um de nós poderia ser um carrasco e um açougueiro em determinadas situações de nossas vidas. Ora… se não cremos em Deus, porque haveríamos de acreditar nos homens e na sua justiça? E não crendo em Deus, o homem pode imaginar que tudo o que é tido por respeitável, intocável ou sagrado deixa de existir em qualquer pessoa e que por isso tudo passa a ser permissível para a satisfação dos mais rudes e baixos instintos humanos; o crime, qualquer que seja, passa então a ser considerado como a um mero episódio ou mesmo uma necessidade a ser praticada sem titubeio. E não é isso o que estamos testemunhando com certa freqüência em nossos dias? Se alguns padres já pecaram contra a castidade e alguns pastores já foram acusados de algum tipo de crime de natureza sexual, porque qualquer ingênuo não sentiria – se no direito de também cometer algum tipo de grave assédio sexual, por exemplo? Chega-se mais e mais à conclusão de que a perda do senso de Deus é o mal que fundamenta a origem de outros males, pois é a fé que dá sentido e rumo às nossas mais nobres aspirações e o que leva-nos a respeitar o nosso semelhante. Queremos violência? Então que a pratiquemos contra os velhos homens que ainda insistem habitar em nossos corações e abramo-nos, todos, para atitudes e condutas de fato coerentes aos cristãos, amando o próximo e evitando que ele siga por atalhos muitas vezes tentadores, porém sempre infelizes e perigosos.

*Agente Social – Uberlândia-MG

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