Gustavo Hoffay*

Ao contrário da maioria das pessoas, já não preocupo-me com a possível liberação de algumas drogas entorpecentes/estupefacientes e que podem originar, entre outras mazelas, a terrível dependência química. Evidentemente não preconizo a liberdade de produzir-se aquele tipo de substâncias e mesmo, claro, de facilitar a sua comercialização e uso. Acredito no amar generosamente a causa de reabilitar-se dependentes químicos, um amor que possa contagiar todo um local onde estão pessoas desejosas de abandonar definitivamente o vício pelas drogas licitas e ilícitas. E a caminhada rumo à libertação das algemas que prendem um jovem ou um adulto ao submundo de tentadoras porém muitas vezes fatídicas ilusões, não é uma exigência tão difícil e desde que o sujeito encare o seu tratamento não como a uma passagem, mas como a algo que eficazmente irá marcá-lo e mostrar-lhe um outro porém digno, feliz e salutar modo de vida. O cotidiano em uma comunidade terapêutica, reunida pela fé, a oração e o trabalho coeso em fraternidade, atesta o amor e o amor sobrenatural, amor de Deus derramado sobre os homens, independentemente de simpatias ou antipatias naturais a isso ou aquilo. Cultivar o espírito de fraternidade , habitando e trabalhando ora sob o mesmo teto e ora no campo é cultivar relações entre todos os recuperandos e de forma a prepará-los para uma nova e produtiva vida, em harmonia consigo mesmos e todos os que lhes são próximos. Esse embasamento de espírito somado a positivas experiências fraternas enquanto vivendo em uma comunidade terapêutica, oferece a um adicto em recuperação a real possibilidade para que ele aceite, generosamente, as tribulações que a vida comum irá impor-lhe tão logo retorne ao convívio em família e sociedade. Assim, exercitar e desenvolver em dependentes químicos que caminham em busca da sobriedade o senso de justiça, veracidade, doação de si, autenticidade e sinceridade é, antes do mais, despertar em todos o senso de Deus já latente na alma de cada um deles. E a cada dia, enquanto convivendo com ex-drogados em reabilitação, mais eu creio que a Providencia Divina sabe tirar dos males morais ainda maiores bens e desde que aqueles aceitem ser tocados pela Sua misericórdia. Por isso afirmo e repito: um dependente químico reabilitado é de suma importância para desfazer equívocos e preconceitos que ainda se formam a respeito do (belíssimo e glorioso) trabalho de reabilitação de quem deixou-se levar pelas drogas licitas e/ou ilícitas; ele(a) torna-se um ativo agente que transmite esperança e confiança a quem ainda não decidiu abandonar o vicio por algumas daquelas substâncias químicas alteradoras de humor. Libere-se as drogas, caso seja esse o desejo dos nossos governantes; temos hoje uma população de jovens cada vez mais informada e ciente dos males provocados por aquelas naturais ou sintéticas composições químicas e, por isso, a grande maioria deles já sabe interpretar e escapar de tentadoras porém perigosas ofertas de fazer-se uso daquelas substâncias. O perigo ronda nossos filhos, sim, mas a informação, a familia e o amor na medida certa (e exigente) nunca pode faltar-lhes.

*Presidente do Conselho Curador da Fundação Frei Antonino Puglisi
Ex-diretor do Conselho Municipal Antidrogas
Uberlândia-MG

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