José Carlos Nunes Barreto*

“Se todo corpo fosse olho, onde estaria o ouvido, pergunta…Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato, volta a indagar…” (Apóstolo Paulo de Tarso no Novo testamento)

Tenho escrito sobre catedrais e templos físicos com vitrais, suas naves e auras da espiritualidade, além da emoção de estar aos pés dos altares de igrejas cristãs em vários lugares do planeta, o que ainda me emociona, em conjunto com milhares de pessoas, professando a fé no nosso Senhor Jesus Cristo.

Apesar disso, cada vez mais me convenço que as verdadeiras catedrais e templos, estão dentro do homem. Como cristão, me lembro das palavras do Mestre, ensinando que somos o templo do Espírito Santo. Também da narrativa dos evangelhos, de quando, após a ressurreição, Jesus se juntou a dois discípulos que tristes por causa de sua morte, caminhavam na trilha de Emaús.

Ainda não criam na ressurreição, e sem que percebessem, foram instruídos por aquele estranho, sobre a glória de Deus, e da vitória sobre a morte. Ao longo do caminho, foram aos poucos convencidos. Ao final, quando o homem se afastou, descobriram que se tratava do Senhor.

Exultaram de alegria, e se perguntaram: ” como nos ardia o coração enquanto ele falava!”

E como amo todas as letras da Bíblia, admiro a lavra do apóstolo Paulo, aliás Dr Paulo de Tarso, em especial, a magnífica ode à diversidade de dons espirituais, na primeira carta aos coríntios capítulo 12.

Em tempos em que a ciência se aproxima cada vez mais da religião, vide as descobertas do QS- Quociente espiritual, (semelhante às medidas QI- quociente de Inteligência e QE – Quociente emocional) e as conclusões da física quântica. Paradoxalmente, vivenciamos uma era cada vez mais burra, espiritualmente falando. Em que padres e pastores com baixo QS, levam multidões ao precipício. Em que a profecia da “terra gemendo, por conta de nossa cega ganância”, se cumpre à velocidade jamais vista.

Voltando ao texto sagrado, Paulo adverte que ” ninguém que fala pelo espírito de Deus, diz Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo”.

Fala da diversidade de dons, num momento em que as mídias tentam formatar a todos, do mesmo jeito, ainda que, segundo a orientação paulina, a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil:” A uns foi concedida a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito a palavra da ciência.”

Ele disse ciência: algo que tantos tentaram, durante séculos, afastar de Deus e das coisas transcendentais.

A outro, continua o apóstolo, foi dado o dom de operação de maravilhas- quais seriam essas, ele não disse, mas hoje podemos assistir contemporâneos com estas competências, usando tecnologias, e fazendo andar tetraplégicos, ou levando pessoas a outros planetas, por exemplo. Contudo, ele ensina que todos somos um só corpo, mas com muitos membros e com diversidade magnífica de dons, e, mesmo aqueles mais fracos e menos honrosos são necessários, eis o principal conceito explicado.

E de novo surge o poder do um.

Aquele poder que levou Ghandi a dizer sem armas, a um regime opressor: “terão meu corpo, mas não terão minha obediência”, que fez John Lenon compor “Imagine”, e inspirou Martin Luther King, a discursar “Eu tenho um sonho”, numa época imprópria para sonhar, segundo a visão particular e conjuntural dos personagens, que foram para o lixo da história, por terem baixo baixo QS.

Para completar de vez, a ponte entre ciência e religião, sugiro aos leitores que me honraram até aqui com a leitura, que o façam também do livro “QS, o Q que faz a diferença” de Danah Zohar e Ian Marshal, ed. Record SP 2000. E, principalmente a leitura da Bíblia, para abrir apoteoticamente as portas do S de espiritualidade em suas vidas.

Desejo a todas e todos, um excelente ano de 2020, sob as bênçãos do Pai das Luzes, de onde procede toda boa dádiva, e todo dom perfeito, segundo as escrituras sagradas.
Amém!

José Carlos Nunes Barreto
Pós doutor e Sócio diretor da DEBATEF Consultoria
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