Ivan Santos*

O primeiro grande jornal nacional a abandonar a publicação impressa e se limitar a uma edição online foi o centenário Jornal do Brasil. Esta mudança ocorreu em 2010. Naquele ano percebemos que esta seria uma tendência mundial com informações resumidas e conteúdo claro, objetivo e sem penduricalhos. A mudança ocorreu por causa de uma crise econômica enfrentada pelo jornal e por uma drástica mudança entre os jovens leitores que privilegiam informações resumidas, diretas e claras.
Outros jornais tradicionais resistem às mudanças, mas perdem leitores. Há dois anos o tradicional jornal de Curitiba, Gazeta do Povo também acabou com a edição impressa e passou a circular com publicação digital. Também seguiu o mesmo caminho outra publicação regional tradicional, a Gazeta de Vitória, Espírito Santo e o Diário Catarinense. De um ano para outro as editoras que mantém jornais impressos percebem que perdem leitores. Ficam os velhos e os jovens que representam os leitores do futuro migram rapidamente para publicações digitais. Hoje a publicação de jornal em papel custa muito caro e a distribuição também é cara. Com a fuga de leitores que procuram publicações digitais, é difícil acreditar que jornais como a Folha de São Paulo e o “Estadão” possam manter, por muito tempo o transporte de poucos jornais, diariamente, para abastecer poucas bancas distribuidores em Uberlândia. Por exemplo, uma das bancas, na principal praça da cidade que vendia mais de 100 exemplares de um dos dois jornalões paulistas, hoje recebe nada mais do que cinco e sobram jornais no fim do dia. Esta situação não poderá ser mantida por muito tempo e parece irreversível. O valor de uma assinatura de jornal impresso não paga hoje o custo da publicação.

Nesta cidade, o tradicional jornal Correio de Uberlândia, com mais de 70 anos de circulação, fechou as partas em 2017. Uma das causas foi a fuga dos leitores para outras modalidades de informações; outra foi a falta de geração de receita para a manutenção da publicação e pagar o custo da circulação. Assim foi e será de hoje em diante com outros jornais impressos. Essa realidade parece irreversível. O hábito de leitura do pública nacional está a mudar constantemente. Não adianta publicar bons conteúdos se não houver leitores para os apreciar.

*Jornalista

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