Rafael Moia Filho*

É hora de muitos experimentarem àquela estranha
sensação do uso do raciocínio em nosso país.
Fernando Pinho

Desde sua posse em 01/01/2019, o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel se apegou a discursos que não combinam com a importante função que passou a exercer. Ele prega o extermínio de bandidos, assim como, na década de ’60 em plena ditadura em SP, havia criminosos disfarçados de policiais militares executando pessoas usando o chamado esquadrão da morte, como ficaram conhecidos à época.
Suas ordens para execução de quem estiver com fuzis às mãos, o uso de snipers e policiais armados em Helicópteros vem trazendo mais insegurança do que solução para a criminalidade no Estado do RJ.
Em abril deste ano, um jovem músico foi assassinado dentro de seu veículo, com oitenta tiros e seu sogro ficou ferido após nove militares do Exército atirarem no carro em que estavam, na Estrada do Camboatá, em Guadalupe (na Zona Norte). Parentes e amigos alegam que as vítimas foram confundidas com bandidos.
No dia 20/09/19, a menina Ágatha Vitória Sales Félix, de apenas 8 anos, foi atingida nas costas por um tiro de fuzil dentro de uma Kombi no Complexo do Alemão, na noite de sexta-feira, 20
Não teve tiroteio nenhum. Foram dois disparos que ele deu. É mentira!”, gritava, muito abalado, um homem que seria o motorista da Kombi (que ajudou a socorrer a menina) e que teria visto um policial atirando.
No velório, outras pessoas contestaram a versão oficial da Polícia Militar, de que Ágatha teria sido ferida num confronto entre policiais e criminosos. “Quem matou foi o Estado”, dirigiu-se um homem a jornalistas, sem se identificar. “Não houve confronto”, completou outro.
Moradores e ativistas convocaram nova manifestação no domingo seguinte ao crime, pedindo o fim da violência policial no conjunto de favelas em que a menina foi atingida. A concentração de manifestantes aconteceu em frente à Unidade de Pronto Atendimento de Itararé.
Desde que assumiu o governo do Estado do RJ, o “valentão” não promoveu nenhuma reformulação nas polícias do Estado. Não demitiu laranjas podres, não contratou novos policiais para fazerem parte da força policial do Estado. Não conseguiu comprar novos equipamentos (Armas, Coletes), nem tampouco começou a informatizar e integrar as forças policiais através da utilização de tecnologia de ponta. A alegação é de que faltam recursos, porém, o governador em momento algum buscou estes mesmos recursos junto ao governo federal, ao BNDES, ou qualquer outro órgão.
Existem recursos para tentar bancar a construção de um novo autódromo para a disputa de Fórmula 1 na cidade do Rio de Janeiro, existem recursos para muitas coisas, como viagens ao exterior, gastos com bobagens de toda natureza, só não tem dinheiro para Segurança Pública…
O assassinato da menina inocente de oito anos é apenas mais um caso de violência policial em ações mal planejadas e sem a utilização dos serviços de inteligência pela policia carioca. São dezenas de inocentes mortos por balas perdidas (assassinas) sem que ninguém seja punido.
Os defensores do governo alegam que os policiais estavam em combate ao crime, entretanto na maioria dos casos isso é mentira. Testemunhas deixam claro que não havia no momento do assassinato da menina Ágatha qualquer ação de bandidos no local, sejam em tiroteios ou em ação de policiais no morro. O caso foi idêntico ao do músico assassinado, morto sem que houvesse justificativa plausível para a tragédia.
O silencio do governador Witzel, que foi visto dançando na ponte RJ-Niterói quando um sequestrador foi abatido por um policial snipers é sinal da sua covardia perante ações desastrosas comandadas por sua verborragia inútil.
Aliás, o silencio tomou conta do Twitter dos filhos do presidente que moram no RJ, do próprio Bolsonaro e de seus ministros. A bancada da bala está quieta, assim como o Ministro da Justiça, antes tão eloquente quando ainda era Juiz, hoje um morto vivo no cargo onde deveria ser o primeiro a se manifestar a respeito dessas e de outras situações envolvendo segurança pública.

é Escritor, Blogger e Graduado em Gestão Pública.

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